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Cortes de cabelo após os 70: 4 estilos que favorecem mulheres com óculos e ajudam a rejuvenescer o rosto.

Mulher idosa de óculos a sorrir enquanto alguém cuida do seu cabelo, com vaso de planta ao fundo.

A cabeleireira afasta-lhe a franja com delicadeza e inclina-se mais para perto do espelho. “Olhe para os seus óculos”, diz ela, batendo de leve na armação em tartaruga. “Eles estão a fazer metade do trabalho. O seu corte só tem de fazer a outra metade.”
Na cadeira, Marie, 72 anos, ri-se, mas vê-se a preocupação nos olhos. Está cansada do mesmo corte curto “prático” que toda a gente insiste em sugerir - aquele que a faz sentir mais como a avó de alguém do que como ela própria. Os óculos ficam. O estilo, espera ela, não.

À sua volta, o salão vibra com o zumbido dos secadores e conversas em surdina. Uma mulher nos seus 80 e poucos sai com um bob macio que apanha a luz e, de repente, toda a gente olha duas vezes. Não por causa da idade. Por causa do rosto.

Esse é o poder silencioso do corte certo depois dos 70, sobretudo quando se usam óculos.

O bob comprido em camadas que suaviza a linha do maxilar

A primeira coisa que muitas mulheres dizem aos 70 é: “Curto, suponho? É o que se faz agora.” O bob comprido em camadas discorda, educadamente. A terminar algures entre os lábios e a clavícula, este corte emoldura o rosto sem o “engolir”. Dá movimento, mas não grita “passei duas horas a arranjar isto”.

Com óculos, este comprimento cria uma transição suave desde a armação até ao pescoço. O olhar desliza por essas camadas leves em vez de parar nas papadas ou na pele mais descaída. De repente, o maxilar parece mais definido, o pescoço menos marcado. O rosto parece mais elevado, como um filtro discreto na vida real.

Pergunte em qualquer bom salão de cidade numa manhã de terça-feira. Vai vê-las: professoras reformadas, ex-enfermeiras, antigas gestoras. Mulheres que antes usavam coques rígidos ou permanentes muito curtas, e que agora saem com bobs compridos que roçam os ombros. Uma cliente com quem falei, 74 anos, tinha usado o mesmo “capacete” à altura do queixo durante 20 anos.

O optometrista convenceu-a a mudar para armações arrojadas cor de bordeaux. A cabeleireira acompanhou com um lob em camadas que se mexia quando ela andava. Disse-me que a neta lhe comentou: “Pareces uma atriz francesa.” Na verdade, a mudança foi simples. O corte acrescentou suavidade nas têmporas e volume onde a gravidade, discretamente, o tinha levado.

A razão pela qual este corte funciona tão bem com óculos é a geometria. Armações marcantes criam uma linha horizontal a meio do rosto. Se o cabelo termina exatamente nessa linha e fica pesado, tudo parece “encaixotado”. Deixe o cabelo um pouco mais comprido, com camadas leves e um toque mínimo de textura, e essa caixa abre-se.

O bob comprido desenha um movimento vertical e diagonal que “corta” visualmente as laterais do rosto. Linhas finas à volta da boca ou um queixo ligeiramente descaído recebem menos atenção. O olhar foca-se na curva do corte, no brilho do cabelo, na armação dos óculos. Os sinais da idade continuam lá - simplesmente deixam de ser o tema principal.

O pixie suave que levanta o olhar

Se gosta de cabelo curto, o pixie suave pode ser pura magia depois dos 70. O truque é mantê-lo leve, não severo. Pense: camadas delicadas, um pouco de comprimento no topo e uma franja que pode roçar a testa ou ser puxada para o lado. Este tipo de pixie não luta com os óculos - brinca com eles.

Peça à sua cabeleireira uma forma que acompanhe a linha das suas armações. Se os seus óculos são redondos, um topo ligeiramente desalinhado acrescenta um eco jovem e divertido. Se são retangulares, uma franja varrida para o lado suaviza essas linhas direitas. O rosto fica mais aberto, os olhos mais luminosos, as maçãs do rosto mais visíveis.

Uma mulher que conheci, 79 anos, usava há anos um corte curto prático. Curto, apertado e fixado com laca até à submissão. Disse-me que olhava para o reflexo e via “apenas as lentes e as rugas”. Quando finalmente pediu uma mudança, a stylist sugeriu um pixie suave com textura esvoaçada.

Mantiveram uma franja mais comprida, a tocar logo acima das sobrancelhas, e adelgaçaram as laterais à volta das orelhas. Com os óculos metálicos, o resultado foi marcante. A franja escondia uma linha profunda na testa que ela detestava. A altura extra no topo alongou a silhueta. Saiu do salão a tocar no cabelo como uma adolescente a experimentar uma nova identidade.

Porque é que um pixie suave dá um efeito tão jovem com óculos? As laterais curtas expõem as têmporas e elevam o foco visual. Vê-se o brilho nos olhos, não apenas a forma da armação. Camadas leves esbatem a fronteira entre cabelo e pele, para que o rosto não pareça “cortado” por um contorno duro.

Há também algo em mostrar o pescoço e as orelhas que sinaliza vitalidade. Sugere movimento, facilidade, uma mulher que não se está a esconder. Cabelo que mostra a forma do crânio tende a parecer mais moderno do que cabelo que se agarra a ele. Junte isso a óculos que combinem com a sua personalidade e obtém um rosto que conta uma história atual - e não apenas uma do passado.

Franjas laterais e franjas cortina: o truque anti-cansaço

Um gesto preciso pode mudar tudo: a direção da franja. Franjas varridas para o lado ou franjas cortina suaves quase sempre favorecem mulheres com mais de 70 que usam óculos. Partem a testa, atravessam linhas horizontais profundas e trazem um desfoque gentil à zona dos olhos.

Peça à sua cabeleireira para colocar o ponto mais comprido da franja na altura da maçã do rosto. Assim, a linha corre na diagonal sobre a face. Atrai a atenção para os olhos e para os óculos e depois desce até ao sorriso. O efeito é como reduzir o contraste numa fotografia: o mesmo rosto, mas mais calmo, mais suave, menos cansado.

Muitas mulheres com mais de 70 têm medo de franjas porque se lembram das franjas pesadas dos anos 70 que colavam à testa. A versão moderna é mais leve, quase transparente, sobretudo por cima dos óculos. Uma leitora contou-me que fez cirurgia às cataratas aos 71 e mudou de armações depois. As novas lentes eram mais finas, mas expunham cada linha minúscula à volta dos olhos.

A stylist sugeriu uma franja cortina, partida ao meio e curvada à volta das extremidades dos óculos. O resultado: um “véu” subtil que suavizou sombras e a fez parecer menos rígida. Disse que desconhecidos começaram, de repente, a sorrir-lhe no supermercado. Nada na rotina mudou, exceto aqueles poucos centímetros de cabelo a atravessar a testa.

Do ponto de vista visual, as franjas funcionam como filtros incorporados. Olhos fundos, pálpebras descaídas ou uma testa muito alta podem tornar a parte superior do rosto pesada. Uma franja leve interrompe essa queda vertical. A combinação de armação e franja cria uma “moldura em camadas” interessante: cabelo, óculos, olhos.

Sejamos honestos: ninguém apara a franja todas as semanas. Por isso, o truque é pedir uma forma que cresça de maneira bonita. Uma franja lateral um pouco mais comprida transforma-se, com o tempo, em camadas a emoldurar o rosto. E em cada fase, os óculos ancoram o visual, para que nunca caia naquela sensação de “estou escondida atrás do cabelo”.

Volume no topo e camadas suaves: o lifting imediato

Para refrescar o rosto depois dos 70, o segredo muitas vezes está na parte de trás da cabeça: o topo (coroa). Um pouco de volume ali pode transformar toda a silhueta, sobretudo quando se usam óculos. Quando o topo está achatado, tudo parece puxado para baixo. Quando há uma altura suave, a postura parece mais direita, o maxilar menos pesado, o olhar mais desperto.

Peça à sua cabeleireira camadas suaves no topo e na coroa, em vez de desbastar apenas as pontas. Mesmo em cabelo fino, um pouco de camadas internas cria elevação. Combine isso com uma secagem que empurre ligeiramente o cabelo para trás, afastando-o do rosto, e as suas armações tornam-se um ponto focal - não uma fronteira.

Muitas mulheres mais velhas lutam com ferramentas de styling e depois desistem, aceitando o “efeito capacete”. Não está sozinha. Todas já passámos por aquele momento em que a escova redonda voa da mão e pensamos: “Sou demasiado velha para este circo.” Há outra maneira.

Um bom corte vai trabalhar com o seu movimento natural. Se o cabelo tende a cair para a frente, as camadas devem ser cortadas de modo a que um simples pentear com os dedos para trás seja suficiente. Se o cabelo é muito liso, um undercut subtil na coroa cria espaço para levantar. Um pouco de mousse na raiz, umas apertadelas com os dedos, cabeça para baixo, cabeça para cima, feito.

“Depois dos 70, não quer um cabelo complicado”, diz Claire, uma stylist parisiense que trabalha sobretudo com mulheres acima dos 60. “Quer cabelo que se mexa quando anda e que assente sozinho quando se senta. Os seus óculos acrescentam personalidade. O corte deve acrescentar luz.”

  • Acrescente volume no topo, não nas laterais - Volume lateral alarga o rosto e pode “puxá-lo” para baixo visualmente. Volume no topo alonga a silhueta para cima, criando um efeito subtil de lifting.
  • Crie movimento à volta das têmporas - Um pouco de camadas nos cantos superiores dos óculos impede que essa zona pareça pesada ou quadrada.
  • Mantenha as pontas suaves e ligeiramente irregulares - Pontas perfeitamente direitas e “cortadas a direito” podem endurecer os traços. Textura suave torna as margens do rosto mais gentis e dinâmicas.

Deixar o seu rosto e os seus óculos conversarem

A certa altura, depois dos 70, a pergunta deixa de ser “Que corte me faz parecer jovem?” e passa a ser “Que corte me faz sentir viva na minha própria pele?” A resposta aparece muitas vezes quando deixa de pensar no cabelo e nos óculos como problemas separados. São um duo. “Conversam” no seu rosto o dia inteiro.

Um bob que segue a curva das suas armações, um pixie que ecoa a geometria delas, uma franja que roça a parte de cima das lentes, um topo com um toque de altura: não são truques de beleza reservados a celebridades. São pequenos ajustes que mudam a forma como os seus traços apanham a luz, a forma como os outros leem a sua expressão, a forma como você lê o seu próprio reflexo de manhã.

Não tem de mudar tudo. Às vezes, manter a cor natural e apenas acrescentar uma franja mais suave é suficiente. Às vezes, a coragem está em cortar mais curto do que alguma vez cortou, para finalmente revelar o pescoço e as suas armações bonitas. Às vezes, o gesto mais corajoso é simplesmente dizer à cabeleireira: “Estou pronta para voltar a parecer eu, e não a versão segura que todos esperam.”

Os cortes favorecedores depois dos 70 não têm a ver com fingir que o tempo não passou. Têm a ver com deixar a sua história aparecer com clareza no seu rosto - emoldurada por cabelo e óculos que contam a mesma história. Talvez esse seja o verdadeiro efeito de juventude: harmonia entre quem você é, o que usa e o que está pronta para mostrar ao mundo hoje.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Bob comprido em camadas Comprimento suave à volta do maxilar e da clavícula, seguindo a linha da armação Emagrece visualmente o rosto e suaviza as papadas, mantendo um ar moderno e feminino
Pixie suave com franja Camadas leves, franja lateral ou suave adaptada ao formato dos óculos Abre o rosto, realça olhos e maçãs do rosto, dá um estilo enérgico e atual
Volume no topo e camadas suaves Altura na coroa, textura delicada à volta das têmporas e nas pontas Cria um efeito de elevação, equilibra os óculos e reduz a impressão de traços descaídos

FAQ:

  • Que comprimento de cabelo é mais favorecedor depois dos 70 com óculos? O comprimento médio costuma ser o mais fácil: dos lábios à clavícula. Respeita as proporções da maioria das armações, evita um efeito “cortina” pesado e deixa comprimento suficiente para suavizar o maxilar e o pescoço.
  • Cabelo muito curto pode funcionar com armações grandes? Sim, desde que o corte seja suave e com alguma textura. Um corte muito rígido e rente combinado com óculos grandes pode parecer duro. Peça camadas delicadas e algum movimento na zona da testa ou do topo.
  • Devo evitar franjas se tenho cabelo fino? Não necessariamente. Uma franja cheia e espessa pode achatar o cabelo fino, mas uma franja leve, arejada, lateral ou cortina pode até criar a ilusão de mais densidade à volta dos olhos e das armações.
  • Com que frequência devo cortar o cabelo depois dos 70? A cada 6 a 8 semanas é o ideal para cortes curtos e franjas; 8 a 10 semanas para bobs e comprimentos médios. Esse ritmo mantém as formas que complementam os óculos sem perderem estrutura ou parecerem cansadas.
  • Preciso de mudar de óculos quando mudo o corte de cabelo? Nem sempre, mas vale a pena experimentar as armações durante o corte. Se os óculos atuais lhe parecerem demasiado pesados para o novo estilo, considere armações mais finas ou ligeiramente mais claras para manter o efeito geral fresco.

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