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Ajustar a temperatura ideal na bomba de calor faz diferença na conta e no conforto.

Pessoa ajusta termóstato na parede de uma sala iluminada, decorada com plantas e sofás.

A mulher está de pé em frente ao termóstato, com um hoodie grosso vestido.

O ecrã mostra 19°C. Ela toca no botão uma vez, duas, até marcar 22°C. A bomba de calor começa a zumbir mais alto, um suspiro mecânico grave no corredor. Na divisão ao lado, o companheiro murmura: “Sabes que isso nos vai custar, certo?” Ela revira os olhos, mas não baixa a temperatura. A casa aquece devagar - e a culpa também.

Os preços da energia dispararam, depois acalmaram um pouco, mas não o suficiente. Toda a gente continua a dizer que as bombas de calor são “eficientes” e “verdes”, e depois a fatura cai na tua caixa de e-mail e o estômago dá um nó. Foi o tempo? O isolamento? As crianças a mexer no termóstato? Ou aquele número no ecrã em que mal pensas.

Há uma temperatura específica em que tudo muda. Em que o conforto finalmente encontra uma fatura razoável. E quase ninguém fala disso.

O grau exato que muda tudo

A maioria das pessoas trata a bomba de calor como tratava uma caldeira a gás: frio, depois de repente quente, e depois volta a baixar quando a fatura dói. O problema é que uma bomba de calor não gosta dessa montanha-russa. Prefere algo calmo, estável, quase aborrecido. E isso começa com um detalhe pequeno: a temperatura de referência com que vives todos os dias.

Pergunta a vizinhos na tua rua e vais ouvir os mesmos números: “Pomose 21°C quando estamos em casa, 18°C à noite.” Parece razoável, quase tradicional. Só que, para bombas de calor modernas, esse velho hábito é exatamente o que as faz engolir eletricidade. O ponto ótimo, segundo a maioria dos testes no terreno e dos fabricantes, é mais baixo e muito mais estável: à volta de 19°C a 20°C.

Essa diferença mínima de 1°C ou 2°C é onde a tua bomba de calor passa de “máquina eficiente” a “diva com fome de energia”. A física por trás disto é brutalmente simples.

Eis a verdade desconfortável: cada grau extra no termóstato costuma acrescentar cerca de 6 a 10% ao consumo de aquecimento. Numa bomba de calor a funcionar todo o inverno, isto acumula rapidamente. Se estás nos 22°C, baixar para 20°C de forma estável pode cortar bem mais de 15% na fatura. Não é um pequeno ajuste de estilo de vida - é a diferença entre “ai” e “ok, conseguimos aguentar”.

Os dados do mundo real confirmam. Num estudo de campo francês de 2023 com mais de 1.000 casas com bombas de calor ar-água, os agregados que mantiveram um setpoint estável à volta de 19–20°C gastaram visivelmente menos eletricidade do que os que andavam nos 21–22°C e faziam reduções fortes durante a noite. Os quilowatt-hora não eram apenas números. Eram jantares fora, férias, poupanças.

Um proprietário em Lyon partilhou os registos: primeiro inverno com média de 21,5°C, segundo inverno com 19,5°C. Mesma casa, mesma família. O consumo de aquecimento caiu cerca de 20%. Não mexeram no isolamento. Mexeram só numa coisa: naquele número na parede. As crianças resmungaram duas semanas e depois deixaram de falar nisso.

Parece quase demasiado simples, como aquelas dicas de dieta que prometem milagres se “apenas” deixares o açúcar. Mas, com bombas de calor, a lógica é sólida. Estas máquinas funcionam movendo calor, não criando-o. Quanto menor for a diferença entre a temperatura exterior e o teu setpoint, mais fácil é o trabalho delas. Quando as empurras para 22–23°C num dia frio, estás a pedir-lhes que subam uma encosta mais íngreme. Elas conseguem - mas suam eletricidade.

A eficiência de uma bomba de calor (o COP) baixa à medida que a diferença de temperaturas aumenta. Portanto, aquele “só mais um grau porque estou com frio” é, na prática, “paga mais 8% durante os próximos meses”. O ponto ótimo à volta de 19–20°C mantém a inclinação controlável. Os radiadores ou o piso radiante trabalham mornos, em vez de escaldantes. O sistema faz ciclos suaves em vez de ligar/desligar aos solavancos. E a fatura começa a contar outra história.

O truque simples de configuração que os proprietários mais espertos usam

Se só te lembrares de um gesto: escolhe um alvo e depois deixa de mexer. Esse é o método. Para uma bomba de calor moderna numa casa razoavelmente isolada, o número “mágico” costuma ser 19°C ou 20°C, 24 horas por dia, incluindo à noite. Sem quedas bruscas. Sem modo “eco” que te baixa para 16°C enquanto dormes. Apenas um clima calmo e constante.

Acordas - parece normal. Trabalhas a partir de casa - continua normal. À noite, talvez calces umas meias em vez de subir o termóstato para 22°C. Ensinas o teu corpo a um novo “baseline”. E a bomba, em troca, recompensa-te com ciclos longos e de baixa potência, em que vai “bebendo” eletricidade em vez de a engolir em rajadas curtas.

Em muitos controladores, isso significa passar de “liga/desliga com grandes saltos” para um setpoint fixo, por vezes combinado com compensação meteorológica. O instalador pode tê-la deixado nas definições de fábrica, que não combinam com a tua vida. Vale a pena abrir esse manual, nem que seja uma vez. Sim, esse livrinho aborrecido na gaveta pode valer dinheiro a sério.

A nível humano, isto não é só conversa técnica. É sobre hábitos, conforto e aquelas pequenas negociações diárias contigo mesmo. Um dos erros mais comuns é o aquecimento “iô-iô”: gelado o dia todo, chegas tarde a casa, e aumentas a bomba de calor para 23–24°C “só para aquecer rápido”. A máquina tenta, a tua fatura chora, e tu continuas com frio porque paredes e chão ainda não acompanharam.

Sejamos honestos: ninguém faz isto com rigor todos os dias. Ninguém ajusta cuidadosamente 0,5°C, regista consumos e otimiza curvas como um engenheiro de AVAC. Chegas a casa cansado, carregas na seta para cima duas ou três vezes e depois esqueces. É exatamente por isso que um setpoint fixo, ligeiramente mais baixo, é tão valioso. Protege-te de ti próprio quando estás exausto.

Outra armadilha frequente: reduções agressivas à noite. Baixar para 16–17°C fazia sentido com caldeiras antigas e pouco eficientes. Com uma bomba de calor, obrigar o sistema a reaquecER a casa todas as manhãs a partir de bem abaixo dos 18°C é como pedir a um ciclista que comece cada volta no fundo de uma subida íngreme. Uma descida suave de no máximo 1°C costuma ser suficiente para conforto e poupança.

“A maior mudança para os nossos clientes não é a tecnologia”, explica um instalador de bombas de calor em Bristol. “É ensiná-los que devagar e constante ganha. Definam 19,5°C, afastem-se e deixem a máquina trabalhar. Quando finalmente experimentam, percebem que a casa fica mais uniforme e a fatura deixa de dar picos.”

Esse “devagar e constante” merece um lembrete próprio. Aqui vai um resumo rápido para teres em mente quando te apetecer tocar outra vez no termóstato:

  • Cada grau extra ≈ +6–10% de consumo
  • Melhor equilíbrio conforto/preço: cerca de 19–20°C, estável
  • Redução noturna: 0–1°C, não 3–4°C
  • Pensa em calor longo e suave, não em “rajadas” rápidas
  • A roupa adapta-se mais depressa do que a tua bomba de calor

Uma nova forma de pensar o calor em casa

Quando começas a brincar com aquele intervalo específico - 19°C, 19,5°C, talvez 20°C em dias de mau tempo - algo muda. Começas a reparar no clima de fundo da tua casa, em vez de só nos momentos em que estás a gelar ou a suar. O calor deixa de ser um botão de ligar/desligar e passa a ser uma espécie de “envelope” suave em que vives.

As pessoas falam abertamente de renda, preços dos alimentos, combustível. A energia é mais discreta, quase íntima. Está ligada à forma como dormes, como os teus filhos brincam no chão, como te sentes na tua própria sala. Partilhar o número exato do termóstato parece estranhamente pessoal, como revelar o salário. E, no entanto, é aí que está a magia prática - quase aborrecida. Um grau para cima, um grau para baixo, e o teu inverno muda de rumo.

Essa definição precisa na tua bomba de calor não é uma bala de prata. Se as janelas deixam entrar ar, se o sótão está por isolar, se vives numa casa antiga e ventosa, a máquina não faz milagres. Ainda assim, essa escolha silenciosa entre 19°C e 22°C é totalmente tua. Sem mudanças de política. Sem subscrições de gadgets “inteligentes”. Só tu, um ecrã pequeno, e uma decisão que se repete a cada hora de cada dia frio.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Setpoint ideal Manter a bomba de calor à volta de 19–20°C, estável de dia e de noite Reduz a fatura mantendo um clima interior confortável e constante
Impacto de 1°C Cada grau extra pode acrescentar 6–10% ao consumo de aquecimento Torna muito concreto o custo de “só um bocadinho mais quente”
Evitar grandes descidas Limitar as descidas noturnas a 0–1°C em vez de 3–4°C Ajuda a bomba de calor a trabalhar com eficiência, com menos reaquecimentos “famintos” de energia

FAQ:

  • Qual é a melhor temperatura para definir na minha bomba de calor no inverno? A maioria das casas com isolamento decente encontra o ponto ideal à volta de 19–20°C ao longo de todo o dia. Podes ajustar em passos de 0,5°C para encontrares o teu limite de conforto sem disparar a fatura.
  • 19°C é mesmo confortável para o dia a dia? Para muita gente, sim - sobretudo com meias quentes e uma camisola. O conforto também vem de temperaturas estáveis e superfícies quentes, não apenas do ar. Ao fim de algumas semanas, a maioria das famílias refere que 19–20°C passa a parecer normal.
  • Devo baixar a temperatura à noite com uma bomba de calor? Uma pequena descida é aceitável, mas evita quedas grandes. Aponta para menos 0–1°C à noite. Descidas grandes obrigam a bomba a trabalhar mais de manhã, o que pode gastar mais energia e ser menos confortável.
  • Aumentar o termóstato aquece a casa mais depressa? Não. A bomba de calor não sopra ar mais quente só porque defines 24°C em vez de 20°C. Apenas trabalha durante mais tempo e arrisca ultrapassar a temperatura, o que significa energia desperdiçada para o mesmo conforto no fim.
  • E se a minha família quiser temperaturas diferentes em divisões diferentes? Usa zonamento e válvulas termostáticas quando possível, mas mantém o setpoint principal do sistema dentro do intervalo 19–20°C. Aquece ligeiramente as divisões-chave com ajustes locais em vez de empurrar a casa toda para 22–23°C.

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