Sem reflexos ofuscantes, sem “espelho” na ilha, sem impressões digitais a brilhar ao primeiro raio de sol. Em vez disso: superfícies suaves, com baixa reflexão, que deixam a cozinha parecer mais calma e habitável. As cozinhas mate e texturizadas não gritam “novo”; funcionam melhor no dia a dia - e isso nota-se.
Durante anos, o alto brilho foi o padrão: lacados brilhantes, brancos intensos, tudo muito “limpo”. Hoje, muitas dessas cozinhas parecem frias e exigentes: qualquer gota, risco ou marca fica à vista. O mate e a textura não eliminam a sujidade, mas reduzem o ruído visual e tornam o espaço mais confortável para viver (e repetir).
A revolução silenciosa das cozinhas mate e texturadas
A mudança foi gradual. Começou em detalhes fáceis de trocar: torneiras e puxadores em preto mate, eletrodomésticos com acabamento escovado, bancadas menos polidas. Depois chegou às frentes dos armários - e, a partir daí, o alto brilho começou a parecer datado em muitas casas.
O motivo é simples: descanso visual. Superfícies mate absorvem luz em vez de a devolver, o que reduz encandeamento (especialmente com janelas grandes e LEDs fortes). Texturas subtis “quebram” reflexos e ajudam a disfarçar micro-riscos e marcas do uso diário.
Também há um lado prático que pesa cada vez mais, sobretudo quando a cozinha faz de tudo: refeições, trabalho, TPC, videochamadas. O alto brilho reflete ecrãs, pontos de luz e movimentos; o mate reduz essa distração. E, em tons escuros, a diferença pode ser enorme.
Alguns retalhistas europeus têm referido uma preferência crescente por frentes mate nos últimos anos, enquanto o alto brilho perde espaço. Mais do que “tendência”, parece uma mudança de prioridade: menos espetáculo, mais conforto.
Um detalhe que se repete em muitos projetos: trocar apenas uma parte (por exemplo, armários superiores) de brilhante para mate, mantendo o resto. Só essa mudança costuma aquecer o ambiente e tornar a cozinha visualmente mais “silenciosa”, sem obras grandes.
Como escolher o acabamento mate ou texturado certo para a sua casa
Comece pelo essencial: toque e uso real. No showroom, abra portas, encoste a mão, passe os dedos junto às arestas. Há mates sedosos (mais “aveludados”) e mates mais duros (mais técnicos). Em casas com crianças, animais ou muito uso, a diferença na resistência a marcas e limpeza nota-se.
Leve amostras para casa e teste com a sua luz - isto é ainda mais importante em Portugal, onde a luz natural muda muito entre uma cozinha virada a norte e outra com sol direto.
- Veja de manhã e à noite.
- Encoste à parede, pavimento e bancada.
- Compare junto a inox/pretos dos eletrodomésticos.
Um guia rápido que evita arrependimentos:
- Tons escuros + mate ficam incríveis, mas exigem boa iluminação. Se a cozinha é pequena ou com pouca luz, use escuros apenas em bases/ilha e mantenha superiores claros.
- Textura sim, mas pouco profunda: relevos fortes acumulam gordura e migalhas (e ficam difíceis de esfregar sem “agarrar” a esponja).
- O “anti-dedadas” é real - mas depende do material: laminados e alguns supermates técnicos tendem a disfarçar melhor marcas do que certos lacados mate, especialmente em preto.
Misturar acabamentos costuma dar melhor resultado do que escolher “tudo igual”: inferiores mais escuros para ancorar, superiores mais claros para abrir; ou uma ilha com textura (madeira/efeito pedra) e módulos lisos mate à volta. O objetivo é profundidade sem confusão.
Erros comuns (e fáceis de evitar):
- Copiar um mate muito escuro do Pinterest para uma cozinha pequena e sombria. Em vez disso, escolha um mate claro com subtom quente e aposte em luz sob armários.
- Escolher uma bancada “muito rugosa” sem pensar na rotina. Bonita ao primeiro dia, cansativa ao terceiro mês.
- Limpar mate com produtos agressivos: lixam, mancham ou criam brilho irregular. Regra prática: pano microfibra + água morna + detergente neutro; evite esfregões, pós abrasivos e excesso de lixívia.
“Os nossos clientes já não pedem ‘brilhante e branco’, pedem ‘suave e calmo’”, diz a designer de interiores Lara McNeil. “Os acabamentos mate fazem as cozinhas parecer parte da casa, não uma zona separada e estéril.”
- Priorize o toque: escolha com as mãos, não só com os olhos.
- Brinque com o contraste: misture mate e textura para evitar um aspeto plano.
- Pense no tempo: como é que o acabamento vai lidar com 5 anos de vapor, gordura, sol direto e limpezas rápidas?
O que esta mudança diz sobre a forma como queremos viver
Isto não é só estética. É cansaço de superfícies “perfeitas” que castigam o uso normal. Uma frente brilhante denuncia cada gota e cada dedo. Uma frente mate (ou com textura subtil) dá margem para viver - e limpar quando der, não quando a cozinha “exige”.
Cozinhas de baixo brilho encaixam melhor num ritmo real: canecas, mochilas, fruteira imperfeita, eletrodomésticos à vista. Não é melhor nem pior do que o minimalismo vidrado; é mais tolerante e, para muita gente, mais humano.
E há uma ironia: o mate não só fotografa bem como também aguenta melhor a vida fora da câmara - desde que o material seja escolhido com honestidade. Um lacado mate muito delicado pode sofrer com pancadas e produtos errados; um bom laminado mate pode ser mais resistente e previsível. Em remodelações com orçamento controlado, faz sentido investir no “premium” apenas onde se toca e se vê mais (ilhas, colunas, portas principais) e simplificar no resto.
| Ponto-chave | Detalhe | Vantagem para o leitor |
|---|---|---|
| O mate acalma o espaço | Baixo brilho reduz encandeamento e reflexos de janelas/LEDs | Cozinha mais confortável e menos “cansativa” |
| A textura disfarça a vida real | Grão subtil esconde micro-riscos e marcas leves | Menos stress com manutenção diária |
| Misturar acabamentos dá profundidade | Mate + madeira/efeito pedra + metais escovados | Aspeto mais rico sem obras maiores |
FAQ:
Os armários de cozinha mate são mais difíceis de limpar do que os brilhantes? Nem por isso. Em geral, laminados e lacados mate de qualidade limpam bem com pano macio e detergente neutro. O mate costuma mostrar menos impressões digitais, mas pode evidenciar “manchas de gordura” em tons muito escuros se a limpeza for feita com pano sujo ou produtos errados.
Uma cozinha mate vai fazer o meu espaço pequeno parecer mais escuro? Pode, se juntar cores muito escuras a pouca luz. Para cozinhas compactas, prefira mate claro em áreas grandes, use iluminação sob armários e traga algum brilho controlado (vidro, azulejo vidrado, inox) para devolver luz sem virar “alto brilho”.
Bancadas texturadas acumulam sujidade e migalhas? As muito rugosas, sim. O ideal é textura perceptível, mas fácil de limpar: sem ranhuras profundas. Para manutenção, uma escova macia ajuda nos poros/relevos sem estragar o acabamento.
Posso misturar acabamentos mate e brilhantes na mesma cozinha? Sim, e muitas vezes fica mais equilibrado. Um resguardo acetinado/vidrado ou azulejo com brilho leve pode iluminar sem competir com frentes mate.
Uma cozinha mate ou texturada é mais cara? Depende do material (e da marca), não só do aspeto. Há laminados mate acessíveis e mates técnicos ou texturas estruturadas mais caros. Uma forma realista de controlar custos é usar acabamentos premium em zonas de maior impacto (ilha, colunas, portas principais) e soluções mais simples nos restantes módulos.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário