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Como branquear em segurança dentes amarelados pela idade, segundo especialistas em odontologia.

Mulher idosa em casa de banho aplica produto num tabuleiro de plástico sobre lava-loiça branco.

A luz da casa de banho nunca é simpática às 7 da manhã. Inclina-se para o espelho com hálito de café, semicerrra os olhos e é aí que volta a reparar: a cor. O seu sorriso já não é propriamente “branco”, é mais um bege suave, como um filtro que ninguém pediu. Passa o dedo por um dente da frente, como se algo pudesse sair. Não sai nada.

Pesquisa no Google “branqueamento dentário depois dos 50” e leva de imediato com tiras, canetas, luzes azuis, pós e receitas com bicarbonato de sódio e metade da despensa. A voz do seu dentista ecoa ao fundo, a avisar sobre o esmalte, mas as fotografias de antes/depois estão ali, a brilhar.

Pergunta-se: haverá forma de recuar o relógio sem estragar o que ainda resta?

Porque é que os dentes ficam amarelos com a idade (e o que ainda dá para melhorar)

Basta estar numa fila de café para ver: bocas mais jovens a mostrar um branco frio, azulado; sorrisos mais velhos a puxar para creme, marfim, até com um toque de cinzento. A idade não nos dá só rugas e óculos de leitura. Reescreve lentamente a cor dos nossos dentes.

Os dentistas dizem que estão a acontecer duas coisas ao mesmo tempo. O esmalte, a camada exterior, vai afinando - como uma T‑shirt lavada demasiadas vezes. Por baixo, a dentina, naturalmente mais amarela, vai ficando mais espessa. Por isso, mesmo que nunca tocasse em café ou vinho tinto, os seus dentes provavelmente escureceriam com o tempo.

A boa notícia é que este “amarelo de idade” não é um destino gravado na pedra.

Veja-se o caso da Margarida, 63 anos, que finalmente marcou uma consulta de branqueamento depois de evitar fotografias de perto com os netos. Já tinha experimentado todas as pastas branqueadoras do supermercado e um conjunto de tiras baratas que lhe deixaram os dentes a latejar durante dias. A cor mal se mexeu.

No consultório, uma escala de cor mostrou que ela tinha passado de um A1 luminoso nos 30 para um A3.5 mais apagado. Sem cáries. Sem grandes problemas gengivais. Apenas idade, chá e uma vida de molhos de tomate. Com um plano de branqueamento supervisionado, subiu duas tonalidades em três semanas e, mais importante, deixou de sentir que os dentes estavam em chamas sempre que bebia água.

Esse sorriso calmo e confiante no “depois” tem menos a ver com vaidade e mais com reconhecimento: “Ah, aqui estou eu.”

A razão pela qual os dentes mais velhos reagem de forma diferente ao branqueamento tem a ver com estrutura e sensibilidade. À medida que o esmalte afina, os nervos ficam mais perto da superfície. Agentes branqueadores como o peróxido de hidrogénio e o peróxido de carbamida podem atravessar micro-poros do esmalte e irritar o interior do dente. Dentes jovens recuperam depressa. Dentes maduros protestam.

Assim, o mesmo kit de venda livre que foi “tranquilo” aos 28 pode ser agressivo demais aos 58. Além disso, as manchas mudam com a idade. Manchas superficiais de café e tabaco respondem bem a uma limpeza/polimento e a um branqueamento suave. Alterações internas e profundas de cor precisam de tratamentos mais lentos, com doses mais baixas, ou de uma abordagem diferente - como facetas - se o esmalte estiver muito desgastado.

É aqui que a orientação de um profissional evita que ande a adivinhar diante da prateleira da farmácia.

Métodos de branqueamento seguros em que os dentistas realmente confiam para dentes envelhecidos

Pergunte a três dentistas sobre branqueamento em dentes mais velhos e vai ouvir o mesmo primeiro passo: uma limpeza e um exame adequados. Não é glamoroso, mas é crucial. A placa e o tártaro funcionam como um impermeável sobre o esmalte, bloqueando o gel branqueador. Inflamação gengival pode transformar uma sessão ligeira numa semana de arrependimento a latejar.

Quando a boca está em condições aceitáveis, a via mais segura para a maioria das pessoas com mais de 40 anos são goteiras (moldes) personalizados com um gel de menor concentração prescrito pelo dentista. Usa-se por períodos curtos ao longo de vários dias ou semanas. O progresso parece lento, mas a mudança de cor tende a ser mais uniforme, sobretudo junto à linha da gengiva, onde a retração relacionada com a idade expõe superfícies radiculares mais escuras.

Pense numa maratona suave, não num sprint.

O que tropeça muita gente é a impaciência. Experimentam uma pasta branqueadora, não veem mudança dramática numa semana e depois “empilham” tiras, um gadget de “luz azul” comprado num anúncio e, para completar, uma ronda de bicarbonato. A sensibilidade dispara. As gengivas ardem. E a cor continua irregular.

Todos já passámos por aquele momento em que acrescentamos mais um produto a pensar: “Não pode fazer mal.” Em dentes envelhecidos, pode mesmo. O esmalte não volta a crescer. Uma vez erodido ou riscado, o dano é permanente. Truques caseiros nunca foram pensados para uma boca de 65 anos que já atravessou décadas de ácido, escovagem e microfissuras.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, religiosamente.

“Num sorriso mais velho, o meu objetivo não é branco Hollywood”, explica a Dra. Lisa Nguyen, dentista de reabilitação que trata muitos doentes com mais de 50 anos. “O meu objetivo é uma tonalidade saudável e natural, que não grite ‘descolorado’ e que não empurre dentes já frágeis para o limite. Devagar e com supervisão ganha sempre a rápido e ‘frito’.”

  • Fale primeiro com o seu dentista
    Trate cáries, avalie gengivas e sensibilidade antes de qualquer branqueamento. Isto reduz riscos e ajuda a escolher o método certo.
  • Escolha produtos suaves e comprovados
    Procure géis com 10–16% de peróxido de carbamida, ou fórmulas equivalentes de baixa dose recomendadas para dentes sensíveis ou envelhecidos.
  • Respeite os limites de tempo
    Deixar as goteiras ou tiras mais tempo não vai “duplicar” os resultados. Normalmente só duplica a sensibilidade.
  • Faça pausa se aparecer dor
    Choques agudos, dor persistente ou gengivas irritadas são sinal para parar e pedir orientação profissional - não para “aguentar”.
  • Pense em luminosidade, não em branco ofuscante
    Uma tonalidade ligeiramente mais quente e uniforme costuma ficar mais natural e favorecedora em peles maduras do que um branco frio e demasiado intenso.

Para lá do espelho: aceitar, iluminar e assumir um sorriso envelhecido

Quando começa a olhar a sério para os seus dentes, é difícil deixar de ver as mudanças. Pequenas lascas nas pontas. Uma fissura fina perto daquela restauração antiga. Linhas gengivais a subir nos cantos. O branqueamento pode melhorar a cor, mas não consegue voltar atrás no relógio de tudo o que uma boca atravessa. Isso não é falha do produto. É biologia.

Algumas pessoas descobrem que o seu “ponto ideal” é ficar duas tonalidades mais claras, apoiadas por limpezas regulares, uma pasta branqueadora suave e uma trégua consciente com bebidas escuras. Outras percebem que o esmalte é demasiado fino e o dentista encaminha para restauração estética (bonding) ou facetas nos dentes que mais incomodam. Nenhuma escolha é mais “certa”. São apenas formas diferentes de cuidar de um rosto que conquistou as suas linhas e o seu sorriso.

Há também um alívio silencioso em perceber que o objetivo não é perfeição, mas coerência. Um sorriso branquíssimo, quase a ofuscar, num rosto com história pode parecer estranhamente duro - como se a luminosidade tivesse sido colada por cima. Uma cor subtilmente mais luminosa, ainda natural, tende a combinar melhor com a mudança do tom de pele, lábios e até do cabelo.

Envelhecer não lhe retira o direito de querer ficar bem nas fotografias ou de se sentir confiante ao rir de boca aberta. Apenas muda as regras do jogo. Essas regras incluem check-ups regulares, prazos realistas e ouvir os seus nervos quando começam a reclamar. O trabalho do dentista não é vender-lhe o gel mais forte; é proteger o único conjunto de dentes definitivos que alguma vez terá.

A conversa sobre branqueamento muitas vezes salta a parte em que perguntamos por que razão queremos mais uma tonalidade de branco. É nostalgia de quem éramos aos 30? Pressão de sorrisos impecáveis de influencers? Ou apenas a vontade de ver uma versão mais luminosa e menos cansada de nós próprios ao espelho? Nenhuma dessas respostas está errada. Mas todas importam.

Alguns leitores vão marcar uma consulta, curiosos sobre o que é possível com segurança. Outros vão pousar os kits caseiros agressivos e concentrar-se na saúde gengival, na limpeza e numa aceitação mais suave. A mudança mais poderosa pode ser esta: tratar os seus dentes envelhecidos menos como um problema a corrigir e mais como uma história que está a editar com cuidado - uma escolha consciente de cada vez.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Compreender o amarelecimento relacionado com a idade O esmalte afina, a dentina engrossa e as manchas acumulam-se ao longo de décadas Ajuda a definir expectativas realistas e a evitar soluções agressivas e com promessas exageradas
Priorizar orientação profissional Exame dentário, limpeza e planos personalizados com géis de baixa dose Reduz o risco de sensibilidade e danos, melhorando os resultados
Optar por branqueamento suave e gradual Sessões curtas e repetidas com produtos comprovados e pausas programadas Preserva o esmalte e favorece uma tonalidade natural e harmoniosa em sorrisos maduros

FAQ:

  • Pergunta 1 Posso ainda branquear os dentes com segurança depois dos 60?
  • Resposta 1 Sim. Muitas pessoas na casa dos 60 e 70 branqueiam os dentes com segurança, mas normalmente precisam de produtos mais suaves, tempos de utilização mais curtos e supervisão do dentista, sobretudo se tiverem retração gengival, restaurações antigas ou sensibilidade.
  • Pergunta 2 As pastas branqueadoras funcionam mesmo no amarelecimento da idade?
  • Resposta 2 As pastas branqueadoras removem sobretudo manchas superficiais com abrasivos suaves; podem refrescar e iluminar ligeiramente, mas não mudam de forma dramática a cor mais profunda baseada na dentina que surge com a idade.
  • Pergunta 3 Os kits de branqueamento LED para usar em casa são seguros para dentes mais velhos?
  • Resposta 3 Alguns são seguros quando usados exatamente como indicado, mas a luz LED muitas vezes acrescenta mais marketing do que benefício; o efeito principal vem do gel, por isso é mais prudente discutir marcas e concentrações com o seu dentista primeiro.
  • Pergunta 4 E se os meus dentes forem sensíveis demais para branqueamento?
  • Resposta 4 O seu dentista pode recomendar tratamentos dessensibilizantes, mudar para géis de concentração muito baixa, aumentar as pausas entre sessões ou explorar opções sem branqueamento, como restauração estética (bonding) ou facetas nos dentes mais visíveis.
  • Pergunta 5 Quanto tempo duram os resultados num sorriso envelhecido?
  • Resposta 5 Com boa higiene oral e consumo moderado de alimentos e bebidas que mancham, muitas pessoas mantêm resultados visíveis por 1–3 anos, fazendo retoques ocasionais com sessões curtas e supervisionadas em casa.

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