Sob as luzes duras do espelho do provador, a base parecia perfeita no dorso da mão.
Mas, no rosto, a história virou-se ao contrário. De repente, cada pequena saliência, cada pelinha seca que ela nem sabia que tinha, cada poro à volta do nariz parecia transmitido em HD. Não tinha mudado a rotina de skincare, não tinha dormido menos, não tinha feito nada “errado”. Só tinha trocado a sua base luminosa habitual por uma matte, tendência do momento, de cobertura total.
No TikTok e nos anúncios, o matte parece sempre um filtro de desfoque. Na vida real, pode parecer mais um microscópio. Porque é que algo feito para alisar a pele, às vezes, faz exatamente o oposto?
Porque é que a maquilhagem matte faz a textura gritar em vez de sussurrar
Entre numa qualquer secção de beleza e vai ver logo: “matte sem poros”, “matte soft-focus”, “matte aerógrafo”. A promessa é sedutoramente simples. Põe isto e a tua pele vai parecer filtrada - lisa, uniforme, no melhor sentido. E, no entanto, muita gente sai de casa a sentir que a base acabou de enviar um e-mail em massa a anunciar os seus poros.
As texturas matte absorvem a luz em vez de a refletirem. Isso é ótimo em câmara; é menos perdoador numa pele real, vivida, imperfeita. Numa cara com linhas finas, marcas antigas de acne ou zonas secas, a falta de reflexão pode tornar cada pequena irregularidade mais visível. O acabamento é “limpo”, mas a realidade costuma ser mais dura do que o rótulo.
Uma maquilhadora com quem falei descreveu a base matte como “honestidade em alta definição”. Numa pessoa de 20 anos, com quase zero textura, pode mesmo parecer impecável. Numa pele que já viveu mais um pouco, pode facilmente passar de refinada a rígida. É aí que começam a dizer: “Sinto que esta base me envelheceu dez anos.”
Percorra o Reddit de beleza e vai ver o padrão. Alguém publica uma selfie com uma base matte novinha, a perguntar porque é que os poros “de repente explodiram”. As respostas entram em enxurrada: “Acontece-me o mesmo”, “Agarra-se às zonas secas”, “As linhas da minha testa duplicaram de um dia para o outro”. A pele não mudou de um dia para o outro. O acabamento, sim.
As marcas adoram mostrar bases matte em pele perfeitamente uniforme, quase vidrada. Na realidade, só uma pequena parte das pessoas tem esse tipo de tela sem textura. Um inquérito de uma cadeia de clínicas dermatológicas no Reino Unido estimou que mais de 70% dos pacientes que referiam “má textura” estavam, na verdade, a descrever poros e linhas finas completamente normais - apenas exagerados por escolhas de produto e iluminação.
Pense numa parede com tinta mate versus uma parede acetinada. Na tinta mate, a sombra instala-se em cada pequena amolgadela e fissura. No acetinado, a luz desliza sobre os mesmos “defeitos” e suaviza-os. É exatamente isso que acontece no rosto com base. Fórmulas dewy ou luminosas refletem luz, difusando o aspeto de pequenas saliências e linhas. Fórmulas matte criam sombras e contornos mais visíveis.
Há também o facto de que o matte “a sério” costuma precisar de mais pigmento e pós absorventes de oleosidade para aguentar no lugar. Esses pós podem agarrar-se à secura, prender-se ao pelo fino e afundar ligeiramente nos poros. O resultado não é só “mais cobertura”. É mais contraste entre áreas lisas e áreas menos lisas. As zonas mais suaves ficam totalmente planas, enquanto as zonas texturadas se destacam por comparação. É esse contraste que o olho fixa no espelho.
Como usar matte sem tornar a tua textura a personagem principal
A forma mais fácil de fazer o matte comportar-se melhor é mudar onde o usa. Em vez de uma manta matte no rosto todo, pense “direcionado”. Uma camada fina de base matte ou pó apenas na zona T, nas laterais do nariz e talvez no queixo, e algo mais luminoso em todo o resto. Parece picuinhas. Na prática, são uns vinte segundos a mais.
Comece com uma base bem hidratada e ligeiramente “pegajosa”. Um hidratante leve, não oleoso, que deixe um pouco de deslize, ajuda o pó a aderir sem acumular. Depois aplique uma base leve e flexível com acabamento natural ou acetinado no rosto todo. Só depois, dê pequenos toques de pó matte com um pincel pequeno nas zonas que brilham mais depressa.
Assim mantém o controlo de oleosidade onde quer, mas as bochechas e a testa continuam a refletir luz, suavizando a textura. Pense nisto como edição estratégica, em vez de um filtro esmagado em cima da foto toda.
Muita gente luta contra a base em vez de trabalhar com ela. Vai acumulando mais base matte para “cobrir” a textura, sem perceber que está a empilhar produto em poros e linhas. O instinto faz sentido: mais cobertura parece mais blur. A realidade é o oposto. Camadas grossas criam bordas e relevos que chamam a atenção.
Melhor é menos base e ferramentas mais inteligentes. Use uma esponja húmida para pressionar o produto na pele em camadas finas e uniformes, em vez de o arrastar com um pincel seco. Se precisar de mais cobertura numa borbulha ou cicatriz, faça correção localizada nessa área em vez de cobrir o rosto todo com uma fórmula mais pesada. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, mas nos dias importantes muda tudo.
Há também o lado emocional. Textura não é defeito; é apenas pele a fazer coisas de pele. Num dia em que o espelho parece cruel, a vontade é lixar tudo com pós e fórmulas de longa duração. Normalmente é aí que a maquilhagem começa a parecer pesada e implacável. Um pouco de gentileza com o rosto - e um pouco de contenção com o matte - faz muito.
“O matte não é o inimigo”, diz a maquilhadora Karina Lai, baseada em Londres. “O problema é quando tentamos usar fórmulas matte como cura para a textura. São melhores como ferramentas de equilíbrio, não como borrachas de textura.”
Um truque mental útil é deixar de perseguir “sem poros” e começar a apontar para “soft-focus”. Esta pequena mudança tira pressão e torna-nos mais abertos a misturar acabamentos. Um pontinho de iluminador líquido no topo das maçãs do rosto, um corretor acetinado por baixo dos olhos, um blush cremoso em vez de pó - essas bolsas de luz ajudam a distrair das áreas com mais textura.
- Use matte apenas onde realmente fica oleoso, e não por defeito em todo o rosto.
- Mantenha as camadas finas; aumente cobertura só em pontos específicos.
- Evite matte muito “chapado”, de cobertura total, se a pele estiver seca ou a descamar.
- Misture uma gota de hidratante ou primer iluminador na base matte em zonas mais ásperas.
- Avalie a maquilhagem à luz natural suave, não apenas sob lâmpadas duras de casa de banho.
Repensar o que é, afinal, “boa pele”
Algo muda quando percebe que é o acabamento - e não o seu rosto - que está a fazer bullying no espelho. O matte pode ser deslumbrante no dia certo, no contexto certo, na dose certa. O dewy também pode ir longe demais para o oleoso ou enfatizar poros à sua maneira. O truque é lembrar que “perfeição” é um alvo móvel, não um estado que se tem ou não se tem.
Todos andamos com poros, linhas finas, marcas ténues, pequenas irregularidades ao longo do maxilar. Isso não é falhanço. Isso é humano. Numa manhã stressante ou numa semana de borbulhas, é tão tentador pegar numa fórmula matte espessa para “apagar” tudo. Num dia mais gentil, uma camada leve de tinta luminosa pode, de repente, parecer mais corajosa, mais leve, mais “tu”. Nenhuma versão está errada. São apenas humores diferentes do mesmo rosto.
No ecrã, a beleza costuma parecer zero reflexão e zero textura. Na vida real, os rostos que achamos mais magnéticos normalmente têm as duas coisas: brilho e sombra, glow e detalhe. Textura que se mexe quando riem. Pele que brilha ligeiramente no comboio a caminho de casa. É isto que acontece com o matte: usado para apagar, pode fazê-lo sentir-se de máscara. Usado para equilibrar, em pequenos flashes e zonas, pode apoiar discretamente a história que a sua pele já está a contar.
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| O matte mostra mais textura | Absorve luz, criando sombras em poros, linhas e saliências | Ajuda a explicar porque é que a pele parece “pior” com algumas bases |
| A colocação vence a cobertura total | Use matte só nas zonas mais oleosas e combine com acetinado noutras | Dá uma forma prática de controlar brilho sem dureza |
| Menos produto, ferramentas mais inteligentes | Camadas finas, esponja húmida, correção localizada em vez de acumular | Reduz o aspeto “caked” e evita que a textura vire o foco |
Perguntas frequentes
- A maquilhagem matte enfatiza sempre a textura? Nem sempre. Em pele mais lisa ou mais oleosa, o matte pode ficar lindamente suave. A textura torna-se mais evidente quando a pele está seca, a descamar ou quando as camadas estão demasiado grossas.
- Uma base dewy é melhor para pele madura? Muitas vezes, sim, porque a luz refletida suaviza linhas finas. Ainda assim, muitas pessoas com mais de 40 preferem uma mistura: base ligeiramente luminosa com um toque de pó matte na zona T.
- Porque é que a minha base matte fica com aspeto “caked” a meio do dia? Normalmente é uma mistura de zonas secas, produto a mais e oleosidade a atravessar. Preparar com hidratação e usar menos fórmula costuma ajudar mais do que acrescentar pó.
- Posso fazer uma base matte parecer mais “pele”? Sim. Misture uma gota de hidratante ou primer iluminador, aplique com esponja húmida e evite zonas muito secas. Um spray no fim também pode ajudar a fundir o produto na pele.
- Que acabamento devo escolher se tenho acne e textura? Procure fórmulas “naturais” ou “satin-matte”, não matte ultra-chapado. Use boa cobertura apenas nos pontos ativos e deixe o resto do rosto um pouco mais luminoso para manter o conjunto mais suave.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário