Saltar para o conteúdo

Adeus armários de cozinha: a nova tendência económica que não deforma, incha nem ganha bolor com o tempo.

Mulher organiza gaveta de madeira numa cozinha iluminada, com prateleiras e plantas ao fundo.

A primeira coisa que se nota não é a falta de armários - é o espaço. A luz espalha-se melhor, a parede “respira” e a cozinha parece maior, mesmo em casas pequenas.

Uma amiga mostrou-me a sua cozinha minúscula na cidade: tirou os armários superiores e pôs calhas metálicas, 1–2 prateleiras abertas e uma bancada corrida onde antes havia um módulo volumoso. O resultado foi simples e prático: menos cantos onde a humidade se acumula, menos peças frágeis para empenar e menos “cheiros misteriosos”.

Porque é que as pessoas estão a dizer adeus aos armários de cozinha clássicos

Isto aparece cada vez mais em remodelações com orçamento controlado: em vez de filas de armários em MDF/aglomerado, usa-se arrumação aberta e mobiliário independente. Não é só estética - é uma resposta a um problema comum em Portugal, sobretudo em apartamentos com pouca ventilação: vapor + fugas pequenas + materiais “esponja” = inchaço, descolagem e bolor.

O receio é óbvio: “não vai ficar tudo sujo e desarrumado?” Em muitas cozinhas acontece o contrário, por três razões práticas:

  • Deteção rápida: quando há uma gota ou infiltração, vê-se cedo (antes de destruir a base do móvel).
  • Secagem mais rápida: com ar a circular, superfícies secam melhor e a humidade não fica presa dentro de caixas fechadas.
  • Menos material sensível: os armários económicos costumam falhar primeiro nas arestas e na base (junto ao lava-loiça/máquina de lavar loiça). Basta a fita de bordo abrir um pouco para a água entrar e o painel empolar.

Exemplo realista: a Lea vivia num T1 de 40 m². Os armários de arrendamento (aglomerado laminado) já estavam amarelados e inchados perto da máquina. Uma fuga passou duas semanas despercebida e a base desfaz-se. Em vez de “mais do mesmo”, ela montou estantes de aço, um tampo de bambu espesso, calhas com ganchos e recipientes herméticos. Ficou por menos de metade de um orçamento típico de armários novos - e, passado um ano, nada inchou porque o metal não sofre com vapor e a madeira, bem oleada, seca ao ar.

A mudança é simples: menos caixas fechadas, mais superfícies resistentes e ventiladas. Parece design, mas a vitória costuma ser durabilidade e custo.

O que está a substituir os armários: calhas, prateleiras e zonas de arrumação inteligentes

A base destas cozinhas é direta:

  • Na parede: calhas resistentes + 1–2 prateleiras profundas para o essencial.
  • Em baixo: estantes metálicas/unidades independentes a segurar um tampo de trabalho; por baixo entram cestos/caixas.
  • Fechado, mas seletivo: uma despensa alta (ou um aparador) para o que não quer à vista.

Algumas regras práticas que evitam arrependimentos:

  • Não faça “tudo aberto” de uma vez. Deixe fechado o que é volumoso, feio, raramente usado ou “visual ruído” (Tupperware desencontrado, pequenos eletrodomésticos).
  • Respeite o fogão/placa. Prateleiras com pratos e copos muito perto da zona de confeção apanham gordura. Em cozinhas com placa a gás, evite objetos pendurados demasiado baixos e mantenha distância segura da chama.
  • Capacidade e fixação importam. Prateleiras com loiça pesam muito. Em paredes de tijolo/betão (comum em Portugal), use buchas/parafusos adequados e confirme onde passam canalizações e eletricidade antes de furar.
  • Dimensões que costumam funcionar: prateleiras com 25–30 cm de profundidade e espaçamento de ~30–35 cm entre níveis cobrem o uso diário sem “invadir” a cabeça.

A ideia mais útil é dividir por “exposição”: - ao ar livre: o que usa todos os dias e seca rápido; - fechado: alimentos, papel, coisas sensíveis a pó/pragas e tudo o que quer esconder.

A parte “honesta” disto é manutenção: em arrumação aberta vê-se o pó, a gordura e a humidade. Parece pior no início, mas ajuda a resolver cedo (e evita o bolor escondido no fundo do armário).

“Depois de mudarmos para prateleiras abertas em aço, deixámos de ter aquele cheiro misterioso”, diz o Tomas. “Quando não há onde a humidade se esconder, fica muito mais fácil manter a cozinha saudável.”

  • Troque os armários superiores por calhas e 1–2 prateleiras abertas perto do fogão e do lava-loiça (mas sem colar à zona de gordura).
  • Use estantes metálicas ou bancos de madeira maciça sob um único tampo comprido, em vez de módulos embutidos.
  • Mantenha uma despensa alta ventilada ou um aparador para alimentos e aparelhos que não quer à vista.
  • Escolha materiais que lidem bem com humidade: aço pintado a pó ou inox, madeira maciça oleada, azulejo, pedra, contraplacado de qualidade bem selado.
  • Confie em caixas e frascos herméticos (bons vedantes), não em armários “selados”, para proteger alimentos da humidade e de pragas.

Uma cozinha mais barata que, na prática, dura mais

Muitas vezes esta abordagem fica mais barata logo à partida: paga-se menos carpintaria à medida, menos portas/dobradiças e menos “encaixes” difíceis. Em vez disso, compra-se o que interessa: um bom tampo, fixações decentes, prateleiras sólidas e (se fizer sentido) uma única despensa de qualidade.

No dia a dia, a vantagem é a manutenção: trocar uma prateleira, um cesto ou uma estante é simples e não obriga a desmontar uma cozinha inteira. E como há menos “caixas” a tocar no chão e a prender humidade, reduz-se o risco de danos caros por água.

O trade-off é real: vai limpar superfícies visíveis mais vezes (passagens rápidas) - mas tende a evitar limpezas profundas e desagradáveis dentro de armários engordurados e húmidos.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Arrumação aberta e baseada em calhas Substitui muitos armários superiores por prateleiras e ganchos Menos empeno e deteção mais cedo de humidade/fugas
Unidades independentes e estantes Estruturas em metal ou madeira maciça sob um tampo comum Mais fácil de reparar, mover e adaptar à casa
Arrumação fechada selectiva Uma despensa alta + recipientes herméticos Protege alimentos sem criar “bolsas” de bolor

FAQ:

  • Uma cozinha aberta, sem armários, não acumula pó e gordura? Acumula algum, sobretudo perto do fogão. A diferença é que uma limpeza leve e frequente (e um bom exaustor/ventilação) costuma ser mais simples do que limpar interiores de armários engordurados.
  • Esta tendência é só para estilos “industriais” ou minimalistas? Não. Funciona em rústico, escandinavo, vintage ou moderno - o resultado depende mais dos materiais (madeira, azulejo, cor do metal) do que do sistema em si.
  • Como evitar que a desarrumação tome conta das prateleiras abertas? Limite prateleiras ao “uso diário”, mantenha um único ponto fechado para o resto e agrupe pequenos itens em cestos/caixas iguais.
  • Posso fazer isto numa casa arrendada sem grandes obras? Em muitos casos, sim: retire portas e guarde-as, use estantes independentes e uma despensa autónoma. Para calhas/prateleiras, confirme com o senhorio e faça furos mínimos e reversíveis.
  • Que materiais têm menos probabilidade de empenar ou ganhar bolor? Aço pintado a pó ou inox, contraplacado de qualidade bem selado, azulejo/pedra e madeira maciça oleada (manutenção simples e periódica) tendem a aguentar melhor cozinhas húmidas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário