As luzes da rua ainda estavam acesas quando as pessoas começaram a subir a colina atrás da pequena vila costeira. Café numa mão, telemóveis na outra, avançavam quase em silêncio, com a respiração suspensa no ar frio. Algures lá em cima, para além das nuvens cinzentas e finas e das gaivotas sonolentas, o Sol já deslizava para um alinhamento perfeito com a Lua.
Era 1999, a última vez que muitos europeus viram o dia transformar-se em noite a meio da tarde. Se lá esteve, a lembrança ainda parece meio irreal.
Agora, os astrónomos dizem que está a chegar um novo momento assim - e, desta vez, será o eclipse solar mais longo do século.
A data que vai parar o dia
Os astrónomos já confirmaram a data: a 25 de julho de 2028, a Lua vai recortar um trilho escuro sobre a Terra e desencadear o mais longo eclipse solar total do século XXI. Durante alguns minutos extraordinários, o Sol ficará completamente engolido, transformando o meio‑dia num crepúsculo estranho e elétrizante.
A faixa de totalidade estender-se-á por várias regiões, incluindo partes da Austrália, da Nova Zelândia e do Pacífico Sul, com um eclipse parcial visível numa área muito mais vasta. Quem vive sob essa estreita tira de sombra já é, em silêncio, dos mais sortudos do planeta.
Em Sydney, a cidade que ficará quase perfeitamente no caminho do eclipse, os cientistas já se preparam para uma vaga de caçadores de eclipses. Os hotéis acompanham discretamente as reservas. Os operadores turísticos fazem perguntas. Alguns residentes já marcaram a data no telemóvel, apesar de ainda faltar anos, com notas simples como “Não trabalhar neste dia.”
Todos já passámos por isso: aquele momento em que surge um lembrete no calendário para algo que marcámos com tanta antecedência que quase dá vontade de rir. Desta vez, o lembrete pode ser para uma escuridão ao meio‑dia, única na vida, sobre uma das cidades mais luminosas do mundo.
Porque é que este vai durar tanto? Tudo se resume a um alinhamento quase poético da mecânica orbital. A Lua estará perto do ponto da sua órbita em que parece ligeiramente maior no céu, enquanto a Terra estará relativamente próxima do Sol. Essa combinação faz com que o disco lunar cubra o Sol mais completamente - e por mais tempo.
Os astrónomos calculam que, ao longo da linha central, a totalidade durará mais de seis minutos em alguns locais - uma eternidade quando comparada com eclipses típicos que passam em menos de três. Para os cientistas, isto é um sonho: seis minutos longos e preciosos para observar, em detalhe incrível, a atmosfera exterior do Sol, a coroa.
Como viver de facto o eclipse, e não apenas “vê-lo”
O primeiro passo é quase aborrecido: descobrir onde precisa de estar fisicamente a 25 de julho de 2028. A NASA, a ESA e muitos observatórios nacionais publicam mapas de eclipses com a faixa de totalidade desenhada como uma banda fina e sinuosa. Estar dentro dessa banda é tudo. A poucas dezenas de quilómetros, perde-se a magia completa.
Depois de conhecer o percurso, faça o plano ao contrário. É uma viagem? Um encontro de família? Uma escapadinha a solo? Os astrónomos que perseguem eclipses dizem sempre o mesmo: chegue pelo menos um dia antes, escolha um local com horizonte oeste desimpedido e tenha uma alternativa caso as nuvens apareçam. Não é um espetáculo que queira ver do banco de trás de um táxi.
O erro clássico é tratar um eclipse como fogo‑de‑artifício: “Vamos só sair e olhar para cima quando começar.” É assim que as pessoas acabam a correr à última hora à procura de óculos, ou presas no trânsito enquanto o céu escurece algures sobre a localidade ao lado.
Há também a armadilha da segurança. As pessoas pensam: “É só um segundo, vou espreitar sem óculos.” O Sol não quer saber. Os danos nos olhos são indolores no início e permanentes. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, mas para o eclipse vai querer mesmo óculos de eclipse com certificação ISO, sem riscos e não falsificados, ou um filtro solar adequado em binóculos ou num telescópio.
“A totalidade não é só o Sol a desaparecer”, explica a Dra. Livia Romero, uma astrónoma que já perseguiu oito eclipses em quatro continentes. “É sentir o mundo à sua volta inclinar-se para outra versão de si mesmo - as aves, a temperatura, a forma como estranhos começam de repente a falar uns com os outros como se se conhecessem desde sempre.”
- Antes da totalidade
Chegue cedo, teste os seus óculos e observe a lenta “mordida” da Lua a avançar sobre o Sol. Pode demorar mais de uma hora, e a antecipação é metade da alegria. - Durante a totalidade
Pouse os óculos quando o Sol estiver totalmente coberto e olhe a olho nu. Repare nas estrelas que aparecem, no brilho inquietante de um pôr‑do‑sol a 360° no horizonte e na descida súbita da temperatura na pele. - Logo após a totalidade
Volte a colocar os óculos no momento em que o primeiro ponto brilhante de luz solar reaparecer. É aqui que as pessoas tendem a esquecer a segurança no turbilhão de emoção e câmaras.
Uma sombra partilhada que pode mudar a forma como olhamos para cima
O que impressiona neste eclipse não é apenas o recorde técnico - “o mais longo do século” - mas a forma como já está a unir pessoas que nunca se conheceram. Astrónomos amadores a planear viagens conjuntas com desconhecidos do outro lado do mundo. Professores a esboçar ideias de aulas para crianças que, nesse dia, poderão sair das carteiras e olhar para o céu. Famílias a debater se devem gastar as poupanças em voos para dois ou enfiar toda a gente num road trip até à faixa de totalidade.
Eventos assim passam mais depressa do que esperamos. E, ainda assim, anos mais tarde, as pessoas nessas regiões dirão: “Estiveste lá, naquele dia em que o meio‑dia ficou escuro e as luzes da rua se acenderam sem razão?” Uma data simples, 25 de julho de 2028, tornar-se-á um marcador - como um pequeno alfinete cravado na linha do tempo das suas vidas. O Sol, a Lua e a Terra alinhar-se-ão por alguns minutos impossíveis - e todos os que estiverem sob essa sombra lembrar-se-ão exatamente de onde estavam quando o dia escureceu.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o leitor |
|---|---|---|
| Data do eclipse confirmada | 25 de julho de 2028, o mais longo eclipse solar total do século XXI | Dá um momento claro para planear e antecipar |
| Faixa de totalidade | Atravessa partes da Austrália, da Nova Zelândia e do Pacífico Sul | Ajuda os leitores a perceber se precisam de viajar ou se podem ver a partir da sua região |
| Como se preparar | Reservar cedo, escolher um local dentro do percurso, usar óculos de eclipse certificados | Maximiza a segurança e o impacto emocional de um evento único na vida |
FAQ:
- Pergunta 1 Onde será total o eclipse a 25 de julho de 2028?
Será total ao longo de uma faixa estreita que atravessa a Austrália central (incluindo Sydney), partes da Nova Zelândia e uma tira sobre o Oceano Pacífico Sul. As regiões próximas, fora dessa faixa, verão um eclipse parcial.- Pergunta 2 Quanto tempo vai durar a totalidade?
Ao longo do centro do percurso, espera-se que a totalidade dure pouco mais de seis minutos em alguns locais, o que o torna o mais longo eclipse solar total deste século.- Pergunta 3 É seguro olhar para o eclipse a olho nu?
Só durante a breve fase de totalidade, quando o Sol está completamente coberto, é seguro olhar sem proteção. Durante todas as fases parciais, precisa de óculos de eclipse adequados ou de um filtro solar certificado.- Pergunta 4 Preciso de equipamento especial para o aproveitar?
Não. Óculos de eclipse e talvez um projetor de orifício (pinhole) simples ou binóculos com filtros solares chegam. Muitas pessoas dizem que a parte mais poderosa é sentir a mudança de luz e de temperatura à sua volta.- Pergunta 5 Quando devo começar a planear a viagem?
Para cidades populares no percurso, é sensato começar a procurar alojamento e transportes com vários anos de antecedência e garantir reservas flexíveis pelo menos um ano antes do eclipse.
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