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A forma natural de afastar aranhas de casa é usar óleo de hortelã-pimenta.

Mão adiciona líquido a copo com ervas, limões e frascos de vidro num balcão de madeira junto a uma janela.

O primeiro aranhiço apareceu no teto da casa de banho, gordo e imóvel, mesmo por cima do espelho.

Uma hora depois, um mais fino esperava no canto do corredor, exatamente onde a luz de presença lança aquele brilho laranja ténue. Mesma casa, mesmo dia, o mesmo pequeno aperto no estômago sempre que aquelas oito patas surgiam do nada.

Nessa noite, as janelas estavam fechadas, o aquecimento ligado, e a casa cheirava levemente a detergente da roupa e a torradas. Lá fora, o jardim estava húmido e escuro. Cá dentro, algo claramente as estava a convidar a entrar.

Uma vizinha mencionou um truque que parecia mais um “hack” do TikTok do que vida real: “Use só óleo de hortelã‑pimenta, elas detestam.” Disse-o enquanto limpava as mãos às calças de ganga, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

No dia seguinte, a casa inteira cheirava a rebuçados de menta. E foi aí que a coisa ficou interessante.

Porque é que as aranhas odeiam aquele cheiro fresco a hortelã‑pimenta

A primeira coisa que se nota quando se pulveriza óleo de hortelã‑pimenta numa divisão é o impacto imediato de frescura. É intenso, quase gelado, como sair para a rua numa manhã fria. Esse mesmo aroma nítido que nos desperta faz algo completamente diferente às aranhas.

Elas exploram a sua casa com as patas e com pequenos pelos, “lendo” vestígios químicos no ar. A hortelã‑pimenta não lhes sugere, de mansinho, que vão embora. Grita-lhes. Lugar errado. Cheiro errado. Volta para trás.

Por isso, enquanto você pensa “a minha casa cheira a pastilha elástica”, uma aranha pensa “este território é hostil”. À vista desarmada, o cenário é normal: rodapés, caixilharias, tomadas. Mas, a um nível microscópico, acabou de redesenhar o mapa da sua casa.

Numa noite húmida de outubro em Manchester, uma família experimentou isto quase a brincar. A mãe encheu um frasco pulverizador barato com água, juntou um bom jorro de óleo de hortelã‑pimenta e borrifou a sala, o corredor e as ombreiras das portas dos quartos. Concentrou-se nos suspeitos do costume: a frincha por baixo da porta de entrada, o canto junto ao sapateiro, a janela com a vedação estragada.

Há semanas que apanhavam uma ou duas aranhas domésticas por dia. E grandes - daquelas que de repente disparam pelo tapete a meio de um filme. Não andavam a fazer folhas de cálculo nem nada disso; era apenas aquela nota mental que qualquer pessoa em casa acaba por ter: “Porque é que há tantas este ano?”

Nas três noites seguintes, algo mudou. Surgiu uma teia ocasional junto à janela da cozinha, mas as grandes corredoras no corredor? Desapareceram. Ainda via uma aranhazinha de vez em quando lá em cima, mas a vaga tinha passado. Sem químicos. Sem armadilhas pegajosas. Apenas uma casa que agora cheirava, de leve, a uma loja de velas mais requintada.

Há uma lógica simples, embora pouco glamorosa, por trás disto tudo. As aranhas não estão a tentar invadir o seu espaço por maldade. Estão a seguir comida, humidade e cantos escuros e sossegados. A sua casa é apenas uma extensão confortável do jardim.

O óleo de hortelã‑pimenta não as mata. Baralha os sinais de que elas dependem. O cheiro forte mascara os rastos e pistas que usam para se orientarem, caçarem e esconderem-se. Imagine tentar seguir um perfume subtil numa sala cheia de incenso a arder - os sentidos desistem.

É por isso que umas gotas num difusor não mudam grande coisa. O truque está na intensidade e no sítio onde o cheiro é colocado. Não está a tentar criar um spa. Está a construir uma cerca invisível, mentolada.

Como usar óleo de hortelã‑pimenta para afastar aranhas - passo a passo

Comece pelo básico: um frasco pulverizador pequeno, um frasco de óleo essencial puro de hortelã‑pimenta e água da torneira. Encha o pulverizador quase até acima com água e depois adicione cerca de 10–15 gotas de óleo de hortelã‑pimenta por cada 250 ml. Agite bem, até a água ficar ligeiramente turva e o frasco inteiro cheirar a mentas fortes.

Caminhe devagar pela casa e pulverize ao longo dos rodapés, peitoris das janelas, ombreiras das portas e, sobretudo, aqueles cantos “culpados” onde costuma encontrar teias. Não encharque nada - só uma névoa leve, o suficiente para deixar um brilho discreto durante um minuto ou dois. Foque-se nos pontos de entrada: a abertura junto à caixa do correio, respiradouros, fendas e aquela linha pequena onde a alcatifa encontra a parede.

Repita isto uma vez por semana ao início e, depois, reforce de duas em duas semanas à medida que o cheiro vai desaparecendo. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.

É aqui que a maioria das pessoas desanima: tentam uma vez, não veem um milagre e desistem. Ou fazem uma mistura fraca demais e perguntam-se porque é que nada muda. A questão é que está a lidar com hábitos - os das aranhas e os seus.

Se tiver animais de estimação ou crianças pequenas, faça com cuidado. Pulverize ligeiramente as zonas baixas e evite encharcar tecidos que possam mastigar ou lamber. Quer um cheiro forte, não um chão escorregadio nem pele irritada. Teste sempre primeiro numa área pequena em madeira envernizada ou paredes pintadas; o óleo de hortelã‑pimenta pode, por vezes, deixar marcas ténues se for usado sem diluição.

Um erro comum é ignorar a tralha. Uma barreira de hortelã nos rodapés não faz grande coisa se tiver construído um hotel de aranhas atrás de uma pilha de caixas. Tente combinar a rotina da menta com uma arrumação rápida, uma divisão de cada vez. Não é uma limpeza profunda - é só afastar aquela pilha do “depois trato” para longe das paredes.

“O óleo de hortelã‑pimenta não apaga as aranhas do planeta por magia”, ri-se Claire, uma inquilina em Leeds que jura por isto todos os outonos. “Só me faz sentir que tenho algum controlo. Prefiro que a casa cheire a pasta de dentes do que passar todas as noites a perseguir aranhas com um copo.”

Pense no óleo de hortelã‑pimenta como uma ferramenta num pequeno arsenal amigável, e não como uma solução milagrosa. Para funcionar a longo prazo, combine-o com alguns hábitos simples:

  • Aspire regularmente os cantos, tetos e atrás dos móveis para remover teias e sacos de ovos.
  • Feche frestas óbvias à volta de janelas, portas e canalizações onde se veja luz do dia.
  • Mantenha as luzes exteriores suaves ou apontadas para baixo - luz forte atrai insetos, que atraem aranhas.
  • Use discos de algodão embebidos em hortelã‑pimenta, escondidos atrás de móveis ou junto a respiradouros, em zonas persistentes.
  • Alterne com outros cheiros fortes, como eucalipto ou citrinos, se se habituar ao aroma.

Numa noite calma, com as janelas fechadas contra o vento e as luzes baixas, uma casa sem aranhas parece estranhamente serena. Apanha-se um leve cheiro a menta ao passar pelo corredor e lembra-se daquele pequeno ritual com o pulverizador. Sem drama, sem químicos - apenas uma decisão pequena, repetida ao longo do tempo.

Num grupo de chat de um apartamento partilhado, este tipo de truque espalha-se depressa. Alguém publica a foto de um “monstro” na banheira, outra pessoa responde com uma imagem de arquivo de óleo de hortelã‑pimenta e uma fila de gargalhadas. E, devagar, a ideia muda de “temos de as exterminar” para “se calhar podemos empurrá-las de volta para a rua”.

Todos já tivemos aquele momento em que ficamos parados à porta, a ponderar se vamos buscar um copo, um sapato ou simplesmente ir embora e fingir que não vimos. O óleo de hortelã‑pimenta não apaga esse sobressalto instintivo. Apenas faz com que aconteça menos vezes.

Há algo discretamente satisfatório em reconquistar a casa com uma coisa que cabe na palma da mão. Sem armadilhas, sem culpa por esmagar nada, sem um cheiro químico que fica horas. Só um aroma verde e cortante que diz: este espaço está ocupado.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Hortelã‑pimenta como barreira O cheiro forte mascara as pistas que as aranhas usam para se orientarem e caçarem Forma não letal de reduzir visitas sem sprays agressivos
Pulverização direcionada Focar rodapés, ombreiras e pontos de entrada uma vez por semana Rotina clara e exequível, compatível com a vida real
Combinar com hábitos simples Menos tralha, frestas vedadas, aspiração ocasional dos cantos Resultados mais duradouros e menos surpresas à noite

Perguntas frequentes

  • O óleo de hortelã‑pimenta afasta mesmo as aranhas?
    Não as mata, mas o cheiro forte pode afastá-las das zonas tratadas e desencorajar novas aranhas a instalarem-se no interior.
  • Com que frequência devo pulverizar óleo de hortelã‑pimenta pela casa?
    Comece com uma vez por semana durante a época das aranhas e, depois, reforce a cada 10–14 dias, à medida que o aroma se desvanece ou após limpezas.
  • O óleo de hortelã‑pimenta é seguro para animais de estimação e crianças?
    Usado diluído e em pequenas quantidades, em geral é seguro, mas evite contacto direto com pele, patas ou boca e nunca o use puro em superfícies que possam lamber.
  • Posso usar apenas um detergente perfumado a hortelã ou uma vela?
    A maioria dos produtos perfumados é fraca demais; precisa de óleo essencial puro em água ou em discos de algodão para criar um cheiro suficientemente intenso para incomodar as aranhas.
  • Qual é o melhor sítio para colocar óleo de hortelã‑pimenta se odeio aranhas no quarto?
    Pulverize ligeiramente à volta dos rodapés, da caixilharia da janela e da ombreira da porta, e esconda um disco de algodão embebido em hortelã‑pimenta atrás das mesas de cabeceira ou junto a tomadas.

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