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Apesar de ser vista como antiquada, esta é a preferência dos cabeleireiros para mulheres com mais de 50 anos.

Mulher de cabelo curto castanho a ser penteada num salão de cabeleireiro iluminado.

A mulher na cadeira do salão mexia no telemóvel, fingindo que não se importava. Tinha acabado de fazer 56 anos, disse à cabeleireira, e o seu corte habitual “de repente parecia pertencer a outra pessoa”. À sua volta, clientes mais novas estavam a fazer camadas desgrenhadas e franja-cortina, a deslizar no TikTok à procura de inspiração. Ela só queria uma coisa: parecer mais fresca, mais leve, menos cansada. Não mais nova exatamente, apenas… menos datada.

Quando a cabeleireira sugeriu um bob, ela revirou os olhos. “Um bob? Isso é tão… mãe numa reunião da associação de pais.”
Cinco minutos depois, com a capa apertada no pescoço e a primeira madeixa no chão, sussurrou: “Porque é que esperei tanto?”

Há uma razão para este bob “aborrecido” continuar a voltar. E pode ser o corte que muda tudo, discretamente, depois dos 50.

O bob “piroso” que, em segredo, favorece quase todas as mulheres depois dos 50

Diga a palavra “bob” e metade da sala vai imaginar a mesma coisa: um capacete rígido e arredondado dos anos 90. Ou pior, o corte por defeito que a sua tia fez quando disse: “Corta tudo, já não tenho paciência.” Não admira que muitas mulheres com mais de 50 fujam quando ouvem a palavra. Parece seguro. Previsível. Um bocadinho triste.

Mas fale com qualquer cabeleireiro experiente e vai ouvir uma história diferente. O bob é o corte que eles mais recomendam depois dos 50 porque não é, na verdade, um único corte - é uma família inteira. Reto, em camadas, francês, ondulado, assimétrico, à altura do queixo ou a roçar a clavícula. Essa forma supostamente “pirosa” é, na verdade, uma das ferramentas mais poderosas para enquadrar o rosto e levantar os traços.

Uma stylist formada em Paris com quem falei jura pelo que chama de “bob suave” para clientes nos cinquenta e sessenta. “Elas chegam com cabelo comprido e cansado, ao qual se agarram há anos”, disse-me, “e sente-se um alívio quando cortamos.” Descreveu uma cliente, de 62 anos, que se escondia atrás de um rabo-de-cavalo baixo há uma década. O cabelo estava a rarear nas têmporas, sem volume na raiz, e demorava imenso a secar com o secador.

Acordaram num bob a roçar a linha do maxilar, com camadas invisíveis e uma risca lateral suave. “Quando ela se levantou, toda a gente no salão se virou para olhar”, recordou a stylist. A cliente não parecia mais nova naquele sentido artificial e filtrado. Parecia mais definida, mais desperta, como se tivessem aumentado o volume do seu rosto. Na semana seguinte, voltou com selfies do aniversário da neta e um sorriso enorme.

Há uma razão simples para o bob funcionar tão bem depois dos 50. Com a idade, o cabelo perde naturalmente densidade, brilho e elasticidade. Comprimentos longos podem “arrastar” o rosto para baixo, acentuando papadas, linhas profundas e faces mais cavadas. Um bob corta esse peso - literalmente e visualmente. Volta a pôr os olhos, as maçãs do rosto e o maxilar em destaque. Comprimentos mais curtos também refletem mais luz, criando a ilusão de um cabelo mais espesso e saudável.

Além disso, um bom bob joga com geometria. Um pouco mais comprido à frente suaviza um maxilar mais pesado. Um toque de volume no topo levanta subtilmente toda a expressão. Um comprimento a roçar a clavícula pode afinar o pescoço. É por isso que, para muitos profissionais, o bob não é um corte de tendência - é uma ferramenta de escultura facial. Especialmente quando o objetivo não é perfeição, mas presença.

Como pedir o bob certo depois dos 50 (e evitar o temido “capacete”)

A magia não acontece por dizer “Quero um bob”. A magia está nos detalhes. A primeira coisa que um bom cabeleireiro vai observar é a sua linha do pescoço, o maxilar e a forma como mexe a cabeça quando fala. Se tiver mais de 50, também vai avaliar onde o cabelo está a rarear, quão fortes são os remoinhos e quanto tempo, de forma realista, está disposta a dedicar ao styling.

Um bob favorecedor depois dos 50 costuma ficar algures entre a base da orelha e o topo dos ombros. À altura do queixo dá um enquadramento mais marcado e gráfico. À altura da clavícula - muitas vezes chamado “bob comprido” (lob) - é mais suave e mais fácil se estiver nervosa com a ideia de cortar muito. A palavra-chave no salão é “suavidade”: contornos suaves, camadas suaves, movimento suave. Esse detalhe transforma o corte de rígido em luminoso.

Há uma armadilha em que muitas mulheres caem quando finalmente aceitam cortar o cabelo: dizem “Faça o que achar melhor”, enquanto por dentro entram em pânico. Depois chegam a casa com um bob que parece a cabeça de outra pessoa. Uma conversa honesta importa. Pode dizer: “Não quero nada demasiado arredondado”, ou “O meu pescoço é a minha parte favorita, vamos destacá-lo”, ou “Preciso de conseguir pôr atrás das orelhas.”

Os profissionais também veem o mesmo arrependimento repetidamente: deixar a parte de trás demasiado curta e escalonada. Numa mulher de 25, esse bob graduado pode parecer arrojado. Depois dos 50, em cabelo mais fino, pode ficar com ar de “mãe do futebol” num instante. Peça antes uma nuca um pouco mais reta, com camadas pequenas e escondidas para dar movimento. E respire: tem o direito de dizer que não se sentir que o corte está a ir numa direção que não parece a sua.

Há alguns truques técnicos que fazem a diferença entre “bob piroso” e “bob sem esforço”. Muitos profissionais cortam agora o perímetro mais reto e depois acrescentam microcamadas no interior, para o cabelo cair limpo sem ficar duro. Um acabamento suave e “quebrado” nas pontas também mantém o visual atual. Um stylist de Londres que entrevistei resumiu assim:

“Depois dos 50, quero que o cabelo pareça que está a mexer mesmo quando a minha cliente está parada. Esse é o segredo. Cabelo rígido envelhece; movimento perdoa.”

Para ajudar o seu cabeleireiro a traduzir esta ideia, pode pedir especificamente:

  • Um comprimento entre o maxilar e a clavícula, conforme o seu conforto
  • Camadas leves e invisíveis dentro do corte para movimento, não “torres” de volume
  • Um ligeiro alongamento à frente para enquadrar o rosto e suavizar o maxilar
  • Textura nas pontas em vez de um efeito “tigela” duro e arredondado
  • Uma risca que respeite a queda natural, não uma linha forçada e difícil de manter

Viver com o seu bob: confiança, cuidado e uma revolução silenciosa

Depois de passar o primeiro choque do cabelo mais curto, acontece muitas vezes algo curioso. As mulheres dizem sentir-se estranhamente mais leves - não só na cabeça, mas no dia a dia. A rotina da manhã encolhe. O tempo de secagem corta para metade. Aquele coque resignado que fazia “só para ir à mercearia” pode desaparecer discretamente. Apanha o seu reflexo numa montra e, por um segundo, não vê “a sua idade” - vê apenas o seu rosto outra vez.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias - a escova perfeita, a escova redonda, o sérum, o spray. Um bom bob aceita essa realidade. É cortado para assentar decentemente quando seca ao ar, para trabalhar com a sua textura natural, para continuar a parecer intencional nos dias em que só tem três minutos e uma escova pá. Talvez seja por isso que tantos cabeleireiros o recomendam depois dos 50: respeita a vida real.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Comprimento personalizado Escolha entre queixo e clavícula com base no formato do rosto e no conforto Maximiza o efeito “lift” e a confiança sem parecer “demasiado curto”
Movimento suave Camadas invisíveis e pontas texturadas em vez de escalonamento pesado Evita o efeito capacete e mantém um ar moderno, não datado
Styling de baixa manutenção Corte adaptado à textura natural e a hábitos diários realistas Ajuda a parecer cuidada sem precisar de técnica de salão

FAQ:

  • O bob serve mesmo a todos os formatos de rosto depois dos 50? Não exatamente o mesmo bob, mas alguma versão costuma servir. Rostos redondos beneficiam de um bob ligeiramente mais comprido, a roçar a clavícula, com risca ao lado. Maxilares quadrados ou mais fortes são suavizados com uma frente um pouco mais comprida do que a parte de trás. Rostos em forma de coração ficam muitas vezes ótimos com um bob à altura do queixo, com camadas leves.
  • Cortar o cabelo em bob vai fazê-lo parecer mais espesso? Muitas vezes, sim. Tirar peso e pontas danificadas permite que o cabelo ganhe elasticidade e reflita mais luz. Um contorno reto - ou suavemente reto - pode criar a ilusão de densidade, especialmente em cabelo fino ou a rarear, o que é comum depois dos 50.
  • Com que frequência devo aparar um bob? A cada 6 a 8 semanas mantém a forma definida sem ser demasiado exigente. Se o seu cabelo cresce rápido ou gosta de uma linha muito precisa, 5 a 6 semanas funciona melhor. Esticar para 10–12 semanas costuma fazer o corte “cair” e perder a estrutura que favorece.
  • Posso usar bob se tiver caracóis ou ondas? Sim, e pode ficar deslumbrante. O segredo é cortar no cabelo seco ou quase seco, para o profissional ver como cada cacho “salta”. Regra geral, vai querer um pouco mais de comprimento para permitir a formação do caracol e camadas suaves para evitar a forma triangular. Defina com um creme ou gel leve e evite séruns pesados.
  • E se me arrepender de cortar mais curto? Comece com um lob que roça os ombros ou a clavícula. Viva com ele algumas semanas. Se gostar da sensação, pode ir encurtando gradualmente. O cabelo volta a crescer, e um bom profissional consegue suavizar qualquer corte que pareça demasiado severo, acrescentando textura e movimento.

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