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Cabelos longos após os 60: profissionais dizem que insistir neste estilo pode envelhecer e dar um ar desatualizado.

Mulher num salão de cabeleireiro, com cabelo castanho, a ser penteada por um profissional.

A primeira coisa que reparei não foi a idade dela.
Foi a cortina de cabelo. Pesada, até à cintura, tingida de um castanho uniforme e chapado - de um tom que já quase não existe na natureza. Estava sentada na cadeira do salão, à minha frente, a percorrer o telemóvel, enquanto a cabeleireira lhe torcia as pontas desbotadas entre dois dedos, com aquele meio-sorriso profissional que diz: “Como é que lhe vou dizer isto?”

À nossa volta, os secadores rugiam, as folhas de alumínio estalavam e mulheres na casa dos 60 saíam com bobs afiados, shags leves, pixies modernos. Ela continuava presa em 1993.

Quando a cabeleireira sugeriu, com cuidado, um corte mais curto, a mulher ficou tensa. “Sempre tive cabelo comprido. Cabelo curto é para velhas.”
A cabeleireira apanhou o meu olhar pelo espelho. E foi aí que disse, em voz alta, a parte que costuma ficar por dizer.

Porque é que o cabelo comprido depois dos 60 pode, em segredo, envelhecer todo o rosto

Pergunte a qualquer cabeleireiro experiente, fora do registo oficial, e vai ouvir a mesma confissão: as clientes mais difíceis de transformar não são as que têm cabelo a rarear, mas as que se agarram ao comprimento de outros tempos.

Depois dos 60, o cabelo muda de textura, densidade e até de padrão de cor. Aquele comprimento de sereia que adorava aos 35 pode, de repente, começar a “puxar” os traços para baixo, enquadrando cada linha e cada sombra. Um cabelo comprido, todo do mesmo comprimento, puxa o olhar na vertical e cria um peso visual que faz as maçãs do rosto parecerem mais fundas e as linhas do maxilar mais suaves do que realmente são.

O resultado? Um contraste estranho entre um rosto maduro e uma silhueta de adolescente. E não da forma que gostaríamos.

A stylist Marie, 49 anos, lembra-se de uma cliente chamada Denise que entrou no seu salão em Paris com o cabelo a meio das costas. A Denise tinha 67, era perspicaz, advogada reformada, e vestia-se com fatos azul-marinho impecáveis. Do pescoço para baixo, estava actual. Do pescoço para cima, a história era outra.

O cabelo era fino nas têmporas, volumoso nas pontas, tingido demasiado escuro, e estava sempre preso no mesmo rabo-de-cavalo baixo. “Sinto-me invisível”, disse Denise. “As pessoas falam com o meu cabelo, não comigo.” Depois de uma conversa longa, aceitou um corte pelos ombros, em camadas, com moldura suave no rosto e um tom ligeiramente mais claro.

Três meses depois, voltou com uma nova queixa: “Agora os desconhecidos acham que tenho 58. É muito irritante”, riu-se, pedindo o mesmo corte outra vez.

O que os profissionais vêem - e nós não - é a geometria do envelhecimento. Cabelo comprido e pesado “puxa” tudo para baixo: sobrancelhas, maçãs do rosto, até os cantos da boca, por ilusão. Cortes curtos ou médios abrem o pescoço, mostram as clavículas e devolvem o foco aos olhos.

Nas redes sociais, a “beleza intemporal” é muitas vezes retratada como manter o cabelo comprido para sempre, como um distintivo de rebeldia contra a passagem do tempo. Na vida real, os cabeleireiros dizem discretamente o contrário: quanto mais se agarra ao comprimento antigo, mais sinaliza que ficou presa ao passado.

Não é que o cabelo comprido seja proibido depois dos 60. É que um comprimento liso, denso e intocado raramente funciona com a forma como o cabelo real e os rostos reais evoluem.

A forma aprovada pelos profissionais para manter o cabelo moderno depois dos 60

O primeiro passo não é cortar curto. O primeiro passo é tornar mais leve e com mais ar. A maioria dos profissionais começa por retirar peso visual: camadas suaves, algumas mechas a emoldurar o rosto, uma cor mais macia, e por vezes subir as pontas apenas até à clavícula.

Pense em “movimento” antes de “mudança drástica”. Um long bob a roçar os ombros, com um acabamento ligeiramente descontraído, fica imediatamente mais fresco do que um cabelo até à cintura que cai como uma capa. Uma franja leve a tocar as sobrancelhas pode disfarçar linhas na testa e levantar toda a parte superior do rosto.

Uma boa regra que muitos cabeleireiros usam: o cabelo não deve ser significativamente mais comprido do que a largura dos seus ombros, a menos que seja naturalmente denso, brilhante e saudável da raiz às pontas.

Ainda assim, muitas mulheres com mais de 60 sentam-se na cadeira e sussurram o mesmo medo: “Não quero cabelo de velhota.” Os cabeleireiros ouvem isto todos os dias. A ironia é que a mesma coisa que supostamente evita esse rótulo - agarrar-se ao cabelo comprido de antigamente - é, muitas vezes, o que cria esse efeito desajustado.

O verdadeiro “velho” não é o comprimento. É o styling desactualizado. Liso a ferro, rígido, brushing tipo capacete. Cor chapada, demasiado escura, sem dimensão. Cabelo puxado para o mesmo coque apertado todos os dias porque tudo o resto parece dar demasiado trabalho. Sejamos honestos: ninguém aguenta fazer isto todos os dias.

O ponto ideal? Um corte que consiga secar de forma rápida em dez minutos, passar uma escova, e ainda assim parecer intencionalmente arranjado.

“As mulheres acham que estou a atacar a identidade delas quando sugiro cortar comprimento”, diz Lucia, cabeleireira em Londres, com 30 anos de experiência. “Não estou. Estou a cortar a ligação à versão delas de há vinte anos. Quando voltam a ver as próprias maçãs do rosto, raramente querem voltar atrás.”

  • A magia do comprimento médio: aponte para entre o queixo e a clavícula para um lifting imediato sem parecer drástico ou um “corte de mãe”.
  • Bordas suaves, não paredes rectas: peça texturização nas pontas para o cabelo não formar uma moldura dura à volta do rosto.
  • Cor que respira: acrescente luzes ou sombras subtis em vez de um tom chapado, especialmente se tem pintado muito escuro.
  • Luz no rosto: franja lateral ou camadas a emoldurar o rosto a partir das maçãs do rosto podem suavizar linhas e atrair atenção para os olhos.
  • Styling de baixa manutenção: cortes que ficam bem ao ar com um pouco de creme tendem a parecer modernos, reais e cheios de vida.

Quando o cabelo comprido ainda funciona depois dos 60 - e quando, discretamente, já não

Há mulheres nos 60 e 70 que ficam incríveis com cabelo comprido. Normalmente, têm cabelo naturalmente espesso, assumem algum grisalho e o corte tem forma visível. O comprimento é uma escolha, não uma recordação.

Fazem pequenos cortes com regularidade. Permitem textura e movimento. Actualizam a risca e a forma de pentear. O cabelo colabora com a idade, em vez de lutar contra ela. A verdade simples é que não precisa de cortar tudo curto - só precisa de parar de fingir que o seu cabelo não mudou.

As mulheres que parecem “fora de contexto” são, muitas vezes, aquelas cujo cabelo e rosto estão a contar duas décadas diferentes.

Todas já passámos por isso: aquele momento em que vê uma fotografia antiga e sente uma picada: “Eu parecia assim.” O comprimento do cabelo torna-se um talismã contra essa perda. É por isso que a frase “Devia cortar” pode soar a ataque, em vez de upgrade.

O que os cabeleireiros gostavam que mais mulheres soubessem é que um corte moderno depois dos 60 não é para apagar a idade. É para alinhar a forma como realmente se parece com a forma como realmente se sente agora. As amigas começam a dizer “Estás com um ar tão descansado” em vez de “Fizeste alguma coisa?”

Às vezes, o choque não é que um corte mais curto ou médio faça as mulheres parecerem mais velhas. É que revela, de repente, o quanto o cabelo antigo não lhes estava a fazer favor nenhum.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
O comprimento acrescenta idade visual Cabelo comprido e pesado pode puxar os traços para baixo e evidenciar linhas Ajuda a perceber porque é que o seu estilo habitual já não “funciona”
A forma ganha ao comprimento Cortes médios com movimento modernizam sem parecer drásticos Oferece um caminho realista para mudar sem choque ou arrependimento
Actualizar, não apagar Camadas suaves, cor mais clara e styling fácil alinham o cabelo com quem é hoje Dá ferramentas para parecer actual mantendo-se fiel a si mesma

FAQ:

  • Pergunta 1 Tenho de cortar o meu cabelo comprido curto depois dos 60?
  • Resposta 1 Não. Não tem de cortar curto, mas a maioria dos profissionais sugere pelo menos aproximar-se de um comprimento médio e acrescentar movimento, camadas ou uma cor mais suave para o cabelo não puxar os seus traços para baixo.
  • Pergunta 2 E se o meu cabelo for muito fino - o cabelo mais curto vai piorar?
  • Resposta 2 Um corte curto ou médio bem feito costuma fazer o cabelo fino parecer mais cheio, porque retira peso das pontas e constrói a forma mais perto da cabeça.
  • Pergunta 3 Cabelo grisalho comprido envelhece ou é moderno?
  • Resposta 3 Depende do corte e da condição. Um grisalho comprido, amarelado e frisado pode parecer cansado, enquanto um grisalho brilhante, em camadas e com forma pode ser marcante e contemporâneo.
  • Pergunta 4 Com que frequência as mulheres com mais de 60 devem cortar o cabelo?
  • Resposta 4 A maioria dos cabeleireiros recomenda a cada 6–10 semanas para cortes curtos a médios e a cada 8–12 semanas para estilos mais compridos, para manter o contorno fresco e as pontas saudáveis.
  • Pergunta 5 O que digo ao meu cabeleireiro se tiver medo de uma grande mudança?
  • Resposta 5 Diga claramente: “Quero parecer mais fresca, não diferente. Vamos mudar a forma devagar.” Peça fotos, comece por tirar apenas alguns centímetros e combinem reavaliar juntas ao espelho.

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