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Apesar de ser visto como antiquado, este é o penteado que os cabeleireiros mais aconselham depois dos 50 anos.

Mulher sorrindo recebe corte de cabelo em salão; plantas e produtos ao fundo.

A mulher na cadeira do salão suspirava antes mesmo de tirar o casaco. «Faça alguma coisa», disse ela ao/à cabeleireiro/a, «só… não uma coisa que grite “avó a tentar franja do TikTok”». A sala riu-se, mas sentia-se a tensão: aquele momento estranho em que o reflexo já não combina com a nossa energia. O cabelo dela estava comprido, liso e sem vida, puxado para trás no famoso rabo-de-cavalo do “desisti”, aquele que tantas mulheres juram que só usam em casa.
O/a cabeleireiro/a rodeou-a como um detetive silencioso, dedos entre as madeixas, cabeça inclinada. «Sabe», disse por fim, «o corte que mais recomendo depois dos 50 é aquele a que toda a gente chama aborrecido». A cliente arqueou uma sobrancelha, imediatamente desconfiada.
Cinco minutos depois, a tesoura começou a clicar e o corte “piroso” estava a caminho.
E o rosto da mulher mudou antes sequer de o cabelo tocar no chão.

O corte “piroso” que secretamente salva rostos depois dos 50

Pergunte a qualquer cabeleireiro/a experiente o que recomenda verdadeiramente depois dos 50 e raramente a resposta é “wolf cut” ou “micro-franja”. O que aparece, vez após vez, é um bob suave, ligeiramente repicado, que bate algures entre a linha do maxilar e a clavícula. Não o bob super geométrico das revistas de moda, afiado como uma lâmina. Mas o primo mais gentil: algum movimento, uma curva leve à volta do rosto, um comprimento que continua a sentir-se feminino.
É o corte que as pessoas descartam como “seguro”, “básico”, até “cabelo de mãe do futebol”.
E, no entanto, entre num salão cheio numa tarde de quinta-feira e vai notar uma coisa: este bob supostamente aborrecido é aquele para o qual o/a cabeleireiro/a discretamente a encaminha quando os traços começam a mudar e o cabelo deixa de se portar como aos 32.

Há uma razão. Depois dos 50, o cabelo tende a ficar mais seco, mais fino e menos “obediente”. Perde densidade nas pontas e tem tendência a cair, a arrastar o rosto para baixo em vez de o emoldurar. Um corte comprido e pesado pode transformar até as maçãs do rosto mais marcadas num oval cansado.
Vi um/a cabeleireiro/a em Paris transformar uma cliente de 62 anos em menos de uma hora. O pedido dela: «Corte, mas não demasiado. Não quero arrepender-me.» Saiu com um bob de comprimento médio, levemente repicado, a roçar acima dos ombros, com uma risca lateral suave.
Não ficou mais nova de forma artificial. Ficou desperta. A linha do maxilar parecia mais definida, o pescoço voltou a ficar visível e os olhos ficaram subitamente mais brilhantes sob a curva do cabelo a acompanhar a maçã do rosto.

A lógica é simples e quase irritantemente sensata. Quando as pontas do cabelo são a parte mais fina, manter demasiado comprimento só sublinha tudo aquilo em que se sente insegura: flacidez, faces mais encovadas, o famoso ar “cansado”. Um bob suave faz o contrário.
Engrossa o contorno à volta do rosto, redireciona a atenção para os olhos e as maçãs do rosto e, visualmente, levanta toda a expressão. E aquele movimento macio à frente? Não é decorativo. Funciona como o corte de um bom fato: cria uma impressão de estrutura onde a gravidade já fez o seu trabalho.
É por isso que tantos/as cabeleireiros/as, em silêncio, conduzem mulheres com mais de 50 para este estilo, mesmo quando elas entraram a pedir outra coisa completamente diferente.

Como usar o bob “aborrecido” para parecer discretamente caro, não datado

O truque não está só no comprimento - está nos detalhes. Um bob moderno e favorecedor depois dos 50 vive entre a base do pescoço e ligeiramente abaixo do maxilar, dependendo da sua altura e do comprimento do pescoço. Peça ao/à seu/sua cabeleireiro/a camadas suaves e “invisíveis” em vez de uma graduação marcada atrás. Assim mantém volume sem criar aquele efeito de capacete rígido.
À volta do rosto, um degradé muito leve faz milagres: uma ou duas mechas mais curtas que começam perto da maçã do rosto ou mesmo à altura dos lábios, a fundirem-se no resto. Nada de madeixas duras e pesadas. Pense “véu” em vez de “cortina”.
A risca também muda tudo. Uma risca ligeiramente fora do centro ou lateral suave costuma ser mais simpática para linhas de crescimento mais ralas do que uma risca ao meio rígida, que pode deixar o couro cabeludo mais visível.

A finalização é onde muitas mulheres se sentem derrotadas. Secador, escovas redondas, três produtos diferentes… parece trabalho de casa. E, no entanto, este corte nasceu para ser de baixa manutenção. Uma escova redonda grande ou uma escova plana simples e uma viragem rápida das pontas para dentro costuma chegar.
Uma cabeleireira francesa resumiu assim: seque a raiz para dar elevação, guie as pontas e pare de mexer. Nada de dez passagens com a prancha a alisar tudo.
Já todas passámos por isso: aquele momento em que passa 40 minutos na casa de banho e sai com um cabelo que, estranhamente… parece cansado. O bob certo precisa de uns 8–10 minutos, não de um ritual matinal completo. Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias.

Muitas mulheres têm medo deste corte porque imaginam os bobs rígidos e cheios de laca dos anos 90. Não é isso que os profissionais de hoje recomendam. Falam de pontas suaves, ar e movimento - não de verniz.

«Dizem-me: “Não quero o bob clássico de mãe”», ri-se Ana, uma cabeleireira na casa dos cinquenta que já trabalhou em Londres e Lisboa. «E, no entanto, quando me mostram no telemóvel as fotos do “cabelo ideal”, é sempre alguma versão de um bob médio com uma ondinha. Só não querem admitir que o corte “aborrecido” é, na verdade, o que funciona.»

Para trazer este estilo para 2024, pequenos ajustes fazem uma grande diferença:

  • Escolha uma linha ligeiramente irregular ou “quebrada” em vez de uma ponta perfeitamente reta como uma régua.
  • Acrescente uma madeixa discreta a emoldurar o rosto que bata na maçã do rosto, não no queixo.
  • Mantenha o acabamento acetinado, não ultra brilhante e rígido, usando um creme leve em vez de laca pesada.
  • Deixe as ondas naturais ou remoinhos viverem um pouco, em vez de os combater até à submissão.
  • Refresque as pontas a cada 8–10 semanas para o corte se manter intencional, não acidental.

Porque é que este corte “seguro” sabe, em silêncio, a uma pequena revolução

Há algo quase radical em escolher um penteado que não grita por atenção. Este bob não finge que tem 25, não esconde as linhas à volta da boca e não exige um ring light para parecer convincente. Fica nessa linha subtil entre esforço e facilidade, entre “eu cuido de mim” e “tenho coisas melhores para fazer do que correr atrás de tendências”.
Muitas mulheres descrevem a mesma coisa depois de se atreverem: de repente a roupa parece mais composta, as joias mais intencionais, as armações dos óculos mais definidas. Quando o cabelo deixa de competir e passa a emoldurar, o resto de si avança.

Alguns dirão que é só cabelo, que volta a crescer, que não muda nada cá dentro. Talvez. Mas repare na forma como alguém leva os ombros ao sair do salão depois de um destes cortes. Há um andar mais leve, uma confiança mais silenciosa que não depende de fingir que o tempo não passou.
Este bob não é o corte da reinvenção a qualquer custo. É o corte da reconciliação: com a sua nova textura, com o espelho às 7 da manhã, com a versão de si que não quer a identidade toda amarrada a “parecer jovem”.
E, estranhamente, é muitas vezes aí que as pessoas começam a dizer: «Está ótima. Foi de férias?»

Se anda a flirtar com a ideia, mantenha a pergunta em aberto durante algum tempo. Observe mulheres nos cafés, no comboio, no supermercado: quem lhe chama a atenção sem parecer exagerada? Repare quantas vezes é este comprimento “piroso”, a mexer ligeiramente quando se riem. Pergunte ao/à seu/sua cabeleireiro/a não «O que está na moda?», mas «O que é que, de facto, me facilitaria a vida e me iluminaria o rosto?»
A resposta pode ser menos dramática do que imaginou. Menos Instagram, mais vida real.
Às vezes, a escolha mais radical depois dos 50 não é recomeçar do zero, mas editar com delicadeza o que já lá está até, finalmente, voltar a sentir que é você.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Bob suave de comprimento médio Do maxilar à clavícula, com repicado leve e madeixas a emoldurar o rosto Realça os traços, “levanta” o rosto e favorece a mudança de textura do cabelo
Finalização de baixa manutenção Secagem rápida, pontas guiadas, poucos produtos, movimento natural Poupa tempo e energia, mantendo um aspeto cuidado no dia a dia
Moderno, não datado Linha “quebrada”, acabamento acetinado, sem volume rígido ou laca pesada Dá um ar atualizado e discretamente chic, sem efeito “capacete”

FAQ:

  • Pergunta 1: Um bob é mesmo a melhor opção depois dos 50 para todos os tipos de rosto?
    Não para toda a gente, mas um bob suave e ligeiramente repicado pode adaptar-se a quase qualquer rosto. Rostos redondos beneficiam de um comprimento abaixo do queixo; rostos mais compridos, de uma versão mais próxima do maxilar; rostos quadrados, de contornos mais suaves e curvos à volta das maçãs do rosto.
  • Pergunta 2: E se o meu cabelo for muito fino e sem volume?
    Um bob com estrutura é, na verdade, um dos cortes que mais ajuda cabelo fino. Retirar o comprimento pesado impede-o de “arrastar” para baixo e camadas suaves dão elevação. Peça para desbastar o mínimo possível e foque-se em volume na raiz, não em “massa” nas pontas.
  • Pergunta 3: Posso manter os meus caracóis com este estilo?
    Sim, o bob fica lindíssimo em cabelo ondulado e encaracolado quando as camadas respeitam o seu padrão de caracol. O segredo é cortar caracol a caracol, muitas vezes com o cabelo seco, para a forma assentar bem quando o cabelo volta a “saltar”.
  • Pergunta 4: Tenho de pintar o cabelo para o corte ficar bem?
    De todo. Este comprimento, aliás, valoriza muito bem cabelo branco natural ou “sal e pimenta”. Uma forma bem definida dá estrutura, por isso mesmo sem cor o visual parece intencional e elegante, não acidental.
  • Pergunta 5: Com que frequência devo aparar um bob depois dos 50?
    A cada 8 a 10 semanas é o ideal para manter a linha limpa e as pontas saudáveis. Se o seu cabelo cresce devagar ou se não se importa de o ver um pouco mais comprido, pode esticar um pouco - mas depois dos três meses a forma costuma começar a perder-se.

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