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Adeus à air fryer: um novo aparelho de cozinha oferece nove métodos de confeção, muito além da fritura tradicional.

Cozinha com panela elétrica, frango assado e vários pratos, incluindo pão, arroz e citrinos fatiados.

A fritadeira de ar quente em cima da minha bancada costumava ser a estrela da cozinha. Deixava as batatas fritas congeladas estaladiças, aquecia a pizza de ontem e dava-me uma certa satisfação presunçosa sempre que dizia: “É como fritar, mas com quase nada de óleo.” Depois, numa noite, uma amiga entrou com uma caixa volumosa que parecia uma mini nave espacial. Pousou-a mesmo ao lado da minha fiel fritadeira de ar quente e disse: “Isto faz nove métodos de cozinhar. Talvez queiras sentar-te.”
Eu ri. Depois vi-a saltear legumes, cozinhar salmão a vapor, grelhar frango, cozinhar lentamente um guisado e ainda ter opções que eu nem tinha visto.

No fim do jantar, a minha querida fritadeira de ar quente de repente pareceu… pequena.

Da febre da fritadeira de ar quente à obsessão pelo tudo-em-um

Nos últimos anos, a fritadeira de ar quente tornou-se a mascote não oficial da cozinha caseira “preguiçosa mas a tentar”. As redes sociais estavam cheias de cestos de batatas douradas e asas de frango perfeitamente estaladiças. Já todos passámos por isso: aquele momento em que atiras uns nuggets congelados lá para dentro e sentes que desbloqueaste a vida adulta.

Depois, o multicooker tudo-em-um começou a aparecer discretamente. Não apenas uma panela de pressão, não apenas uma slow cooker, mas uma máquina que consegue fritar, cozinhar a vapor, saltear, cozer no forno, grelhar, assar, desidratar, reaquecer e até levedar massa. De repente, a pergunta já não era “Tens uma fritadeira de ar quente?” mas “Porque é que estás a usar três eletrodomésticos diferentes para um jantar?”

Um jovem casal com quem falei, num apartamento pequeno numa cidade, já tinha passado por duas fritadeiras de ar quente. Ambas faziam o seu trabalho, mas as bancadas estavam a ficar cheias: panela de arroz, mini forno, slow cooker, liquidificador, torradeira, mais a fritadeira brilhante. Quando levaram para casa um aparelho de nove funções, fizeram uma mudança radical: arrumaram quase tudo o resto.

No primeiro domingo, programaram-no para cozinhar lentamente um chili enquanto estavam fora. Nessa noite, usaram a função de grelhar para legumes. No dia seguinte, fizeram dumplings a vapor ao almoço e depois desidrataram fatias de maçã para snacks. A conta da eletricidade desceu ligeiramente, mas a maior mudança foi visual. Pela primeira vez, a cozinha parecia calma. Só uma máquina grande e capaz a trabalhar discretamente num canto.

O que está realmente a acontecer é uma mudança silenciosa na forma como pensamos sobre equipamentos de cozinha. A fritadeira de ar quente resolveu um problema: comida rápida e estaladiça com menos óleo. A nova geração de dispositivos tudo-em-um aponta para outro alvo: uma só caixa que se adapta à tua vida, ao teu espaço e aos teus níveis de energia.

Já não se trata de ter o gadget que toda a gente tem. Trata-se de não andar a fazer malabarismos com dez aparelhos diferentes só para preparar o jantar. Quanto mais funções concentras numa máquina, menos tens de pensar em pré-aquecer o forno, tirar a frigideira ou lavar três tachos. Essa simplificação mental pode ser a verdadeira revolução.

Nove métodos de cozinhar, uma bancada: como funciona na prática

O coração destes novos aparelhos tudo-em-um é a sua “pilha” de modos de confeção: vários programas à volta do mesmo sistema de aquecimento. Normalmente, encontras pelo menos nove: fritar com ar, cozer por convecção, assar, grelhar, cozinhar a vapor, saltear, cozinhar lentamente, cozinhar sob pressão e desidratar. Alguns ainda acrescentam extras como levedar massa, fazer iogurte ou sous-vide.

O gesto-chave é quase desiludentemente simples. Preparas a comida num tacho ou num tabuleiro, fechas a tampa, escolhes um modo e deixas a máquina ajustar o calor, a velocidade da ventoinha e o tempo. Em vez de pensares “Preciso de uma frigideira ou do forno?”, pensas “Quero isto estaladiço, macio ou tão tenro que se desfaz?” O aparelho traduz esse desejo num método.

A armadilha em que muita gente cai com estas máquinas é tentar usar as nove funções logo na primeira semana. Percorrem receitas, ficam sobrecarregados e o aparelho arrisca transformar-se em… mais um trambolho a ganhar pó. Há uma forma mais suave de lidar com isto.

Começa por três funções que já usas noutro lado: talvez fritar com ar em vez do teu aparelho antigo, cozinhar lentamente em vez de usar um tacho separado, cozinhar a vapor em vez do cesto no fogão. Faz três ou quatro pratos familiares assim. Quando as tuas mãos memorizarem os botões e os tempos, acrescenta uma quarta função, talvez grelhar ou desidratar. Deixa a curva de aprendizagem estender-se por um mês em vez de um fim de semana. O teu cérebro precisa de confiar na máquina antes de ela substituir as outras.

“As pessoas acham que estão a comprar um gadget”, diz Léa, uma cozinheira caseira que trocou quatro aparelhos por uma unidade nove-em-um. “O que estão realmente a comprar é menos decisões às 19h30, quando toda a gente está com fome e cansada.”

Ela simplificou a sua rotina numa lista curta dentro de uma caixa que mantém no frigorífico, não como livro de receitas, mas como lembrete do que o aparelho pode fazer quando a cabeça fica em branco:

  • Noites de semana: fritar legumes com ar + grelhar proteína no mesmo tacho, em sequência.
  • Dias de trabalho cheios: cozinhar lentilhas ou feijão sob pressão para bases rápidas e saciantes.
  • Fins de semana: cozinhar guisados lentamente e depois desidratar cascas de fruta para snacks.
  • Dias quentes: cozinhar peixe e verduras a vapor sem aquecer a cozinha toda.
  • Dias de preguiça: reaquecer sobras num modo suave de convecção em vez de “rebentar” com o forno.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Ainda assim, ter uma lista curta de “movimentos de recurso” faz com que os nove modos pareçam menos um folheto tecnológico e mais um hábito de cozinha vivo e flexível.

Um novo ritmo na cozinha, para além da tendência da fritadeira de ar quente

O que estes dispositivos tudo-em-um realmente desafiam é a ideia de que cozinhar tem de ser sinónimo de malabarismo. Malabarismo com a temperatura, com as frigideiras, com os bicos do fogão, com os tempos. Quando um só tacho consegue saltear cebola, apurar um molho e depois deixar o topo estaladiço com uma grelha com ventoinha, estás a reescrever esse ritmo. Cozinhas por camadas, não no caos.

Algumas pessoas vão sempre adorar a sua fritadeira de ar quente para snacks rápidos, tal como outras juram a pés juntos pela frigideira de ferro fundido antiga. A pergunta interessante não é “A fritadeira de ar quente morreu?”, mas “Que tipo de vida de cozinha queres daqui a três anos?” Menos tralha, menos decisões, guisados mais lentos em dias úteis, ou jantares mais rápidos ao domingo?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Vários métodos num só Nove modos: fritar, cozer, assar, grelhar, cozinhar a vapor, saltear, cozinhar lentamente, cozinhar sob pressão, desidratar Substitui vários aparelhos e liberta espaço na bancada
Rotinas simplificadas Um só tacho, cozinhar “programar e esquecer” com menos loiça Menos stress e menos limpeza em dias atarefados
Uso flexível no estilo de vida Dá para refeições rápidas durante a semana e receitas lentas ao fim de semana Adapta-se a horários e níveis de energia variáveis

FAQ:

  • Um aparelho tudo-em-um é mesmo melhor do que uma fritadeira de ar quente?
    Para batatas fritas estaladiças ou nuggets, a experiência é semelhante. A diferença é que um tudo-em-um também cozinha lentamente, cozinha a vapor, salteia e assa, pelo que pode substituir muito mais aparelhos e receitas do que uma fritadeira de ar quente sozinha.
  • A comida fica tão estaladiça como numa fritadeira de ar quente clássica?
    A maioria dos multicookers modernos que inclui tampa de “air fry” ou “crisp” atinge temperaturas e fluxo de ar semelhantes. Muitos utilizadores reportam resultados comparáveis, especialmente com legumes, batatas e asas de frango.
  • Não é complicado usar nove modos de confeção?
    A interface costuma ser pensada com programas predefinidos e rótulos claros. Se começares com três ou quatro modos e fores acrescentando mais gradualmente, parece menos “aprender uma máquina” e mais descobrir atalhos.
  • Consegue mesmo substituir o meu forno?
    Para casas pequenas ou cozinha do dia a dia, consegue fazer uma grande parte do que normalmente farias no forno, desde peixe assado a bolos pequenos. Para assados grandes ou grandes quantidades, um forno completo continua a ter o seu lugar.
  • Poupa energia em comparação com aparelhos separados?
    Como a câmara de confeção é mais pequena e aquece mais depressa, e muitas vezes cozinhas num só tacho em vez de vários, muitas pessoas notam uma descida modesta no consumo de energia e uma redução clara no tempo de lavagem e preparação.

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