Saltar para o conteúdo

Cortes de cabelo após os 60: esqueça estilos antigos, este corte é considerado o mais jovem por profissionais.

Mulher sorrindo sentada no cabeleireiro, com pente e produtos no balcão ao fundo.

O cabeleireiro soltou a capa com um estalido e varreu alguns fios prateados dos ombros de Marianne. Ela fitou o espelho, preparando-se para aquele familiar ar de “avó sensata” que usara durante anos.
Em vez disso, ela soltou mesmo um suspiro espantado. O pescoço parecia mais comprido. As maçãs do rosto, de repente, destacavam-se. Os olhos pareciam mais luminosos, quase travessos.

À volta, o salão vibrava com secadores e conversas baixas. Na cadeira ao lado, outra mulher, na casa dos sessenta, murmurou, meio para si: “Não sabia que ainda podia ficar assim.” A cabeleireira riu suavemente: “Sempre foi assim. Nós só o revelámos.”

Há um corte que volta sempre a aparecer nestas conversas com profissionais.
E todos dizem o mesmo: é o corte que tira anos, sem fingir que se tem 30 outra vez.

O corte que os especialistas chamam de “lifting instantâneo” depois dos 60

Pergunte a três cabeleireiros diferentes o que fica mais jovem depois dos 60 e ouvirá palavras semelhantes: movimento, suavidade, leveza à volta do rosto. Vez após vez, uma forma vence. O bob moderno, em camadas.

Não o bob rígido, tipo “capacete”, dos anos 80. Uma versão mais suave: ligeiramente em camadas, com textura delicada, muitas vezes um pouco mais comprido à frente e a roçar a linha do maxilar ou logo abaixo. Mexe-se quando anda. Apanha a luz. Não fica pousado na cabeça como uma peruca.

O que os profissionais adoram é simples: este corte enquadra o rosto, levanta os traços e não grita “estou a esforçar-me demasiado”. Apenas sussurra: “sim, ainda estou muito aqui.”

Imagine isto. Uma cliente entra num salão com cabelo comprido e pesado, puxado para trás no mesmo rabo-de-cavalo baixo que usa desde que os filhos andavam na primária. Senta-se, encolhe os ombros e diz: “Apare só as pontas, já sou demasiado velha para mudar seja o que for.”

Muitos cabeleireiros ignoram em silêncio essa última frase. Sugerem um bob à altura da clavícula, afunilado nas pontas, com um pouco de volume no topo e camadas suaves junto às maçãs do rosto. O rabo-de-cavalo desaparece; o pescoço aparece; os ombros abrem.

Duas horas depois, ela está a enviar selfies à filha. Não é que, de repente, pareça ter 25. Parece ela própria, menos dez anos de peso à volta do rosto.

Porque é que este corte funciona tão bem depois dos 60? O cabelo, naturalmente, fica mais fino com a idade, e a densidade muda, sobretudo na parte da frente. Cortes longos e direitos tendem a “puxar” os traços para baixo e a evidenciar o rarear do cabelo.

Um bob em camadas, por outro lado, retira peso e concentra volume onde importa: no topo e à volta das maçãs do rosto. O olhar é puxado para cima, em vez de para baixo e para fora. Esse pequeno truque óptico é o que os cabeleireiros querem dizer quando lhe chamam “lifting instantâneo”.

Há ainda outra razão para os profissionais o recomendarem tanto: é surpreendentemente adaptável. Ondulado, liso, com franja ou sem, ao queixo ou a tocar nos ombros - o bob moderno ajusta-se ao seu estilo de vida, e não o contrário.

Como pedir o bob mais jovem (sem arrependimentos no salão)

A forma mais eficaz de conseguir o bob certo depois dos 60 não é dizer “faça o que achar melhor”. É entrar com fotos reais de mulheres sensivelmente da sua idade, com textura de cabelo e formato de rosto semelhantes. Telemóvel na mão, sem filtros.

Explique como vive, na prática, com o seu cabelo. Faz brushing? Deixa secar ao ar na maioria dos dias? Nada? Usa óculos? Estes detalhes contam muito mais do que um vago “quero algo mais fresco”. Os melhores cortes rejuvenescidos respeitam a sua realidade.

Peça, especificamente, camadas suaves e “invisíveis”, não camadas agressivas e muito desfiadas, e algum movimento junto ao rosto. Pequenos ajustes no comprimento - milímetros, mesmo - podem transformar se o corte parece rígido ou cheio de vida.

Muitas mulheres chegam aos 60 e sentem-se divididas entre dois clichés: o muito curto, prático, ou o cabelo comprido que têm desde os vinte e tal. O bob em camadas fica naquele ponto ideal em que não se está a esconder atrás do cabelo, mas também não se está demasiado exposta.

Um aviso honesto dos profissionais: o que mais envelhece não é o cabelo grisalho; é um corte que já não combina com a sua energia. Um estilo rígido, carregado de laca, pode acrescentar anos. O mesmo acontece ao insistir numa risca ao meio e comprimentos lisos e “mortos” que achatam o rosto.

Sejamos realistas: ninguém faz um brushing perfeito todos os dias. Se um bob só fica bem depois de 45 minutos de modelação, não é o bob certo. Um bob verdadeiramente moderno mantém algum encanto mesmo quando o deixou secar enquanto respondia a e-mails.

“Depois dos 60, o objectivo não é esconder a idade”, diz a cabeleireira Clara Martin, baseada em Paris. “O objectivo é libertar o rosto. Um bom bob revela os seus traços. Não luta contra os seus anos - ilumina-os.”

  • Escolha um pouco mais comprido do que imagina
    A altura da linha do maxilar ou logo abaixo costuma ser mais favorecedora do que muito curto, sobretudo se estiver nervosa por perder comprimento.
  • Brinque com uma franja suave
    Uma franja leve, esfiapada, ou “curtain bangs” pode disfarçar linhas na testa e trazer foco para os olhos sem pesar.
  • Peça camadas internas
    Camadas discretas, escondidas dentro do corte, dão volume e movimento sem o visual “emplumado” que muitas mulheres querem evitar.
  • Mantenha algum ar nas raízes
    Um ligeiro lift na raiz ou uma escova redonda no topo impede que o penteado colapse e dá esse efeito subtil de elevação.
  • Prefira textura à perfeição
    Um acabamento ligeiramente despenteado lê-se como chique e descontraído. Demasiado polido pode cair no registo “ocasião especial” todos os dias.

Mais do que um corte: reescrever o que significa “parecer da sua idade”

Há uma revolução silenciosa a acontecer nos salões. Mulheres com mais de 60 chegam a dizer: “Faça o que é adequado para a minha idade”, e saem a dizer: “Na verdade, quero o que me faz sentir eu.” Essa mudança é maior do que uns centímetros de cabelo.

Um bob moderno torna-se muitas vezes uma linha visível na areia. Num dia, está a esconder-se atrás de camadas desactualizadas ou de um coque antigo que pertence a uma versão passada de si. No seguinte, os traços ficam emoldurados, o pescoço livre, as jóias voltam, de repente, a importar. O reflexo começa a combinar com a forma como se sente por dentro nos dias bons.

Este corte não garante confiança. Nenhum penteado consegue isso. Ainda assim, para muitas mulheres, funciona como um botão de reinício. Voltaram a usar batom, ou trocar as camisolas “só confortáveis” por uma camisa com um colarinho a sério. Não para parecerem mais novas a qualquer custo, mas para parecerem despertas. Presentes.

Já todos passámos por isso: aquele momento em que o espelho parece mostrar apenas o que desbotou, e não o que ainda arde. Um bob fresco e bem cortado não muda a sua história de vida. Simplesmente impede que o seu cabelo discuta com quem é agora - e apoia-a, em silêncio, quando entra numa sala.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Bob moderno em camadas Retira peso e cria movimento, com volume no topo e suavidade à volta do rosto Efeito visual de “lifting” e aparência mais leve e actual

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário