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A psicologia explica que a necessidade de estar sempre ocupado costuma ser causada pela evasão emocional.

Pessoa escrevendo em caderno numa mesa com portátil, telemóvel, chávena e planta ao lado.

A ansiedade ainda nem tocou e o teu cérebro já está a fazer um sprint.
Pegas no telemóvel, espreitas os e-mails na cama, planeias mentalmente o dia no duche, ouves um podcast “produtivo” enquanto despachas o pequeno-almoço.

Às 10 da manhã, o teu calendário é um jogo de Tetris de reuniões, tarefas, lembretes e “chamadas rápidas”.
Já não andas; apressas o passo. Até as tuas pausas têm tópicos em lista.

Por fora, pareces impressionante. Determinado(a). Com tudo controlado.
Por dentro, existe este medo silencioso: se parares, algo pesado pode alcançar-te.

A psicologia tem uma palavra para esta tendência de fugir às nossas próprias emoções.
E, quando a vês, é difícil deixar de a ver.

Porque é que manter-nos ocupados parece mais seguro do que ficar quieto

Olha à tua volta em qualquer escritório ou café e vais repará-lo de imediato.
Pessoas a teclar furiosamente, telemóveis a apitar, agendas tão cheias que mal há espaço para respirar.

Estar ocupado tornou-se uma moeda social.
Quando alguém pergunta “Como estás?”, “Tão ocupado(a)” quase parece ser a única resposta aceitável.

Por trás dessa resposta, muitas vezes existe uma história mais profunda.
Empilhamos tarefas, projetos e planos sociais como sacos de areia à volta de uma casa, na esperança de que a cheia das emoções não chegue à porta.
A quietude pode parecer mais ameaçadora do que o esgotamento.

Vejamos a Emma, 34 anos, gestora de marketing que “nunca pára”.
Trabalha a tempo inteiro, faz ioga quatro vezes por semana, é voluntária aos fins de semana e organiza todos os encontros de família.

Quando a relação dela terminou abruptamente no ano passado, não abrandou - duplicou os compromissos.
Nada de serões em casa, nada de domingos vazios, nada de tempo sem um podcast a tocar em segundo plano.

No papel, ela estava a prosperar.
Por dentro, não tinha chorado uma única vez pelo fim da relação.
A terapeuta acabou por dar nome ao que se passava: a Emma não era “superprodutiva”; estava a evitar emocionalmente.

Os psicólogos veem este padrão com frequência.
Quando a vida dói, umas pessoas bebem, outras fazem scroll.
Muitos de nós… simplesmente ficam ainda mais ocupados.

A psicologia chama a isto “evitamento experiencial”: a tendência para fugir de pensamentos, memórias ou sentimentos dolorosos em vez de os enfrentar.
Manter-se constantemente ocupado é uma das formas mais socialmente recompensadas de o fazer.

O cérebro adora.
Cada tarefa concluída dá uma pequena dose de dopamina, um “bom trabalho” minúsculo que alivia temporariamente o desconforto.

Por isso continuamos a mexer-nos, a planear, a dizer que sim a mais coisas.
Abrandar significaria dar espaço à tristeza, à ansiedade, à culpa ou à solidão.
E o nosso sistema nervoso, já cansado, sussurra: “Hoje não.”

O problema é que aquilo que evitamos não desaparece; só se enterra mais fundo.
É aí que o burnout, a insónia, a irritabilidade ou uma fadiga sem explicação se instalam em silêncio.

Como deixar de usar a ocupação como escudo emocional

Uma prática simples pode revelar muito: a pausa de 5 minutos.
Escolhe um momento aleatório do teu dia, põe um temporizador para 5 minutos e faz… nada.

Sem telemóvel, sem música, sem scroll.
Só tu, a tua respiração e o que aparecer por dentro.

Repara na primeira coisa que queres fazer em vez disso.
Pegar no telemóvel? Reorganizar a secretária? Responder “só rapidinho” a um e-mail?
Essa urgência é muitas vezes a porta de entrada para aquilo que estás a evitar.

Não tens de interpretar tudo.
Pergunta apenas, em silêncio: “O que é que está desconfortável agora?”
Às vezes a resposta vem à tona, outras vezes não - mas o padrão começa a rachar.

Quando as pessoas tentam isto, muitas sentem culpa ou “preguiça” quase de imediato.
Essa culpa não é aleatória; é aprendida.

Vivemos em culturas onde o valor é medido pelo resultado.
Descansar parece suspeito, a lentidão parece fracasso e as necessidades emocionais parecem um luxo.

Então sobrecarregamo-nos e depois colapsamos.
Prometemos que “vamos cuidar melhor” no próximo mês e, ainda esta semana, aceitamos mais três compromissos.

Sejamos honestos: ninguém consegue fazer isto todos os dias.
Curar a ocupação compulsiva é confuso, com recaídas, semanas a abarrotar e mensagens embaraçosas do tipo “Não, não consigo”.
Ser gentil contigo faz parte do trabalho - não é um bónus.

“A atividade constante é muitas vezes elogiada como dedicação; no entanto, nas salas de terapia revela-se frequentemente como um escudo contra o luto, o medo ou a vergonha.
Quando uma pessoa finalmente pára, a vida real alcança-a.”

  • Pergunta-te porquê
    Quando dizes que sim a alguma coisa, pára e pergunta: “Estou a fazer isto porque quero, ou porque tenho medo de ficar a sós comigo?”

  • Começa com micro-intervalos
    30 segundos num semáforo, um duche em silêncio, lavar os dentes sem o telemóvel. Pequenas pausas, repetidas diariamente, reeducam o sistema nervoso.

  • Dá nome a uma emoção por dia
    Não uma história - apenas uma palavra: “triste”, “farto(a)”, “ciumento(a)”, “esperançoso(a)”. Dar nome a uma emoção reduz a sua intensidade e torna-a menos assustadora.

  • Protege uma hora “vazia” por semana
    Sem planos, sem objetivos de produtividade. Deixa que essa hora seja moldada por como te sentes nesse dia.

  • Repara no teu “orgulho”
    Quando te apanhares a gabar-te de estar “tão ocupado(a)”, pergunta o que esperas realmente que os outros vejam: o teu valor, o teu esforço, o teu medo?

Reaprender a estar contigo

A certa altura, o corpo protesta.
Enxaquecas, nó no estômago, falta de paciência, cansaço constante que nenhum fim de semana resolve.

Muitas pessoas chegam a esse ponto e percebem que a agenda tem falado mais alto do que o coração.
A necessidade de estar constantemente ocupado(a) protegeu-as de alguma coisa, sim - mas também lhes custou presença, profundidade e ligações honestas.

Sair deste padrão não transforma a vida num filme em câmara lenta.
Podes continuar a ter dias cheios, ambição, prazos.
A mudança é interna: a atividade é escolhida, não usada como armadura.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A ocupação pode ser evitamento emocional Manter-se constantemente ocupado pode esconder tristeza, ansiedade ou dor por resolver Ajuda-te a reconhecer quando a “produtividade” é, na verdade, auto-proteção
Pequenas pausas revelam sentimentos escondidos Pausas curtas, sem dispositivos, expõem impulsos de fuga e emoções enterradas Oferece uma forma prática de compreender os teus próprios padrões
A mudança gentil é mais sustentável Micro-intervalos, emoções nomeadas e uma hora “vazia” por semana Dá ferramentas realistas sem exigir uma transformação total da vida

FAQ:

  • Pergunta 1 Como é que sei se sou apenas ambicioso(a) ou se estou mesmo a evitar as minhas emoções?
  • Pergunta 2 Porque é que sinto ansiedade ou culpa quando descanso, mesmo estando exausto(a)?
  • Pergunta 3 O evitamento emocional através de estar ocupado(a) pode levar a burnout?
  • Pergunta 4 O que posso fazer se o meu trabalho exige mesmo horas longas e intensas?
  • Pergunta 5 Devo procurar um terapeuta se me reconhecer neste padrão?

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