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Cientistas dizem que pessoas que andam mais rápido que a média tendem a ser mais inteligentes e bem-sucedidas do que as que andam devagar.

Mulher corre na passadeira urbana com copo de café e caderno na mão, árvores ao fundo.

Reparas neles no passeio, sem saberes bem porquê. A mulher de sapatilhas a cortar pela multidão, a mala bem encostada ao lado, os olhos já no próximo semáforo. O tipo com a mochila do portátil, a serpentear por entre quem anda mais devagar como se estivesse parado. Os passos são mais rápidos, o corpo ligeiramente inclinado para a frente, os auscultadores num podcast a 1,5x.

À volta deles, as pessoas passeiam sem pressa, fazem scroll, hesitam nas passadeiras.

Cientistas do comportamento têm observado em silêncio este bailado do dia a dia. E a conclusão é inquietante.
Alguns de nós estão, literalmente, a caminhar em direção a salários mais altos e cérebros mais afiados.

Porque é que a tua velocidade a andar diz mais sobre ti do que pensas

Gostamos de acreditar que a nossa personalidade se revela nas palavras, no trabalho, na roupa. No entanto, um dos sinais mais reveladores está escondido em algo que quase nunca questionamos: quão depressa andamos na rua.

Investigadores acompanharam pessoas em cidades, centros comerciais e até corredores de hospitais. E, repetidamente, surge o mesmo padrão. Quem, por natureza, anda mais depressa tende a ter objetivos mais ambiciosos, rendimentos mais elevados e melhores pontuações em testes cognitivos.

Não se trata de “power walking” ao estilo de um influencer de fitness. Trata-se daquela urgência silenciosa e automática que leva alguém a atravessar a rua mesmo antes de o sinal mudar.

Um estudo famoso da Duke University acompanhou mais de 900 pessoas desde a infância até aos 40 e tal anos. Entre as descobertas surpreendentes: os adultos que andavam mais depressa aos 45 anos tendiam a ter cérebros mais “jovens” e melhores resultados em testes de memória do que pessoas da mesma idade que andavam devagar. Até os seus rostos pareciam biologicamente mais jovens a observadores independentes.

Outras investigações ligaram a velocidade a andar a resultados de carreira. Nas grandes cidades, o ritmo dos peões muitas vezes espelha o ritmo da vida empresarial. Quanto maior a velocidade média a andar num distrito financeiro, mais forte tende a ser a atividade económica local.

Uma diretora de RH com quem falei riu-se e disse que quase consegue adivinhar o nível de energia de um candidato só de o ver atravessar o átrio. Ela insiste que não contrata apenas com base nisso. Mas repara.

Os psicólogos dizem que a velocidade a andar é como uma impressão digital comportamental. Quem anda depressa costuma planear com antecedência, detesta perder tempo e ensaia mentalmente o próximo passo antes de terminar o atual. O corpo apenas acompanha a mente.

Quem anda devagar não é “inferior”. Alguns são mais reflexivos, artísticos ou simplesmente estão fisicamente cansados. Ainda assim, em média, os estudos indicam que quem anda mais depressa tem melhores resultados em testes de velocidade de processamento e funções executivas. O cérebro lida com a informação mais rapidamente e muda de tarefa com mais eficiência.

Os teus pés, sem te perguntarem, revelam a urgência com que a tua mente se move pelo mundo.

Dá para “treinar” para andar como pessoas bem-sucedidas?

Podes mudar a tua forma de andar amanhã de manhã. Não para fingires ser outra pessoa, mas para dares um pequeno empurrão ao teu cérebro para um ritmo diferente. Começa com uma experiência simples: na próxima semana, escolhe um percurso diário - trabalho, metro, levar as crianças à escola - e faz esse percurso 15% mais depressa.

Normalmente, isso significa cortar 2–3 minutos a uma caminhada de 15 minutos. Balança mais os braços, levanta o olhar e inclina-te ligeiramente para a frente, como se o teu corpo fosse “puxado” para um destino.

Repara como os pensamentos acompanham. Muitas pessoas dizem que, quando os pés aceleram, a mente deixa de divagar e começa a planear.

Há uma armadilha aqui. Algumas pessoas leem estes estudos e, de repente, sentem culpa por cada passeio lento. Não é esse o objetivo. Todos já passámos por isso: aqueles momentos em que a vida pesa e ir até à mercearia da esquina parece uma maratona.

Pensa na velocidade a andar como um botão, não como um julgamento. Em dias de pouca energia, aceita um ritmo mais lento. Em dias neutros, empurra-te suavemente para aquele passo ligeiramente vivo que diz: “Vou a algum lado.” Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar.

A ideia não é a perfeição. É a consciência. Quando reparas na tua velocidade “por defeito”, podes decidir quando deixá-la refletir a tua intenção - e quando a deixar abrandar.

A cientista do comportamento Dra. Kate Lajous resume assim: “Anda como se o teu tempo tivesse valor. O teu cérebro ouve a forma como o teu corpo se move. Quando te mexes com propósito, os teus pensamentos alinham-se lentamente por trás desse propósito.”

  • Mini-hábito 1: “Passo de reunião”
    Antes de uma chamada ou reunião importante, faz um circuito de 5 minutos a um ritmo que fique um pouco aquém de “quase a correr”. Deixa o corpo definir um tom decidido.

  • Mini-hábito 2: “Percurso sem scroll”
    Numa parte do teu trajeto diário - plataforma do comboio, parque de estacionamento, último quarteirão - mantém o telemóvel no bolso e anda com atenção total e passo firme.

  • Mini-hábito 3: “Volta de transição”
    Quando sais do trabalho ou fechas o portátil, faz uma caminhada curta e rápida, mesmo que seja dentro de casa. Usa-a para mudares mentalmente do “modo produção” para a tua vida pessoal.

O que o teu ritmo de vida revela - e o que queres que ele diga

Quando começas a reparar nas velocidades a andar, a cidade inteira fica diferente. O casal a discutir lentamente junto à montra. O adolescente a vaguear em ziguezague, olhos no telemóvel. A enfermeira a atravessar a rua a correr no intervalo, claramente a viver num dia comprimido.

O teu próprio ritmo torna-se uma pergunta silenciosa. Estás a arrastar-te pelo percurso, meio adormecido no corpo, ou a atravessá-lo com direção clara? Quem anda depressa não é magicamente superior; está apenas mais alinhado com um sentido mais nítido do “a seguir”.

Podes perceber que, nos dias em que te sentes perdido, os passos ficam pesados. Nos dias em que tens um projeto que te entusiasma, os pés quase se esquecem de perder tempo. Essa pequena diferença, repetida ao longo de anos, transforma-se num estilo de vida.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A velocidade a andar espelha a mentalidade Em estudos, quem anda depressa tende a mostrar mais ambição, foco e rapidez cognitiva Ajuda-te a ler o teu próprio comportamento e a ajustar a intenção do dia a dia
Pequenas mudanças alteram o cérebro Andar 10–20% mais depressa em percursos habituais pode orientar a atenção e a produtividade Oferece uma forma simples e sem custos de “preparar” o cérebro para pensar com mais clareza
A consciência vence a perfeição Usar o ritmo como um botão - não como um julgamento - mantém espaço para descanso e recuperação Permite beneficiar da ciência sem a transformar em pressão ou culpa

FAQ:

  • Andar mais depressa é sempre melhor para o sucesso?
    Não. A velocidade a andar é um sinal útil, não uma receita mágica. Muitas pessoas bem-sucedidas andam devagar quando estão a pensar profundamente ou a proteger a sua energia. O essencial é ter um “ritmo com propósito” disponível quando precisares dele.

  • E as pessoas com problemas de saúde ou incapacidades?
    Estes estudos olham para médias em populações saudáveis. Se tens limitações de mobilidade, o teu “rápido” é relativo a ti. A ideia de base mantém-se: mexe-te com intenção dentro do teu alcance físico.

  • Posso mesmo mudar a minha mentalidade só por andar mais depressa?
    Não vais tornar-te CEO de um dia para o outro. Ainda assim, corpo e mente influenciam-se constantemente. Uma caminhada um pouco mais viva pode aumentar o estado de alerta, afiar o foco e treinar suavemente o cérebro a pensar no que vem a seguir.

  • Isto significa que quem anda devagar é menos inteligente?
    Não. A inteligência é complexa. A investigação mostra correlações entre andar mais depressa e certas competências cognitivas, mas há muitas pessoas brilhantes que passeiam devagar. O padrão fala de tendências, não de destino.

  • Quão depressa devo andar para ter benefícios?
    Muitos estudos usam cerca de 1,2–1,4 metros por segundo como ritmo “vivo”, mas contar metros não é realista no dia a dia. Aponta para um ritmo em que consigas falar em frases curtas, mas não queiras manter uma conversa longa. Normalmente, isso basta.

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