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China bate recorde mundial com “Cérebro Mundial” de 2.000 km, a maior rede distribuída do planeta.

Técnico em colete refletor usa tablet para verificar conexões numa área com torres de comunicação ao fundo.

Depois de mais de uma década de construção discreta, Pequim ligou uma grelha de computação com 2.000 km de extensão que interliga dezenas de cidades numa única máquina coordenada, prometendo transformar a forma como a inteligência artificial é treinada e utilizada.

Um “cérebro mundial” de 2.000 km escondido à vista de todos

O projecto tem um nome sóbrio: Future Network Test Facility, ou FNTF. A escala, essa, está longe de ser sóbria.

Quarenta cidades, incluindo Pequim, Nanjing, Chengdu e Urumqi, estão agora unidas por uma espinha dorsal óptica dedicada. Essa rede de fibra estende-se por mais de 55.000 quilómetros - aproximadamente uma volta e meia ao equador da Terra.

Em vez de funcionarem como centros de dados separados ligados através da Internet pública, estes locais actuam como um supercomputador unificado. Os engenheiros chineses falam em lóbulos de um único cérebro, com cada cidade a tratar de parte do pensamento, todas a disparar em sincronia.

A FNTF liga 40 cidades ao longo de 2.000 km e afirma atingir até 98% da eficiência de um único mega centro de dados, mas distribuída por um país inteiro.

Este projecto está em desenvolvimento desde 2013, no âmbito da estratégia tecnológica de longo prazo da China. Só agora, no final de 2025, é que Pequim o apresenta abertamente como um activo operacional, e não como uma caixa de areia de investigação.

Como a rede funciona na prática

A FNTF foi concebida para se comportar como uma única máquina, e não como um aglomerado confuso de locais a lutar contra latência e estrangulamentos.

Em toda a rede, o sistema pode executar até 4.096 experiências em paralelo e alojar até 128 redes lógicas diferentes em simultâneo. Cada uma dessas redes pode ser dedicada a um cliente ou a um projecto específico de investigação, com o tráfego segmentado de modo a que as cargas de trabalho não interfiram entre si.

A promessa-chave está no tempo. As redes tradicionais de longa distância sofrem de jitter: os pacotes chegam atrasados ou fora de sequência. A FNTF foi concebida para transmissão “determinística”. Em linguagem simples, cada comando é entregue num momento precisamente agendado.

Numa rede determinística, os engenheiros sabem não apenas que um pacote vai chegar, mas exactamente quando vai chegar - até a fracções de um milissegundo.

Essa garantia temporal é importante para três utilizações emblemáticas:

  • Treino de IA: actualizações sincronizadas de modelos enormes distribuídos por muitos servidores
  • Telemedicina:

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