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Adeus cozinhas industriais frias; estilo mais acolhedor está a substituí-las nas novas construções.

Casal sorridente na cozinha moderna, preparando limões frescos sobre uma bancada de mármore ao lado de um vaso de plantas.

Já não são só armários cinzentos de alto brilho, betão “cru” e LEDs frios a deixar tudo com aspeto de laboratório. Em muitas cozinhas novas, o pedido mudou: menos “restaurante”, mais casa. Luz quente, madeira com veio visível, têxteis simples e detalhes que não parecem saídos de um showroom.

Não é apenas uma moda “acolhedora”. É uma resposta prática a cozinhas que passaram a ser também escritório, zona de estudo e ponto de encontro - e que, com materiais demasiado duros, parecem ruidosas e cansativas.

Do gelado ao discretamente quente: porque é que as cozinhas industriais estão a desaparecer

Por volta de 2015, o briefing era claro: linhas retas, tons frios, metal, preto mate e superfícies brilhantes “fotogénicas”. Funcionava bem em fotografias, mas no dia a dia muita gente sente essas cozinhas como impessoais: ecoam mais, sujam-se “à vista” (dedadas e marcas) e cansam quando passamos lá horas.

A pandemia acelerou a mudança: quando a cozinha vira sala multiusos, o “industrial chic” pode soar agressivo. O que se procura hoje continua a ser moderno - só que mais calmo: cantos arredondados, cores discretas, texturas naturais e menos coisas expostas.

Há também um motivo muito prático: superfícies muito refletoras (alto brilho, inox dominando, iluminação branca-fria) amplificam a desarrumação visual. Em vez de ajudar a “parecer limpa”, acabam por denunciar tudo. Materiais mate/acetinados e luz mais quente disfarçam melhor o uso normal sem parecerem “pesados”.

Um erro comum é pensar que isto exige obras: muitas pessoas começam por “amaciar” o que já existe - trocar luz, acrescentar madeira e tecido, e melhorar a arrumação - e só depois decidem se faz sentido mexer em frentes, bancada ou revestimentos.

Como os designers estão a suavizar cozinhas de construção nova - e como pode fazer o mesmo

O maior “antes e depois” costuma vir da luz. Em vez de depender só de focos no teto, funciona melhor uma iluminação em camadas:

  • Luz geral + luz de tarefa (sob armários/prateleiras) + luz de ambiente (pendente/aplique).
  • Para um ambiente mais acolhedor, muitas casas ficam mais confortáveis com lâmpadas entre 2700K e 3000K e, se possível, CRI alto (≈90+) para a comida e as cores não ficarem “mortas”.

Nos materiais, a suavidade vem mais do acabamento do que do “luxo”:

  • Metais como níquel escovado ou latão tendem a ler-se menos “clínicos” do que cromado espelhado.
  • Madeira verdadeira (mesmo que seja só numa prateleira ou tabuleiro) aquece mais do que imitações muito uniformes.
  • Em bancadas e revestimentos, acabamentos acetinados/mate costumam ser mais indulgentes com marcas e reflexos do que alto brilho (com a contrapartida de exigirem atenção à limpeza em materiais porosos).

Se a sua cozinha parece fria, o atalho mais rápido é mesmo o têxtil - mas com bom senso. Um tapete ou passadeira reduz eco e “quebra” a dureza, desde que seja lavável e com base antiderrapante (cozinha + água/óleo é receita para escorregar). Estores/repuxos em tecido natural e almofadas em bancos também ajudam, desde que não fiquem encostados à zona de confeção.

Outra melhoria pouco falada: som e conforto. Cozinhas muito duras (pedra + vidro + teto liso) ficam barulhentas. Cortinas, tapetes, cadeiras estofadas e até um painel/lambrim de madeira podem reduzir a sensação de “caverna”, especialmente em open space.

Suavizar não é “voltar ao rústico temático”. Trocar frieza por excesso de “quinta” (demasiado envelhecido, vigas falsas, letreiros decorativos) também parece forçado. A regra que costuma resultar: poucas peças, boa textura.

E atenção à armadilha do “anti-minimalismo” virar desarrumação: prateleiras abertas funcionam melhor quando são limitadas e com um ou dois conjuntos coerentes (por exemplo: 3–5 peças bonitas e úteis), mantendo o resto em arrumação fechada. Uma superfície livre (bancada ou mesa) faz a cozinha respirar.

Por fim, um ponto que melhora conforto e “sensação de limpeza” mais do que trocar puxadores: ventilação. Um exaustor bem dimensionado e usado de forma consistente reduz cheiros, gordura nos móveis e humidade (muito relevante em apartamentos e cozinhas em open space). Mesmo sem obras, às vezes compensa rever filtros e hábitos de uso.

“A cozinha moderna já não é prova de que tem facas afiadas e eletrodomésticos caros”, diz a designer de interiores londrina Carla Marsh. “É prova de que a sua casa consegue acolher o seu dia a dia sem o fazer sentir-se um convidado nela.”

  • Troque a iluminação fria por luz quente e em camadas para mudar o ambiente sem obras.
  • Introduza madeira verdadeira (nem que seja uma tábua grande, um tabuleiro ou prateleira) para equilibrar sintéticos e metal.
  • Use tecido de forma segura: tapete lavável com antiderrapante e estores simples, longe da zona de calor.
  • Esconda o que “grita”: cestos, cortina em linho em prateleiras inferiores, ou vidro canelado para reduzir ruído visual.
  • Deixe uma superfície maioritariamente livre para a cozinha parecer habitável - e não caótica.

A cozinha emocional: para onde caminha a próxima tendência

A tendência maior não é “mais bege” ou “menos inox”. É tratar a cozinha como um espaço que aguenta vida real: refeições a horas diferentes, trabalhos de casa na mesa, conversas demoradas, coisas em cima da bancada - sem que a divisão pareça hostil.

As cozinhas novas mais bem pensadas estão a favorecer conforto e uso diário: recantos para sentar, bancos corridos, iluminação mais baixa e quente, e menos superfícies a refletir tudo. Em vez de uma cozinha para impressionar visitas, uma cozinha que dá vontade de ficar - numa terça-feira normal.

Isto não tem um fim definitivo. O industrial pode voltar, como quase tudo no design. O que tende a ficar é a pergunta por trás da mudança: este espaço facilita o meu dia a dia - ou obriga-me a estar sempre “em pose”?

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Materiais suaves Madeira, têxteis e acabamentos mate/acetinados em vez de brilho e metal dominante Ajuda a aquecer sem parecer “temático”
Iluminação em camadas Geral + tarefa + ambiente (muitas vezes 2700–3000K) Mudança rápida com grande impacto
Conforto do dia a dia Arrumação mais discreta, menos reflexos, melhor acústica e ventilação Cozinha mais fácil de viver e manter

FAQ:

  • A tendência da cozinha industrial acabou mesmo? Não totalmente. Em muitas construções novas, perde força para visuais mais quentes e menos “showroom”, mas pode continuar a funcionar quando é equilibrada com luz e materiais naturais.
  • Posso suavizar uma cozinha industrial sem a substituir? Sim. Comece por iluminação (temperatura e camadas), depois têxteis e um ou dois elementos em madeira; só depois avalie pintura, frentes ou bancada.
  • Que cores parecem mais suaves numa cozinha de construção nova? Brancos quentes, tons de argila, “cogumelo”, greige, verde sálvia e azuis suaves tendem a reduzir a frieza de cinzentos escuros e branco puro.
  • Tenho de abdicar dos meus eletrodomésticos em inox? Não. Normalmente resulta melhor equilibrar o inox com madeira, tecidos e luz mais quente do que tentar escondê-lo todo.
  • Como evito que a cozinha pareça desarrumada? Exponha poucos objetos (e úteis), mantenha uma superfície livre e use arrumação fechada/cestos para o resto - prateleiras abertas com edição, não com acumulação.

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