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Aquecimento: compensa deixá-lo ligado no mínimo o dia todo? Eis a opinião unânime de 5 especialistas.

Pessoa ajustando termóstato digital numa sala moderna e iluminada, enquanto segura uma chávena de chá.

Os preços da energia apertam e a dúvida é sempre a mesma: compensa manter o aquecimento “baixinho” o dia todo, ou ligar só quando faz falta?

Há conselhos para todos os gostos - e muita “sabedoria” antiga. Para clarificar, juntámos a opinião de cinco perfis que olham para o mesmo problema por ângulos diferentes (economia, física do edifício, engenharia de aquecimento, poupança na fatura e reabilitação energética). A conclusão foi muito alinhada: na maioria das casas “normais”, deixar ligado em fundo tende a custar mais.

O que 5 especialistas pensam realmente sobre deixar o aquecimento em baixo o dia todo

À pergunta “é mais barato deixar o aquecimento em baixo o dia todo?”, a resposta comum foi: não, na maior parte das habitações típicas. A razão é simples: quanto mais tempo mantém a casa quente, mais horas está a perder calor pelas paredes, janelas, tetos e infiltrações de ar - e mais energia precisa para compensar.

A ideia-chave é esta: o que pesa na fatura é o total de calor entregue ao longo do tempo (kWh), não se o aparelho “trabalha forte” ou “suave”. Aquecer 12 horas seguidas, mesmo em baixo, costuma somar mais perdas do que aquecer por blocos quando está em casa.

A nuance existe - mas é específica. Em alguns casos, a diferença pode ser pequena:

  • apartamento a meio do prédio (vizinhos em cima e em baixo),
  • bom isolamento e caixilharia razoável,
  • poucas correntes de ar,
  • objetivo de conforto muito estável (pessoas em casa o dia todo).

Mesmo aí, a ideia não é que “fica mais barato”, mas que a penalização pode ser modesta.

Do outro lado, nas casas portuguesas com isolamento fraco, janelas antigas ou infiltrações (situação comum), o “baixo e constante” tende a ser precisamente o que mais custa: está a pagar para aquecer também as fugas.

Há ainda um ponto humano: conforto não é só matemática. Se precisa de temperatura estável por saúde (dores, mobilidade, bebés) ou por trabalho em casa, pode decidir pagar um pouco mais por isso - desde que seja uma escolha consciente, não um mito.

A forma mais inteligente de aquecer: o que os especialistas realmente recomendam

O princípio base foi unânime: aquecer quando traz benefício real (pessoas em casa e acordadas) e deixar arrefecer um pouco quando não traz. Para muitos lares, isto traduz-se em 2 blocos por dia (manhã e fim de tarde/noite) e ajustes pequenos até acertar.

Um ponto prático que ajuda a “ler” a sua casa: num dia frio, desligue o aquecimento à noite (por exemplo, 21h) e repare como evolui o conforto às 23h e de manhã. Se a casa aguenta bem, pode encurtar mais. Se arrefece depressa, o melhor investimento raramente é “manter em fundo” - é reduzir perdas (vedações, caixilharia, isolamento, infiltrações).

Controlo por zonas faz diferença, sobretudo com radiadores e válvulas termostáticas:

  • aqueça mais a sala/zonas de uso,
  • baixe quartos e divisões pouco usadas,
  • feche portas para não “misturar” volumes.

Temperaturas realistas (ponto de partida, não dogma): 18–20°C nas áreas de estar e um pouco menos nos quartos. Em muitas casas, descer 1°C no setpoint é um teste simples que costuma reduzir consumo sem destruir conforto (o impacto varia com a casa e o sistema).

Cuidados que evitam problemas (e custos escondidos):

  • Não baixe demais por muitas horas se a casa tem tendência a condensação/bolor; manter uma base moderada e ventilar pode ser mais saudável do que “gelar e reaquecer”.
  • Areje de forma curta e eficaz (janelas abertas alguns minutos) para reduzir humidade, em vez de deixar uma frincha o dia todo.
  • Em sistemas a gás, garanta manutenção periódica e boa ventilação onde necessário; não é só eficiência - é segurança.

E uma nuance importante por tipo de sistema: com bombas de calor/ar condicionado, setpoints muito altos e “recuperações” agressivas podem reduzir a eficiência em algumas casas. Muitas vezes funciona melhor ajustes pequenos (1–2°C) e horários bem pensados, em vez de grandes oscilações.

“A forma mais justa de o dizer é que o conforto é uma escolha, as faturas são uma consequência.”

Passos simples e sustentáveis (os que as pessoas conseguem manter):

  • Troque “fundo 24/7” por blocos temporizados (e ajuste ao longo de 1–2 semanas).
  • Faça o teste de -1°C durante uma semana antes de mexer em mais coisas.
  • Use válvulas/zonas: não pague para aquecer ao mesmo nível divisões vazias.
  • Comece pelo “isolamento low-tech”: vedantes anti-correntes de ar, cortinas à noite, tapetes onde o chão é frio.
  • Meça o efeito: compare consumo por semana (ou por grau-dia, se tiver app/contador) antes e depois de cada mudança.

Então, o que é que isso significa para o seu termóstato amanhã de manhã?

Significa que “manter em baixo o dia todo” raramente é o atalho para poupar numa casa típica. Na maioria dos casos, aquecer menos horas (quando não está em casa ou quando está a dormir) reduz a energia perdida para o exterior - e isso aparece na fatura.

A alternativa não é viver com frio “por princípio”. É sair do piloto automático: escolher horários, escolher zonas, e fazer mudanças pequenas que dá para manter. Uma experiência de baixo risco para começar:

  • encurte 30 minutos no fim do aquecimento,
  • baixe 1°C,
  • feche portas de divisões pouco usadas,
  • veja como dorme e como acorda (conforto conta).

O “truque” que quase sempre funciona é consistência: menos calor desperdiçado, mais decisões conscientes, e uma casa progressivamente menos “fugidia”.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Mito do aquecimento “baixo e constante” Em casas típicas, manter quente mais horas tende a aumentar perdas e custo Ajuda a evitar um hábito caro mascarado de “poupança”
Papel do isolamento e das perdas de calor Quanto mais rápido a casa perde calor, pior funciona o aquecimento permanente Mostra onde agir primeiro (vedações/isolamento antes de “mais horas”)
Programação e pequenos ajustes Horários, -1°C, zonas, portas fechadas e acompanhamento do consumo Ações simples, realistas e fáceis de manter

FAQ:

  • Alguma vez é mais barato deixar o aquecimento em baixo o dia todo? Em casos específicos (habitação muito bem isolada, perdas baixas, uso contínuo), a diferença pode ser pequena. Ainda assim, raramente é “claramente mais barato” do que aquecer por períodos.
  • Desligar o aquecimento faz a caldeira “trabalhar mais” depois? Em geral, não há “penalização”: o sistema apenas repõe o calor perdido. O que pode mudar é o tempo até voltar ao conforto.
  • Que temperatura os especialistas recomendam para a maioria das casas? Como base: 18–20°C nas áreas de estar e quartos mais frescos. Testar menos 1°C durante uma semana é um bom começo.
  • Devo desligar os radiadores em divisões não usadas? Muitas vezes, sim, ou reduzir bastante. Em casas húmidas ou muito frias, pode ser melhor manter um mínimo para evitar condensação e bolor.
  • Um termóstato inteligente compensa mesmo? Muitas famílias poupam porque programar fica mais fácil (e o controlo remoto evita aquecer “por esquecimento”). O retorno depende do seu padrão de uso e do sistema (gás, bomba de calor, etc.).

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