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A maquilhagem vinca menos se evitar este passo comum.

Mulher aplicando maquiagem com espelho de mão em ambiente iluminado, produtos de beleza ao fundo.

A mulher no café achava que ninguém a estava a ver, mas metade da sala conseguia ver o espelho dela.

Ela tinha feito tudo “bem”: primer, base, corretor, pó fixador, um toque de iluminador. Duas horas depois, a zona por baixo dos olhos parecia um mapa topográfico. Linhas finas cravadas no pigmento, a base acumulada à volta do sorriso, um anel pálido de produto a abraçar a lateral do nariz.

Não estava mal maquilhada. Só parecia… mais velha e um pouco mais cansada do que quando entrou.

Deu pequenos toques com o dedo, a tentar “derreter” as dobras, e depois acrescentou mais um pouco de pó, quase por reflexo. Dez minutos depois, as linhas voltaram - mais fundas. Franziu a testa ao espelho e desistiu em silêncio. A maquilhagem estava a lutar contra a pele.

Eis o que quase ninguém te diz: o pior dessas dobras começa muitas vezes num passo “obrigatório” muito comum. E é precisamente o passo que talvez precises de parar de fazer.

O hábito “essencial” que faz a maquilhagem marcar mais as linhas

Há uma pequena revolução silenciosa a acontecer em casas de banho e camarins. Cada vez mais maquilhadores repetem o mesmo conselho nos bastidores: pára de pôr pó a mais no rosto. Aquela regra antiga de “selar tudo” com uma camada espessa de pó fixador? É a razão pela qual metade de nós já tem a maquilhagem marcada ao meio‑dia.

O pó dá sensação de segurança. Promete controlo, duração, um acabamento mate que não mexe. O problema é que a nossa pele mexe constantemente. Dobra quando rimos, vinca quando semicerramos os olhos, aquece, fica um pouco oleosa, desidrata. Uma manta pesada de pó não acompanha isso. Racha.

Ou seja, o teu corretor pode até estar bem. A tua base pode ser brilhante. O verdadeiro culpado é muitas vezes aquele reflexo de varrer pó, “cozer” (baking) e voltar a varrer “só por precaução”.

Numa sessão em Londres, uma modelo jovem apareceu com um glam estilo TikTok que parecia impecável. Cobertura total, contorno marcado, baking espesso por baixo dos olhos. O teste de câmara contou outra história. Sob luzes de estúdio, cada sorriso abria canais no corretor. O sorriso fazia o pó partir-se em pequenas cristas, como um leito de rio seco.

O maquilhador limpou apenas um lado do rosto e refez com uma camada mais fina de base e quase nada de pó - só uma pressão rápida por baixo dos olhos e à volta das narinas. A mesma rapariga, a mesma cara, trinta minutos depois: metade parecia tensa e cheia de linhas; a outra metade parecia pele real com maquilhagem por cima.

Esse teste A/B foi brutal. Toda a gente na sala viu - sobretudo a modelo. Ela alternava o olhar de um lado para o outro, levantava as sobrancelhas, sorria, franzia. Do lado “afogado” em pó, as dobras apareciam imediatamente. Do lado com menos pó, o produto mexia um pouco e depois assentava suavemente, como tecido em vez de gesso.

O que acontece quando exageras no pó é simples: estás a empilhar produto seco sobre fórmulas cremosas, em cima de pele que se move. Cada microexpressão obriga o pó a rachar e a juntar-se. Quando a pele liberta um pouco de oleosidade ou o protetor solar aquece por baixo, o pó agarra-se e empelota em linhas.

O pó em excesso também exagera a textura. Os poros parecem maiores, a zona dos olhos fica mais seca, linhas de expressão pequenas enchem-se de pigmento. Pode até fazer fórmulas de longa duração parecerem instáveis, porque o pó interfere com a forma como deveriam assentar na pele.

Ensinaram-nos que mais pó = mais duração. Na realidade, pó aplicado de forma estratégica quase sempre bate “pó em todo o lado”. Deixa a base acompanhar o rosto, em vez de estalar sempre que ris.

Como fixar a maquilhagem para marcar menos (sim, fazendo menos)

O ponto ideal não é “nunca usar pó”. É usar pó de forma localizada, leve, quase avarenta. Começa por olhar para o rosto como zonas, não como uma tela plana. Por baixo dos olhos, laterais do nariz, entre as sobrancelhas, talvez o queixo e as linhas do sorriso - estas são, normalmente, as únicas áreas que realmente precisam de fixação para a maioria das pessoas.

Usa um pincel pequeno e fofo ou uma esponja húmida, apanha a menor quantidade possível de pó translúcido bem fino e depois pressiona na pele em vez de varrer. Ao pressionar, o pó mistura-se com a base cremosa, em vez de ficar a “flutuar” por cima.

O resto do rosto? Muitas vezes pode ficar sem pó, ou apenas com o que sobra no pincel. Esse ligeiro brilho natural que aparece passado uma hora não é falhanço. É pele a comportar-se como pele.

Um ritual rápido muda tudo: antes de pegares no pó, aproxima-te do espelho e remove com suavidade qualquer vinco que já se tenha formado. Dá toques por baixo dos olhos com um dedo limpo ou com a esponja. Toca nas linhas do sorriso. Só depois - e apenas então - adiciona um sopro de pó onde essas linhas costumam aparecer.

Se aplicares pó diretamente por cima de corretor vincado, estás, na prática, a “laminar” o vinco no sítio. Parece liso durante uns minutos, até o teu rosto voltar a mexer. Depois, as linhas que fixaste ficam mais fundas, porque agora têm produto seco e rígido preso lá dentro.

E sejamos honestos: ninguém faz retoques completos de duas em duas horas na vida real. Um toque rápido e um nadinha de pó em movimento é realista. Reconstruir toda a base na casa de banho do escritório não é.

“As pessoas acham que o pó impede o movimento”, explica um maquilhador profissional que trabalha em longas gravações de TV. “Não impede. A tua cara vai sempre mexer. O truque é usar apenas o suficiente para a maquilhagem mexer com a pele, em vez de se partir e separar.”

Há outro erro que quase toda a gente comete: usar a mesma técnica “pesada” para todos os tipos de pele e todos os dias. O baking com triângulos grossos de pó por baixo dos olhos, por exemplo, nasceu para luzes agressivas e tempos de uso curtos. Em pele seca ou mais madura, pode ser implacável.

  • Escolhe pós translúcidos microfinos ou com efeito “blur”, não fórmulas granuladas e carregadas de talco.
  • Fixa apenas onde brilhas ou vincas, não da linha do cabelo até ao maxilar.
  • Em zonas secas ou com textura, troca o pincel grande por pressão com esponja húmida.
  • Deixa a tua rotina de pele assentar totalmente antes da base, para não estares a lutar contra o excesso de deslize.

Uma nova forma de pensar a maquilhagem de longa duração

Da próxima vez que apanhares o teu reflexo às 16h e vires aquelas pequenas linhas no corretor, experimenta algo radical: não vás logo buscar mais pó. Suaviza a área com dedos limpos, talvez borrifa um pouco de bruma hidratante e depois deixa estar. Vê como o rosto fica quando o produto e os óleos naturais voltam a equilibrar-se.

Muitas vezes, as dobras que mais odeias são resultado de teres “corrigido em excesso” logo de manhã. Pó a mais às 8h leva a rachaduras às 11h, depois mais pó por cima ao almoço para “consertar”, e ao fim da tarde tens uma máscara empastada agarrada a cada dobra. Quebrar esse ciclo tem menos a ver com comprar coisas novas e mais com cortar um hábito.

A tua maquilhagem não falha porque saltaste passos. Normalmente falha porque adicionaste um passo a mais. Quando deixas de carregar no pó por reflexo, a base e o corretor finalmente têm espaço para assentar mais perto da pele, aquecer com ela e mexer com as tuas expressões.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Reduzir o pó Passar de uma aplicação global para uma aplicação direcionada por zonas Reduz os vincos e mantém um aspeto mais natural ao longo das horas
Dar toques antes de fixar Primeiro alisar as pequenas linhas, depois pressionar uma camada fina de pó Evita “congelar” as dobras já existentes na maquilhagem
Deixar a pele “viver” Aceitar um ligeiro glow e alguns micromovimentos da base Tez mais viva, menos rígida e mais favorecedora ao vivo do que com filtro

FAQ:

  • Preciso mesmo de pó se quero menos vincos?
    Nem sempre. Se a tua pele é normal a seca, muitas vezes podes dispensar o pó nas zonas externas do rosto e fixar apenas por baixo dos olhos e à volta do nariz. Peles oleosas costumam beneficiar de pó leve e localizado na zona T.
  • Porque é que o meu corretor vinca mesmo quando uso uma fórmula “anti-vincos”?
    Nenhum produto impede a pele de dobrar. Fórmulas resistentes a vincos apenas mexem de forma mais elegante. Se aplicares camadas a mais e depois carregares no pó, até a melhor fórmula vai assentar nas linhas.
  • O baking é sempre mau para a zona por baixo dos olhos?
    Nem sempre, mas é agressivo em pele seca, fina ou madura e para uso prolongado na vida real. Para a maioria das pessoas, fixar levemente com uma quantidade mínima de pó fica mais liso e envelhece menos o rosto.
  • Que tipo de pó devo usar para evitar aquele aspeto “empastado”?
    Procura pós translúcidos bem finos ou fórmulas soft‑focus com efeito alisador. Pós soltos são, muitas vezes, mais fáceis de controlar em pouca quantidade do que compactos muito pesados.
  • Como posso retocar vincos durante o dia sem piorar?
    Primeiro, dá toques suaves com um dedo limpo ou esponja para alisar a linha. Se ainda precisares, adiciona a menor quantidade de pó, pressionada - não varrida. Às vezes, só esse toque já chega.

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