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A regra dos 19 °C está desatualizada: especialistas revelam a nova temperatura ideal para conforto e poupança de energia.

Pessoa ajusta um dispositivo eletrónico numa mesa com plantas e um relógio digital ao lado.

Durante anos, “19 °C” foi a regra simples para aquecer sem exageros. Hoje, com bombas de calor, casas mais estanques, mais tempo em casa e rotinas diferentes, esse número muitas vezes falha no essencial: conforto consistente com consumo previsível.

Se a sua sala está “a 19” mas continua a pedir manta, não é mania. Normalmente é combinação de superfícies frias (paredes/janelas), pouco movimento do ar, roupa leve para trabalho sedentário e humidade fora do ideal - muito comum em muitas zonas de Portugal no inverno.

Porque é que 19°C já não se encaixa na vida real

A regra dos 19 °C nasceu num contexto diferente: edifícios com mais infiltrações, aquecimento menos controlado e menos horas passadas parado em casa. Hoje, em muitas casas, o conforto deixou de depender só do “número no termóstato”.

Alguns pontos que pesam mais do que parece:

  • Saúde vs. conforto: muitas orientações de saúde pública apontam 18 °C como mínimo no inverno (sobretudo para pessoas vulneráveis). Isso não significa “confortável para todos”.
  • Cada grau conta, mas não é tudo: como regra prática, cada -1 °C pode poupar ~5–10% no aquecimento. Só que, se 19 °C o empurra para aquecedores elétricos portáteis, ciclos agressivos ou condensação, a poupança pode desaparecer.
  • Temperatura radiante manda: uma divisão a 20 °C com paredes/janelas menos frias pode sentir-se melhor do que 21 °C com vidro gelado. É por isso que casas com “pontes térmicas” ou caixilharia fraca pedem mais temperatura para o mesmo conforto.
  • Humidade é o “amplificador” (e o risco): ar muito seco costuma parecer mais frio; ar demasiado húmido aumenta a sensação de frio e favorece condensação e bolor. Em muitas casas portuguesas, o problema é mais “húmido demais” do que “seco demais”.

Em resumo: 19 °C é um atalho, mas conforto real é um equilíbrio entre temperatura do ar, superfícies, humidade, correntes de ar e hábitos.

O novo ideal: 20–21°C com hábitos inteligentes

Para muita gente, o ponto “mais fácil de viver” no inverno é 20–21 °C nas zonas de estar, com a casa a trabalhar de forma estável - e quartos a 17–18 °C (muitas pessoas dormem melhor assim).

O que tende a funcionar na prática:

  • Referência diurna: 20–21 °C onde passa mais tempo parado (sala/escritório).
  • Noite: 17–18 °C no quarto. Se tiver bomba de calor, prefira reduções pequenas (1–2 °C) para não arrefecer paredes e mobiliário.
  • Humidade: procure ~40–55% (até ~60% pode ser aceitável, mas acima disso o risco de condensação/bolor sobe muito). Se está regularmente >60%, priorize ventilação e gestão de fontes de vapor (banhos, cozinha, roupa a secar).
  • Ventilação curta e eficaz: mais vale 5–10 minutos com janelas bem abertas (idealmente com corrente de ar) do que “frestas” horas a fio, que arrefecem superfícies.
  • Ajustes de sistema realistas:
    • Bomba de calor: estabilidade e temperatura de ida mais baixa dão melhor eficiência; descidas grandes à noite muitas vezes penalizam.
    • Caldeira (especialmente de condensação): muitas vezes ganha em trabalhar com temperaturas de ida mais moderadas e ciclos mais longos, em vez de “liga/desliga” agressivo.

Erros comuns que estragam conforto e fatura: subir para 23 °C “para aquecer mais depressa”, desligar tudo e forçar arranques de manhã, secar roupa dentro sem renovar ar, e aquecer a casa toda quando só usa 1–2 divisões.

Teste simples: ajuste para 20 °C durante uma semana, sem grandes oscilações, e observe conforto + consumo + humidade. Depois ajuste 0,5 °C de cada vez.

Algumas melhorias com bom retorno (sem complicar):

  • Purgue radiadores e, se possível, baixe um pouco a temperatura de ida para calor mais constante.
  • Use compensação climática/termostato programável e evite “quedas” grandes.
  • Corte correntes de ar (fitas de vedação, caixas de estore, portas) e feche cortinas ao anoitecer; abra-as para ganhar sol de inverno.
  • Mantenha a humidade na faixa confortável e ataque a condensação (especialmente em quartos e casas de banho).
  • Faça zonamento (válvulas termostáticas/controlo por divisão): aqueça bem o que usa, mantenha o resto mais fresco.

Onde o conforto e a poupança finalmente se encontram

A mudança não é “aquecer mais”. É aquecer melhor: uma faixa curta e estável (20–21 °C de dia, mais fresco à noite) costuma reduzir a sensação de “frio que não sai” porque paredes, chão e mobiliário deixam de estar sempre atrasados em relação ao ar.

Para algumas casas e estilos de vida, 19 °C continua a ser suficiente - sobretudo com boa roupa, atividade e pouca permanência sentado. Para muitas rotinas atuais (trabalho remoto, crianças a brincar no chão, salas com vidro frio), um 20 °C estável é o ponto em que o conforto melhora sem a fatura “disparar”.

O melhor indicador é prático: menos necessidade de manta, menos picos de consumo, menos vidros a pingar. Se isso acontecer, encontrou o seu ponto. Se não, ajuste meio grau e corrija primeiro correntes de ar e humidade, que muitas vezes custam menos do que “comprar conforto” com mais temperatura.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Temperatura ideal de referência 20–21°C nas zonas de estar de dia; 17–18°C nos quartos Conforto mais previsível sem “perseguir” calor
Ponto ideal de humidade ~40–55% (evitar >60% por condensação/bolor) Sensação térmica melhor e menos problemas de humidade
Estabilidade em vez de oscilações Reduções pequenas (1–2°C), sobretudo com bomba de calor Menos picos, menos arranques, mais eficiência

FAQ

  • 19°C não é a opção mais barata? Muitas vezes é mais barato “no papel”, mas nem sempre. Se 19°C o leva a usar aquecedores elétricos portáteis, a fazer subidas bruscas ou a criar condensação (que depois obriga a ventilar mais), pode sair caro.
  • E se eu tiver uma bomba de calor? Em geral, rende mais com setpoint estável e quedas pequenas. O objetivo é evitar arrefecer paredes/mobiliário e depois pedir “recuperações” grandes.
  • 21°C vai fazer disparar a fatura? Pode aumentar - como regra prática, +1°C tende a custar mais. Por isso suba de forma gradual: experimente 20°C estável, trate correntes de ar e humidade, e só depois avalie 20,5–21°C.
  • E bebés, idosos ou pessoas com problemas de saúde? Evite interiores frios: muitas orientações apontam pelo menos 18°C, e frequentemente perto de 20°C em divisões ocupadas é mais seguro. Se houver doença respiratória/cardiovascular, siga aconselhamento clínico.
  • Os termóstatos inteligentes ajudam mesmo? Ajudam quando trazem horários suaves, zonamento e estabilidade. A “inteligência” vale pouco se for para fazer grandes oscilações e mudanças constantes.

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