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Condutores que ignoram este pequeno ruído arriscam reparações graves.

Carro desportivo vermelho, estilo moderno, num showroom bem iluminado com teto branco e chão claro.

Muitas vezes, não se presta atenção ao ruído.

Aumenta-se o som do rádio, abre-se a janela, diz-se “deve passar”. Só que um tilintar junto à roda, um chiar a cada travagem ou um ronronar debaixo do capot pode evoluir para uma avaria cara - e, pior, para um problema de segurança.

O mais comum é isto começar baixo e intermitente: só a frio, só a certa velocidade, só a virar para um lado. É precisamente nessa fase que costuma ser mais barato (e simples) resolver.

Esse ruído “menor” que continua a ignorar não é assim tão menor

Um som novo raramente é “do nada”. Em geral é um de três sinais: fricção anormal, folga ou algo a rodar desalinhado. E muitos componentes “avisam” antes de falharem por completo.

Alguns exemplos típicos (e o que costuma estar em jogo):

  • Travões a chiar/assobiar: muitas pastilhas têm indicador de desgaste que faz barulho antes do metal raspar. Se passar a “raspagem” metálica, o disco pode ficar marcado e a travagem piora (sobretudo em travagens longas).
  • Zumbido grave que cresce com a velocidade: muitas vezes é rolamento de roda. Pode parecer pneu, mas tende a mudar em curva (quando carrega mais um lado). Ignorar pode aquecer o cubo, afetar o ABS e, em casos extremos, levar a falha progressiva da roda.
  • Correia de acessórios a chiar: pode ser tensão errada, polia/rolamento cansado ou correia gasta. Se partir, pode perder alternador e, em muitos carros, a bomba de água - a temperatura pode subir depressa. (Não confundir com correia de distribuição, que é outro assunto.)
  • Clac-clac ao virar: frequentemente junta homocinética (cardan) com fole rasgado e massa a sair. No início, às vezes resolve-se com fole/limpeza; esperar pode acabar em transmissão completa e danos por impacto repetido.
  • Batidas em lombas/estradas más: bieletas, casquilhos (silentblocks) ou amortecedores. Além do desconforto, pode acelerar desgaste de pneus e comprometer estabilidade.

Erros comuns que encarecem tudo: - “Se não vibra, não é grave.” Muitos problemas começam só no som. - Esperar meses porque “sempre fez isto”. O ouvido habitua-se e o desgaste não para. - Tentar “resolver” com sprays: WD‑40 nos travões, por exemplo, é má ideia (contamina pastilhas/discos e pode reduzir a travagem).

Regra prática: ruído ligado a travagem, direção ou roda é prioridade alta (segurança). Ruído ligado a motor/temperatura também.

Como “ouvir” o seu carro sem ser mecânico

Uma vez por mês, faça um mini “check de ruídos” (5–10 minutos), sem música e com vidros fechados, numa estrada que conheça:

1) Varia a velocidade (30 → 50 → 80 km/h, se for seguro).
2) Testa situações: travagem leve e mais firme; curva suave à esquerda/direita; passa devagar numa lomba.
3) Localiza: vem da frente/trás? esquerdo/direito? aparece com motor a puxar ou em desaceleração?

Para ajudar o diagnóstico (e poupar tempo na oficina), anote no telemóvel: - velocidade aproximada e, se conseguir, rotações (ex.: “aos 2 000 rpm”) - se acontece a frio, com chuva, em paralelo/estrada rugosa, em travagem, em curva - se muda quando carrega o carro (passageiros/malas)

Uma gravação rápida de áudio/vídeo no momento certo vale muito mais do que “faz um barulho”. Ruído repetível é ruído tratável.

Quando não adiar (mesmo): - raspagem metálica ao travar - ruído + volante pesado, direção “a prender” ou estalos fortes ao virar - cheiro a queimado, fumo, ou temperatura a subir (pare em segurança e desligue; não “vá só até casa”) - ruído que piora de um dia para o outro

Nota útil em Portugal: a IPO apanha muita coisa, mas é um retrato do momento. Uma folga ou rolamento pode começar a dar sinal semanas depois. Se o ruído é persistente, marque verificação fora do calendário da inspeção/revisão.

“Muita gente diz ‘faz isto há algum tempo’. E eu vejo peças gastas até ao fim. O ruído era a janela para resolver cedo”, dizia-me um mecânico com 20 anos de oficina.

Para tornar isto simples:

  • Um ruído que piora rapidamente de um dia para o outro = marcar oficina sem demora.
  • Um ruído ligado à travagem ou à direcção = prioridade alta, pela sua segurança.
  • Um ruído estável há meses mas incómodo = pedir verificação na próxima revisão.

O hábito silencioso que salva motores, travões e carteiras

A diferença entre uma manutenção “normal” e uma fatura grande costuma ser tempo. Resolver na fase do ruído (pastilhas, rolamento, fole, correia) é, muitas vezes, trocar uma peça antes de estragar outras.

Também ajuda separar “barulho chato” de “barulho de risco”: - Plásticos a vibrar, moedas no porta-luvas ou algo solto na mala: irritante, mas geralmente sem urgência. - Tudo o que envolve travões, direção, rodas, temperatura do motor: trate como prioridade.

E um detalhe que evita o clássico “reboque + dia perdido”: se o ruído for novo e claro, não espere por luzes no painel. Muitas avarias mecânicas graves acontecem sem aviso eletrónico - o aviso foi o som.

Ponto-chave Detalhes Porque é importante para os leitores
Guincho agudo ao travar Muitas vezes indica pastilhas no limite (indicador de desgaste) ou pastilhas/discos “vidrados”. Costuma surgir em baixa velocidade e travagens leves. Trocar pastilhas a tempo costuma ser simples; esperar pela raspagem metálica pode obrigar a discos e aumentar a distância de travagem.
Zumbido grave que aumenta com a velocidade Sinal típico de rolamento de roda a falhar. Pode mudar em curvas longas (carregar um lado). Ignorar pode aquecer e danificar cubo/sensor ABS e transformar um problema “resolúvel” num risco e numa despesa maior.
Cliques rítmicos ao virar Frequente em junta homocinética (CV) ou fole rasgado com perda de massa. Mais evidente a baixa velocidade, com direção muito rodada. Trocar fole/junta cedo é mais controlado; deixar evoluir pode imobilizar o carro e causar danos por impactos repetidos.

FAQ

  • Todo o ruído novo do meu carro é sinal de um problema grave? Nem sempre. Pode ser algo solto no habitáculo, chapa de proteção a vibrar, ou ruído de pneus em certo piso. Sinais de alerta: aparece de repente, piora rápido, ou está ligado a travagem, direção, rodas ou rotação do motor.
  • Quanto tempo posso conduzir em segurança com um pequeno chiar ou trepidação? Não há um número universal. Como regra, ruído novo e repetível deve ser visto em dias/semanas, não “quando der”. Se for metálico ao travar, ou se vier com cheiro a queimado/temperatura a subir, é urgente.
  • Posso diagnosticar ruídos do carro com apps ou ferramentas online? Podem ajudar a descrever sintomas, mas não substituem inspeção. Sons parecidos podem ter causas muito diferentes. Use como guia para comunicar melhor com a oficina.
  • O meu carro passou na inspecção mas continua a fazer um ruído. Devo preocupar-me? A IPO avalia naquele dia. Um rolamento, apoio de motor ou casquilho pode degradar-se depois. Se o ruído persiste ou evolui, marque verificação.
  • Vale a pena ir à oficina se o ruído só aparece de vez em quando? Sim. Intermitentes são mais difíceis, mas dá para ajudar: anote condições (a frio, após chuva, só em autoestrada, ao virar) e grave o som. Isso aumenta muito a probabilidade de resolver antes de ficar permanente - e caro.

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