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Como escolher o fogão a lenha certo? Eis cinco pontos a considerar antes de comprar.

Pessoa a escrever enquanto lenha queima numa lareira moderna, com madeira e ferramentas na mesa ao lado.

A primeira vaga de frio costuma expor duas coisas: o conforto real da casa e o peso da fatura da energia. Um recuperador/fogão a lenha pode ser uma ótima resposta - mas só se for bem dimensionado e bem instalado. Caso contrário, aquece “demais e mal”, suja, fuma e dá dores de cabeça.

Abaixo tens os pontos que mais influenciam conforto, consumo e segurança.

1. Potência: a armadilha do “quanto maior, melhor”

Sobredimensionar é o erro mais comum. Um recuperador demasiado potente aquece a divisão depressa demais, obriga-te a “estrangular” o ar para não sobreaquecer e acaba a trabalhar em combustão fraca: mais fumo, vidro preto, mais creosoto na chaminé e menos rendimento.

Uma regra prática para começar (ordem de grandeza):

  • Casa razoavelmente isolada: 60–80 W/m²
  • Casa antiga/pouco isolada: ~100 W/m² (às vezes mais em zonas muito expostas)

Exemplo rápido: 50 m² × 80 W/m² ≈ 4 kW.
Depois ajusta com base em fatores que mudam muito o resultado: pé-direito (volume), janelas grandes, porta frequentemente aberta para outras divisões, humidade/vento e se queres aquecer a casa toda ou só a sala.

Regra de ouro: é preferível um aparelho que trabalhe “alegre” (boa chama, bom ar) do que um “monstro” sempre no mínimo.

2. Tipo de recuperador: ambiente, aquecimento principal ou apoio?

Antes de marcas e design, define a função:

  • Ambiente / uso ocasional: queres chama bonita e calor rápido, sem obrigação diária.
  • Aquecimento principal: precisas de regularidade, autonomia e eficiência no uso real.
  • Apoio (com outro sistema): queres aliviar o consumo elétrico/gás nos picos de frio.

Diferenças práticas que contam:

  • Aço (mais leve): aquece rápido e arrefece rápido - bom para “cheguei a casa e quero calor já”.
  • Ferro fundido / pedra (mais massa): aquece mais devagar, mas mantém calor mais tempo - bom para conforto estável.
  • Pellets: mais controlo (termostato/programação) e menos trabalho diário, mas depende de eletricidade, tem ruído (ventoinhas/alimentação) e pede manutenção consistente.

Pergunta honesta: vais mesmo alimentar lenha e gerir a chama em dias úteis, ou queres carregar num botão e ter temperatura estável?

3. Instalação e segurança: a parte aborrecida que te poupa dores de cabeça

Aqui não há atalhos: a maioria dos problemas (fumo na sala, má tiragem, consumos altos, riscos) nasce na conduta, na entrada de ar e nos afastamentos.

Pontos que valem mesmo a pena confirmar com um profissional:

  • Conduta compatível com o aparelho (diâmetro/altura/isolamento). Uma conduta “fria” e mal isolada tende a piorar a tiragem e a sujar mais.
  • Ar de combustão: em casas mais estanques (caixilharia moderna), muitas vezes é preciso entrada de ar dedicada para o recuperador não “roubar” ar à casa.
  • Distâncias a combustíveis (paredes, móveis, cortinas) e proteção do pavimento. O avanço da base à frente da porta varia por modelo - segue o manual.
  • Detetor de monóxido de carbono (CO): barato e muito recomendável perto da zona de estar/quartos (não substitui boa instalação, mas ajuda a detetar problemas cedo).
  • Manutenção e seguro: instalação por técnico e manutenção documentada costumam evitar discussões em caso de sinistro.

Uma boa pergunta antes de comprar: “Onde é que ele vai buscar ar e para onde é que vai o fumo?” Se a resposta for vaga, pára e redesenha o plano.

  • Verifica que a conduta de fumos é certificada e compatível com o modelo do teu recuperador.
  • Respeita os afastamentos recomendados a materiais combustíveis (paredes, móveis, cortinas).
  • Usa uma base/placa de proteção incombustível, com avanço adequado à frente da porta.
  • Planeia um percurso seguro para arrumação de lenha e circulação diária à volta do recuperador.
  • Garante que a instalação é validada e mantida por um profissional qualificado.

4. Orçamento, combustível e custos reais de utilização

O preço do aparelho é só uma parte. Em muitos casos, conduta + instalação + acabamentos aproximam-se (ou ultrapassam) o custo do recuperador - e é aí que não compensa “poupar à força”.

Para comparar custos reais, olha para três coisas:

  • Rendimento e uso a carga “normal” (não só o valor no folheto): um recuperador que funciona bem sem ser estrangulado consome menos e suja menos.
  • Combustível disponível e logística:
    • Lenha: precisa de espaço seco e tempo (idealmente bem seca, <20% de humidade; lenha verde dá menos calor e faz mais alcatrão/creosoto).
    • Pellets: arrumação simples e controlo, mas compras regulares em sacos e dependência de eletricidade.
  • Realidade do dia a dia: quem vai carregar, limpar cinzas, armazenar, e com que frequência.

Um detalhe que muda tudo: madeira seca e boa chama costumam dar mais calor útil com menos lenha do que “pouca chama” com o ar fechado.

5. Design, conforto e a vida quotidiana com uma chama

Depois da técnica, o que decide se ficas satisfeito é a utilização diária:

  • Difusão de calor: radiação (conforto “direto”) vs convecção (aquecimento do ar). Muitos modelos combinam os dois.
  • Vidro e “airwash”: vidro grande é ótimo, mas só compensa se o sistema de lavagem de vidro e a combustão forem bons (senão é limpeza constante).
  • Ruído: relevante sobretudo em pellets (ventoinhas). Se possível, ouve um modelo a trabalhar antes de decidir.
  • Ergonomia: gaveta de cinzas, acesso para limpeza, pega que não aquece, porta que abre sem atrapalhar a circulação.

O melhor design é o que encaixa na tua sala como ela é: onde as pessoas se sentam, por onde passam, e onde o calor é realmente sentido.

6. Pensar a longo prazo: um recuperador que envelhece contigo

Um recuperador bom é o que continua “fácil” daqui a 3–5 anos:

  • Peças e assistência: verifica se há assistência em Portugal e disponibilidade de consumíveis (vedantes, vidro, ventiladores, sondas no caso de pellets).
  • Uso em meia-estação: um aparelho demasiado potente é particularmente chato na primavera/outono (ou aquece demais, ou funciona mal no mínimo).
  • Rotina mínima realista: cinzas, vidro, inspeção de vedações e limpeza da chaminé normalmente 1–2 vezes/ano (depende do uso e da qualidade da lenha).

No fim, a escolha certa costuma ser a que respeita o teu ritmo: menos “ideal de catálogo”, mais conforto consistente com pouco esforço.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Dimensionamento correto da potência Adaptado à área, isolamento e uso (apoio vs aquecimento principal) Evita sobreaquecimento, poupa lenha e melhora o conforto
Instalação profissional Conduta conforme, distâncias de segurança, entrada adequada de ar novo Reduz risco, melhora o desempenho, protege a cobertura do seguro
Adequação ao uso real Escolha entre lenha/pellets, tipo de recuperador e design Garante um recuperador realmente usado e apreciado no dia a dia

FAQ:

  • Como sei que potência de recuperador a lenha preciso? Começa por uma estimativa (60–80 W/m² em casas isoladas; ~100 W/m² em casas antigas) e ajusta com um profissional pelo volume (pé-direito), isolamento, exposição e uso real da divisão.
  • Posso instalar um recuperador a lenha eu mesmo? É possível fisicamente, mas é arriscado em segurança e pode criar problemas com seguro e conformidade. Um técnico avalia conduta, ar de combustão e afastamentos - onde acontecem quase todos os erros.
  • Os recuperadores a pellets são mesmo mais ruidosos do que os de lenha? Muitas vezes sim, por ventoinhas e alimentação automática. Há modelos mais silenciosos; vale a pena ouvir a funcionar e confirmar modos “noite”.
  • Um recuperador certificado, de alto rendimento, vale o custo extra? Em muitos casos, sim: tende a consumir menos, sujar menos e ser mais estável no uso diário - desde que seja bem dimensionado e instalado.
  • Que manutenção exige um recuperador a lenha? Retirar cinzas, limpar vidro quando necessário, verificar vedações e fazer limpeza/inspeção da chaminé normalmente 1–2 vezes por ano (conforme uso e lenha).

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