Saltar para o conteúdo

As magníficas flores das plantas trepadeiras

Pessoa a cuidar de flores roxas e rosas num jardim, usando luvas e tesoura de poda sobre uma mesa redonda de madeira.

De sinos de inverno a trombetas incandescentes de verão, as trepadeiras floridas estão a roubar a cena em jardins pequenos e pátios urbanos, reescrevendo a forma como usamos o espaço vertical no exterior.

Porque é que as flores trepadeiras estão na moda

À medida que os jardins encolhem e as “salas” ao ar livre substituem os relvados à moda antiga, a cor em altura tornou-se uma obsessão discreta. Uma única trepadeira consegue vestir uma parede nua, sombrear uma janela, esconder o barracão do vizinho e ainda deixar espaço no chão para uma cadeira e uma chávena de café.

Estas plantas também alteram o calendário de interesse. Muitas variedades modernas florescem durante mais tempo, algumas reflorescem, e algumas até mantêm o espetáculo nas semanas mais sombrias do inverno. Para jardineiros urbanos, isso significa verdadeiro drama sazonal numa área pouco maior do que um tubo de escoamento.

As plantas trepadeiras transformam superfícies mortas em cenários vivos, dando profundidade, sombra e cor sem exigir muito terreno.

Cor todo o ano: de sinos de inverno a gigantes de verão

Encanto de inverno: Clematis cirrhosa e os seus parentes de época fria

As trepadeiras com flor no inverno continuam a parecer ligeiramente mágicas. A Clematis cirrhosa é uma das poucas capazes de o fazer, com flores pendentes em forma de sino, de branco-creme, muitas vezes salpicadas de púrpura. Floresce quando a maioria dos canteiros está em tons de castanho e cinzento.

Esta espécie não gosta de geadas fortes: temperaturas abaixo de cerca de −10 °C podem danificá-la, exceto em seleções mais robustas como ‘Jingle Bells’, que produz flores creme suaves e aguenta um pouco melhor as vagas de frio. Onde os invernos se mantêm rigorosos, os jardineiros cultivam agora a C. cirrhosa em vasos grandes, mantidos numa marquise luminosa e fresca ou num alpendre sem aquecimento.

Trepadeiras de inverno cultivadas em vaso podem transformar uma varanda fria ou um balcão num cenário sazonal, mesmo onde o solo permanece gelado.

Da primavera ao início do verão: clematis de flores enormes

No fim da primavera, o protagonismo passa para as clematis de flor grande, favoritas há muito tempo em jardins britânicos e norte-americanos. Os melhoradores continuam a aumentar o tamanho das flores, com cultivares como ‘Lawsoniana’ e ‘W. E. Gladstone’ a apresentarem flores que podem atingir cerca de 25 cm de diâmetro.

Muitas outras produzem regularmente flores acima dos 15 cm, mais do que suficiente para dominar uma fachada pequena. Nomes como ‘Étoile nacrée’, ‘Nelly Moser’ e ‘The President’ tornaram-se clássicos para pérgulas e arcos de entrada.

As formas de flor dupla acrescentam ainda mais teatro. ‘Yvette Houry’, ‘Vyvyan Pennel’ e ‘Arctic Queen’ criam camadas de pétalas em flores tipo roseta que se aproximam mais de dálias ou rosas antigas do que das clematis tradicionais. São ideais para pontos focais: um arco de entrada, um banco enquadrado, o fim de um caminho estreito.

Fogo-de-artifício de verão: cores intensas e texturas ousadas

À medida que as temperaturas sobem, entram tons mais ricos. As variedades de Akebia trazem flores vinho-escuro, quase com tom de chocolate, que ficam lindamente contra paredes claras ou folhagem prateada. A Bignonia ‘Mme Galen’ vai no sentido oposto, com trombetas laranja vivo que se destacam à distância e brilham com a luz do fim do dia.

Para azuis mais frios, os jardineiros recorrem a plantas como a Sollya (também conhecida nalgumas regiões como “bluebell creeper”), cujos sinos azul-intenso funcionam bem em treliças claras e em varandas. Estas cores, quando usadas com cuidado, podem transformar uma parede lisa em algo mais próximo de um mural.

  • Akebia: flores púrpura em tom de vinho, aroma ligeiro, folhagem semipersistente em climas amenos.
  • Bignonia ‘Mme Galen’: trombetas fortes laranja-rosado, ideal para paredes quentes e soalheiras.
  • Sollya: flores pequenas de azul intenso, porte compacto para suportes pequenos.

Formas inesperadas de usar trepadeiras floridas

Suavizar sebes e prolongar a época de interesse

As sebes raramente florescem durante muito tempo, sobretudo as perenes podadas. Os designers de jardins estão agora a introduzir trepadeiras nelas, usando a folhagem e os ramos já existentes como suporte vivo. O objetivo não é sufocar a sebe, mas prolongar o seu interesse por semanas ou até meses.

Em sebes informais de estilo campestre, a maioria das trepadeiras moderadas encaixa bem: roseiras, madressilvas, clematis leves. Para sebes floridas que já florescem, o truque é escolher uma trepadeira que floresça mais cedo ou mais tarde do que a própria sebe, para que o espetáculo continue em sequência em vez de entrar em conflito.

Em sebes perenes muito formais, algumas espécies toleram melhor a tesoura. Madressilvas, heras e muitas clematis suportam uma ou duas podas por ano sem ressentimento. Isto permite que a sebe mantenha a sua linha limpa, enquanto ganha uma camada descontraída de cor.

Adicionar uma trepadeira a uma sebe não substitui a estrutura; sobrepõe-lhe uma camada móvel de cor e perfume.

Usar árvores grandes como andaime natural

Árvores maduras podem acolher atuações floridas impressionantes. Roseiras sarmentosas vigorosas, clematis-de-montanha, heras e hortênsias trepadeiras sobem até copas altas. Uma vez estabelecidas, lançam grinaldas de flores que caem dos ramos que, vistos do chão, de outra forma pareceriam comuns.

A fase-chave é o início. As plantas jovens precisam de ser guiadas em direção ao tronco com atilhos ou fio macio, para que se fixem e comecem a subida. Depois disso, a maioria trepa de forma independente, entrelaçando-se na casca e nos ramos baixos.

As trepadeiras podem até recuperar árvores mortas, transformando esqueletos nus em elementos escultóricos. A estrutura lenhosa torna-se um suporte permanente, envolto em folhagem e flores sazonais em vez de ser abatida e removida.

Deixar trepadeiras rastejarem como cobertura do solo

Nem todas as trepadeiras querem subir. Algumas, quando não têm suporte vertical, espalham-se naturalmente pelo solo. A hera é o exemplo óbvio, mas madressilvas e certas clematis também o fazem quando não há treliça por perto.

Usado de forma intencional, este hábito cria um tapete vivo que bloqueia ervas daninhas e refresca o solo. O efeito resulta bem em taludes difíceis, cantos secos sob árvores ou na faixa vazia junto à base de uma vedação que raramente recebe água dos aspersores.

Planta Melhor utilização Altura ou extensão
Clematis cirrhosa Flores de inverno numa parede ou em marquise fresca Até 3–4 m
Roseira sarmentosa Subir em árvores grandes, arcos amplos 5 m ou mais
Hera Cobertura do solo ou verde denso em paredes Variável, muito expansiva
Hortênsia trepadeira Parede à sombra ou tronco de árvore 10–15 m ao longo de muitos anos

Dividir terraços e varandas com biombos vivos

Num terraço de cobertura ou numa varanda, a gestão do espaço conta. Os jardineiros usam treliças apoiadas por vasos grandes para criar divisórias verdes, quebrando uma área plana em pequenas “salas” ao ar livre. As trepadeiras floridas trazem suavidade e privacidade ao mesmo tempo.

Para isto, espécies muito vigorosas podem ser esmagadoras. As de crescimento médio funcionam melhor: muitas clematis que param por volta dos 3 m, tipos compactos de Solanum jasminoides, ou jasmins de flor mais pequena. Sobem depressa o suficiente para formar um biombo, mas mantêm-se leves para vasos e estruturas pouco pesadas.

Num terraço pequeno, uma única treliça com uma trepadeira pode substituir uma parede sólida, filtrando vistas sem bloquear o céu e a luz.

Notas práticas que os jardineiros por vezes ignoram

Ajustar a planta ao clima e à estrutura

Cada planta trepadeira tem uma forma preferida de se prender: caules volúveis, gavinhas, raízes adventícias ou ventosas/almofadas adesivas. Esse detalhe afeta a forma como se comportam em tijolo, madeira ou arame. Trepadeiras de raízes adventícias, como a hera ou a hortênsia trepadeira, aderem diretamente às paredes, o que muitos apreciam, mas alguns proprietários de edifícios não gostam.

Trepadeiras de gavinhas precisam muitas vezes de algo fino para agarrar, como fios ou rede, enquanto os caules volúveis enrolam-se em estacas ou postes. Quando uma planta não rende, o sistema de suporte é muitas vezes o culpado, e não o solo ou o adubo.

O clima tem um segundo papel. Variedades sensíveis à geada, como algumas C. cirrhosa, precisam de abrigo ou de regiões amenas. As bignónias, amantes de calor, preferem paredes quentes e soalheiras e têm dificuldades em jardins frios e expostos. Alinhar estas preferências poupa anos de frustração.

Benefícios e riscos: o que o crescimento vertical muda num jardim

As trepadeiras mudam mais do que a vista. Fazem sombra sobre tijolo e vidro, o que pode baixar ligeiramente as temperaturas interiores em períodos de calor, sobretudo quando crescem sobre paredes viradas a sul ou a oeste. Também oferecem abrigo e locais de nidificação para aves, abelhas e inúmeros insetos.

Há contrapartidas. Espécies muito vigorosas, como algumas poligonáceas usadas como trepadeiras (muitas vezes vendidas sob nomes antigos como Polygonum aubertii ou Fallopia baldschuanica), podem ultrapassar o espaço e invadir caleiras ou árvores vizinhas. Podas regulares e limites firmes são importantes ao plantar perto de telhados, ralos ou vedações partilhadas.

Para quem está a começar, um exercício útil é mapear as linhas verticais antes de comprar plantas: paredes, postes, árvores antigas, guardas de varanda. Cada linha pode acolher uma ou duas trepadeiras com épocas de floração escalonadas. Esta abordagem evita a sobrelotação e transforma cada superfície nua numa candidata a cor ao longo do ano.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário