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Aumentava o aquecimento, mas continuava com frio: especialistas explicam a verdadeira razão deste problema comum em casa.

Pessoa ajusta termostato na parede; janela com condensação e mesa com fita, termómetro e tubo.

O termóstato brilhava nos 23°C na parede, mas as minhas mãos continuavam geladas à volta da caneca de chá. Os radiadores sibilavam obedientemente, a caldeira roncava algures ao fundo, e a fatura da energia em cima da bancada da cozinha parecia uma pequena história de terror. Lá fora, a noite nem estava assim tão agreste, mas a sala parecia uma sala de espera com correntes de ar numa velha estação de comboios. Meias, manta, uma camisola extra - nada parecia resultar.
Algures entre a irritação e um ligeiro pânico, formou-se uma pergunta: porque é que a casa diz “quente” enquanto o meu corpo discorda claramente?
Foi aí que os especialistas começaram a contar uma história muito diferente da do termóstato.

Quando o termóstato mente: o frio escondido em casas “quentes”

Olha-se para o número na parede e pensa-se: “23 graus, isso chega, não chega?” E, no entanto, o nariz está frio, os pés parecem cubos de gelo, e damos por nós a encostar-nos ao radiador como se fosse uma fogueira. O cenário real não é uma noite de inverno acolhedora - é um estranho braço-de-ferro entre o sistema de aquecimento e um frio invisível que se infiltra por todo o lado.
Os engenheiros de aquecimento têm uma frase simples para isto: o termóstato mede o ar, não o conforto. O visor pode estar certo, mas o seu corpo pode continuar a “estar errado”.

Veja o caso da Emma, 36 anos, a viver numa casa geminada construída nos anos 80. No inverno passado, passou semanas a subir o termóstato de 20 para 21, depois 22, depois 23°C. De cada vez que a caldeira arrancava, o contador de gás girava mais depressa e, mesmo assim, ela usava uma camisola com capuz dentro de casa. Continuava a culpar a caldeira.
Quando um técnico finalmente foi lá, nem começou pela caldeira. Andou pela casa com uma pequena câmara de infravermelhos, apontou-a às paredes e às janelas, e mostrou-lhe no ecrã manchas vermelhas intensas por onde o calor estava a escapar. “Não tem um problema de aquecimento”, disse-lhe. “Tem um problema de perdas de calor.”

E esta é a verdade simples: a maioria das histórias de “a minha casa é fria” não tem a ver com a definição do termóstato. Tem a ver com correntes de ar por baixo das portas, janelas de vidro simples, sótãos mal isolados e paredes exteriores frias que roubam calor ao seu corpo. A sua pele sente a média entre o ar quente e as superfícies frias à sua volta. Se a parede atrás das suas costas está gelada, o seu corpo lê “frio” mesmo que o ar esteja tecnicamente quente. Os pulmões respiram 22°C, mas o pescoço encosta a um reboco a 12°C. Adivinhe a qual deles o cérebro dá ouvidos.

Pare de aumentar o aquecimento: corrija primeiro os verdadeiros culpados

A primeira dica dos especialistas é quase aborrecida na sua simplicidade: caminhe pela casa, devagar, e sinta. Fique junto de cada janela e porta com as mãos descobertas. Passe uma vela acesa ou um pau de incenso à volta dos aros e veja onde o fumo se desvia. Esse pequeno movimento revela correntes de ar ativas que nenhum termóstato alguma vez vai indicar.
Depois toque nas paredes, sobretudo nas exteriores e nos cantos. Se uma parte da divisão parece a porta de um frigorífico, é uma pista: o seu problema é “radiação de superfícies frias”, não uma caldeira preguiçosa.

A maioria das pessoas salta logo para “caldeira maior, conta mais alta, camisola mais grossa”. Parece lógico e, quando se está a tremer, a lógica fica menos refinada. Mas os peritos em energia repetem a mesma coisa vezes sem conta: aquecemos a casa toda, enquanto deixamos saídas enormes completamente abertas. Caixas de correio antigas, condutas de chaminé, tábuas do soalho sem vedação, até a folga por baixo da porta de entrada.
Sejamos honestos: ninguém verifica todas as vedações das janelas todos os anos. Partimos do princípio de que a casa é “sólida”, até que a primeira semana realmente fria expõe todas as fugas de uma vez. Depois culpamos o termóstato e deitamos dinheiro em mais quilowatt-hora.

“As pessoas dizem-me que a caldeira está ‘fraca’”, explica o consultor de aquecimento Mark Lewis. “Em nove em cada dez casas, a caldeira está bem. A casa é que é um coador.”

  • Vede primeiro as fugas óbvias
    Fitas de espuma nas janelas, escovas na base das portas, tampas para buracos de chave e caixas de correio. Barato, rápido e surpreendentemente eficaz.
  • Olhe para cima, não apenas à sua volta
    Isolamento do sótão fino ou inexistente deixa o calor precioso subir e desaparecer. O ar quente adora escapar para cima.
  • Pense nas superfícies, não só no ar
    Tapetes em pisos frios, cortinas pesadas em janelas “nuas”, painéis/folhas térmicas atrás dos radiadores reduzem a radiação fria que atinge o seu corpo.
  • Equilibre as divisões
    Um corredor a ferver e uma sala fria são desconfortáveis, mesmo que a temperatura média da casa pareça aceitável.
  • Reveja os seus hábitos
    Picos curtos de aquecimento muito alto ajudam menos no conforto do que uma regulação estável, ligeiramente mais baixa, com menos correntes de ar.

Quando sentir frio não é só sobre a casa

Há outra camada que os especialistas referem com mais cautela: por vezes o aquecimento está a fazer o seu trabalho e a casa tem um isolamento razoável, mas a pessoa continua a sentir frio o tempo todo. Os médicos apontam vários suspeitos: anemia, problemas da tiroide, tensão arterial baixa, má circulação, e até fadiga prolongada ou stress.
Um consultor de energia contou-me que muitas vezes entra em casas objetivamente quentes, com bom isolamento e sistemas modernos, e mesmo assim encontra clientes enrolados em mantas, a pedir desculpa por “terem um frio estranho”.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A casa pode estar bem aquecida Razões médicas ou fisiológicas podem distorcer a perceção da temperatura Lembra-o de ouvir o seu corpo, não apenas o termóstato
O conforto tem vários fatores Humidade, movimento do ar, roupa e stress influenciam a sensação térmica Dá-lhe mais formas de se sentir quente sem gastar apenas mais energia
Pequenas mudanças somam-se Vedação de fugas, têxteis, rotinas e check-ups de saúde combinam-se gradualmente Ajuda a construir uma estratégia realista e sustentável de conforto a longo prazo

FAQ:

  • Porque é que sinto frio quando o termóstato diz 22–23°C?
    Porque o termóstato só mede a temperatura do ar. Paredes, janelas e pisos frios “irradiam” frio para o seu corpo, fazendo-o sentir-se mais frio do que o número sugere.
  • Aumentar o aquecimento é a forma mais rápida de resolver isto?
    É a forma mais rápida de aumentar a sua fatura. Muitas vezes ganha mais conforto ao bloquear correntes de ar, colocar tapetes e melhorar as cortinas do que ao subir mais graus.
  • A humidade pode fazer parte do problema?
    Sim. Ar muito seco faz-nos sentir mais frio, mesmo à mesma temperatura, enquanto uma humidade ligeiramente mais alta pode parecer mais quente. Só evite subir tanto que apareçam condensação e bolor.
  • Como sei se o isolamento é o meu principal problema?
    Se certas divisões estão sempre mais frias, as paredes parecem geladas ao toque, ou nota grandes oscilações de temperatura quando o aquecimento pára, um isolamento deficiente é um forte suspeito.
  • Quando devo falar com um médico sobre sentir frio?
    Se sente frio constantemente, mesmo em locais claramente quentes, ou se é algo novo e persistente para si, um check-up pode excluir anemia, problemas da tiroide ou questões de circulação.

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