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Adeus à mesa de jantar: a nova tendência internacional que a substitui definitivamente nas casas.

Mulher a trabalhar num laptop numa cozinha moderna, com fruta e salada sobre a bancada de madeira.

As travessas equilibram-se no braço do sofá, o portátil está aberto na mesa de centro e alguém pergunta: “Podes tirar os joelhos? Estou a tentar não entornar a sopa.” A televisão murmura ao fundo; ninguém está realmente a olhar, mas também ninguém se levanta. Nesta sala de estar, como em tantas outras, a grande mesa de jantar de madeira na divisão ao lado está impecavelmente posta. Velas, cadeiras alinhadas, nem uma migalha à vista. E completamente deserta.

O que antes era o coração da casa agora parece um pouco uma peça de museu.

De Seul a Copenhaga, outro móvel está, discretamente, a ocupar o seu lugar.

De altar de família a superfície abandonada

Entre em apartamentos novos em Berlim, Toronto ou Barcelona e começa a reparar na mesma coisa. A clássica mesa de jantar retangular está a encolher, encostada às paredes, ou simplesmente já não existe. Em vez disso, encontra uma ilha de cozinha generosa, um balcão alto com bancos, ou uma mesa de centro larga e baixa rodeada de assentos macios, desencontrados e confortáveis.

É ali que se come. É ali que se trabalha. É ali que as crianças fazem os trabalhos de casa, curvadas sobre um portátil enquanto alguém corta legumes a 30 centímetros de distância. A “mesa” mudou-se para mais perto de onde a vida realmente acontece.

Veja-se o caso da Lena e do Marc, um casal franco-alemão que voltou de Estocolmo com dois filhos e um gato. Tinham poupado durante anos para comprar uma grande mesa de jantar em carvalho, daquelas “para a vida”. Passados três meses, perceberam que só se sentavam lá nos aniversários.

Por isso, venderam-na.

No lugar dela, prolongaram a ilha da cozinha com uma longa tábua de madeira, imperfeita, com gavetas de um lado e bancos altos do outro. Pequeno-almoço? Na ilha. Reuniões no Zoom? Na ilha. Sushi de sexta-feira à noite com os vizinhos? Outra vez na ilha. A Lena ri-se quando diz: “A nossa mesa antiga era lindíssima, mas é na ilha que nós realmente falamos uns com os outros.”

O que está a mudar não é apenas o mobiliário; é a forma como vivemos o tempo em casa. As cozinhas abertas derrubaram paredes, o trabalho remoto baralhou os horários das refeições e os espaços pequenos nas cidades simplesmente não perdoam divisões de uma só função. Uma grande mesa de jantar usada apenas em duas refeições formais por mês soa a luxo.

A nova tendência lá fora não é sobre um único objeto; é sobre superfícies multifunções que se adaptam ao dia. Bar de pequeno-almoço de manhã, secretária partilhada ao meio-dia, campo de batalha de jogos de tabuleiro à noite. A mesa de jantar tradicional, presa a uma única função, tem dificuldade em acompanhar.

Ilhas, balcões e “mesas de sofá”: como é a nova era das refeições

Se lhe apetece dizer adeus à mesa grande, o primeiro passo é muito simples: siga os seus pés. Onde é que os pratos aterram, de facto, em sua casa? No balcão da cozinha? Na mesa de centro? Naquela consola estreita junto à janela? Comece por aceitar esse sítio como o seu novo centro, em vez de lutar contra ele.

Depois, ajuste essa superfície para ser ligeiramente mais confortável para comer. Um banco mais alto, uma mesa de centro mais funda, um banco corrido com almofada. Pequenas alterações transformam hábitos reais numa escolha intencional, em vez de um compromisso culpado.

Uma armadilha comum é copiar o Pinterest sem ouvir as suas próprias rotinas. Instala um balcão alto, minimalista, porque parecia elegante num loft em Tóquio, e depois percebe que a sua criança de 5 anos não consegue subir para o banco e que os avós detestam ficar “em poleiro”. É aí que a frustração aparece e volta o mito de “devíamos comer à mesa como antes”.

Seja gentil consigo. Se muitas vezes acaba com o prato no colo, não está a falhar; está apenas a revelar uma necessidade. Pergunte: prefiro comer perto da TV, do fogão, da janela? Gosto de me sentar alto ou baixo? Sozinho ou todos lado a lado? A nova tendência de refeições lá fora funciona quando cresce das pessoas, não dos catálogos.

“A maior mudança que vemos não é menos família, é mais proximidade”, explica uma designer de interiores em Copenhaga. “As pessoas querem comer onde a vida já está a acontecer, não numa sala separada, ‘formal’, que só atravessam no Natal.”

  • Refeições na ilha da cozinha: ideal para cozinhas abertas; permite que quem cozinha continue na conversa e transforma a preparação da refeição num ritual partilhado.
  • Mesa de centro baixa e larga: funciona em salas de estar pequenas; combine com almofadas de chão ou sofás modulares para uma refeição descontraída, estilo piquenique.
  • Balcão de bar fixo à parede: perfeito para microapartamentos; desce/abre ou esconde bancos para libertar espaço no chão durante o dia.
  • Consola híbrida: estreita contra a parede e extensível para receber convidados; também serve de secretária ou estação de trabalhos manuais entre refeições.

O que ganhamos quando a mesa desaparece (e o que arriscamos)

Deixar a grande mesa de jantar não significa abdicar de refeições partilhadas. Significa redefini-las. Pode estabelecer uma regra simples: quando alguém se senta para comer no novo “sítio”, os ecrãs desaparecem durante 20 minutos. Sem grandes declarações, apenas um hábito tranquilo, ancorado a um lugar e não a uma peça de mobiliário.

Acenda uma vela na ilha durante a semana. Ponha uma toalha de mesa a sério sobre a mesa de centro aos domingos. Pequenos rituais transformam uma superfície casual num momento.

Todos já passámos por isso: aquele instante em que promete a si mesmo que vai “comer como deve ser à mesa todas as noites” e, três dias depois, está de novo no sofá com uma taça. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar.

O risco não é deitar fora a mesa; o risco é deixar as refeições dissolverem-se por completo em scroll infinito e petiscar. Casas lá fora que adotaram esta tendência com sucesso costumam manter um inegociável: continuam a sentar-se juntos, mesmo que “juntos” agora signifique três pessoas alinhadas ao balcão ou enroscadas à volta de uma mesa baixa. Contacto visual e comida partilhada contam mais do que a altura das pernas da mesa.

A verdade simples é que as tendências de mobiliário mudam, mas a necessidade de abrandar uma vez por dia não.

Algumas famílias no estrangeiro criaram uma regra “sem vergonha” para as suas novas soluções. Nada de pedir desculpa por comer na ilha. Nada de fingir que a sala de jantar formal é a verdadeira se ninguém lá entra. Essa honestidade tira pressão e dá-lhe liberdade para desenhar a casa para a forma como vive agora, não para um passado imaginário.

A mesa antiga pode continuar a ter um papel: como zona criativa, suja e alegre num canto, ou como lugar de banquete uma vez por mês. No resto do tempo, a ação real acontece noutro sítio.

Uma casa sem mesa de jantar… ou com três?

Imagine andar pela sua casa e não ter uma única mesa “sagrada”, mas várias pequenas e amigáveis. Uma prateleira de bar onde bebe o café da manhã sozinho, em silêncio. A ilha da cozinha onde almoços acontecem entre emails. A grande mesa baixa rodeada de almofadas onde os amigos se recostam com um copo de vinho.

Em vez de um altar central que ninguém toca, ganha uma constelação de altares do dia a dia, cada um ligado a um hábito real. Alguns países já avançaram nessa direção. A pergunta não é se a mesa de jantar tradicional vai desaparecer, mas que tipo de espaços vão substituir a sensação que ela nos dava.

Talvez a verdadeira revolução nem seja o mobiliário. Talvez seja aceitar que a divisão mais preciosa é aquela que realmente usa, mesmo que isso signifique comer lasanha de meias à volta de uma mesa de centro que abana ligeiramente quando se ri.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Mudança da mesa formal para superfícies multifunções Ilhas de cozinha, balcões e mesas de centro tornam-se os principais locais para comer Ajuda a desenhar a casa em torno de hábitos reais em vez da tradição
Os rituais importam mais do que o mobiliário Pistas simples como velas, toalhas e pequenas regras sem ecrãs Faz com que as refeições do dia a dia se sintam especiais sem precisar de uma sala de jantar formal
Ouça as suas rotinas antes de comprar Observe onde se senta naturalmente e adapte essa área Evita erros caros e cria um espaço de que realmente gosta no dia a dia

FAQ:

  • Livrar-me da mesa de jantar é má ideia para a revenda? Não necessariamente. Muitos compradores procuram hoje espaços abertos e flexíveis. Pode sempre “encenar” uma mesa temporária para visitas com um modelo dobrável ou uma consola extensível, para tranquilizar os mais tradicionais.
  • E se eu adoro organizar grandes jantares de vez em quando? Guarde uma mesa dobrável ou extensível, ou use uma consola que se transforma. As cadeiras podem ser empilháveis ou “emprestadas” de outras divisões. Festas ocasionais não precisam de uma peça permanente e gigantesca.
  • Comer no sofá é mesmo assim tão mau? Depende de como o faz. Se está curvado, distraído e desconfortável, isso cansa. Se melhorar a solução com uma mesa baixa sólida e uma regra curta de “comemos e só depois fazemos scroll”, pode ser surpreendentemente acolhedor e social.
  • Que altura deve ter uma ilha de cozinha para refeições confortáveis? A altura clássica de bar é cerca de 105 cm com bancos à volta de 75 cm, enquanto a altura de bancada é cerca de 90 cm com bancos de 65 cm. Se puder, experimente sentar-se na loja e lembre-se de que crianças e convidados mais velhos muitas vezes preferem assentos mais baixos e estáveis.
  • Posso manter a minha mesa de jantar e ainda assim seguir esta tendência? Sim. Pode reaproveitar a mesa como superfície criativa ou de trabalho e passar as refeições diárias para um ponto mais central, como uma ilha ou uma mesa de centro. A tendência tem menos a ver com eliminar e mais a ver com alinhar o mobiliário com a vida que realmente vive.

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