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6 causas comuns de dores nas pernas que afetam todas as idades

Pessoa sentada massajando a perna, com uma ligadura elástica, saco de gelo e sapatilhas ao lado no chão de madeira.

Sabe-lhe a pernas doridas, pesadas ou a arder? Estes sintomas podem surgir de forma silenciosa, transformando caminhadas rotineiras e tarefas do dia a dia em desafios desconfortáveis.

Dos adolescentes colados aos ecrãs aos avós que passeiam o cão, a dor nas pernas atravessa gerações. Por vezes surge após uma lesão evidente ou um treino intenso. Noutras, sinaliza um problema nos nervos, na circulação sanguínea ou no coração - algo que exige mais do que um analgésico e uma boa noite de sono.

Porque é que as pernas doridas são mais do que “apenas músculos cansados”

A dor nas pernas tende a ser desvalorizada como fadiga, sobretudo depois de um longo dia de pé ou sentado. No entanto, os médicos referem que a localização, o tipo e o momento em que a dor aparece podem revelar muito mais.

As pernas doridas podem refletir problemas em três sistemas principais: as estruturas músculo-esqueléticas, os nervos e a circulação.

Quando músculos, ossos ou ligamentos estão lesionados, a dor costuma ficar num ponto específico. Quando os nervos estão irritados, a dor pode “disparar”, arder ou irradiar. Quando a circulação tem dificuldades, surge frequentemente uma sensação de peso, inchaço ou cãibras, por vezes apenas com esforço.

Prestar atenção a como a dor se comporta - com movimento, em repouso, após estar sentado, ou durante a marcha - ajuda a restringir as causas e orienta os passos seguintes.

1. Problemas ortopédicos: músculos, articulações e ligamentos sob esforço

Uma das fontes mais comuns de dor nas pernas é um problema ortopédico simples. Inclui distensões musculares, tendinites, entorses ligamentares e desgaste articular, como a artrose do joelho.

Estes problemas causam geralmente dor localizada. Muitas vezes é possível apontar o local exato: a frente da tíbia (canela), o lado do joelho, a barriga da perna ou o tornozelo.

  • A dor piora com um movimento ou atividade específica
  • Repouso e gelo tendem a aliviar o desconforto
  • Pode surgir inchaço à volta da articulação ou do músculo afetado
  • A rigidez aparece frequentemente de manhã ao acordar ou após estar sentado

Correr em piso duro, usar calçado gasto ou aumentos súbitos da carga de treino são gatilhos clássicos. Nos adultos mais velhos, o desgaste da cartilagem nas ancas ou joelhos pode alterar a distribuição do peso, levando a dor nas coxas e nas pernas à medida que o corpo tenta compensar.

2. Nervo ciático e hérnia discal: quando a dor desce pela perna

As causas relacionadas com nervos tendem a sentir-se muito diferentes de uma simples dor muscular. Uma hérnia discal na coluna lombar pode comprimir o nervo ciático, enviando dor da nádega ao longo da perna.

A dor nervosa é frequentemente descrita como ardor, sensação elétrica ou “em choque”, por vezes acompanhada de dormência ou formigueiro.

Características típicas incluem:

  • Dor que começa na zona lombar ou nádega e desce por uma perna
  • Sensações de ardor ou “choque elétrico”
  • Zonas dormentes, formigueiro ou sensação de peso
  • Piora ao estar sentado muito tempo ou ao inclinar-se para a frente

A pessoa pode notar que evita apoiar o peso na perna afetada ou tem dificuldade em manter-se direita. Em casos graves, pode existir fraqueza no pé ou dificuldade a subir escadas, o que deve motivar avaliação urgente.

3. Varizes: pernas pesadas e doridas que melhoram ao elevar

Problemas circulatórios nas veias são outra causa frequente de pernas doridas, especialmente em adultos que passam muitas horas de pé ou têm história familiar de varizes.

Quando as válvulas das veias das pernas enfraquecem, o sangue tende a acumular-se em vez de regressar eficazmente ao coração. Isto provoca dor surda, inchaço à volta dos tornozelos e veias visíveis, tortuosas, sob a pele.

A dor venosa é muitas vezes sentida como peso ou aperto que se agrava ao longo do dia e melhora quando se elevam as pernas.

Pistas importantes incluem:

  • Inchaço à volta dos tornozelos ou das pernas, pior ao fim do dia
  • Sensação de peso, cansaço ou latejar nas pernas
  • Alívio ao elevar as pernas ou com meias de compressão
  • Veias salientes azuladas ou arroxeadas visíveis

Estar sentado ou de pé sem se mexer por longos períodos, gravidez e obesidade podem agravar os problemas venosos, tornando o desconforto nas pernas uma queixa comum em adultos em idade ativa.

4. Trombose venosa profunda: dor e inchaço súbitos que exigem cuidados urgentes

Nem todo o inchaço e dor é benigno. Um coágulo numa veia profunda da perna - trombose venosa profunda (TVP) - é uma emergência médica, porque o coágulo pode deslocar-se para os pulmões.

Uma perna dolorosa, inchada e frequentemente quente, que muda subitamente de um dia para o outro, nunca deve ser ignorada.

Sinais de alerta incluem:

  • Uma perna fica mais inchada do que a outra
  • Dor persistente, mesmo em repouso
  • Vermelhidão ou calor na barriga da perna ou coxa
  • Cirurgia recente, viagem longa, ou imobilização prolongada

A TVP pode afetar pessoas jovens e mais velhas, especialmente quem faz terapia hormonal, fumadores, ou indivíduos com predisposição hereditária para coagulação. Falta de ar súbita, dor no peito ou tosse com sangue associadas a sintomas na perna exigem assistência de emergência.

5. Doença arterial periférica: cãibras ao caminhar

Quando as artérias que transportam sangue para as pernas ficam estreitadas - frequentemente por depósitos de gordura associados a tabagismo, diabetes ou colesterol elevado - os músculos não recebem oxigénio suficiente durante o esforço.

Esta condição, chamada doença arterial periférica (DAP), provoca tipicamente uma dor tipo cãibra nas pernas ou coxas ao caminhar, que melhora quando se pára.

Dor que surge a uma distância de marcha previsível e desaparece com repouso aponta para uma causa arterial.

Outros sinais típicos:

  • Pés ou dedos mais frios do que o resto do corpo
  • Pele pálida ou azulada nas pernas
  • Feridas nos pés que demoram a cicatrizar
  • Menor crescimento de pelos ou unhas quebradiças nas pernas

Algumas pessoas vão reduzindo a distância que conseguem andar sem perceber porquê, atribuindo a culpa à idade ou à “falta de forma”, quando na realidade as artérias têm dificuldade em alimentar os músculos.

6. Insuficiência cardíaca e retenção de líquidos: quando ambas as pernas ficam pesadas

Quando o coração não consegue bombear eficazmente, o líquido pode acumular-se nos membros inferiores. Isto é frequente na insuficiência cardíaca crónica e pode fazer com que ambas as pernas inchem, fiquem tensas e doridas.

O inchaço costuma começar nos tornozelos e subir para as pernas. Os sapatos podem apertar a meio da tarde e as meias podem deixar marcas profundas na pele.

No inchaço das pernas relacionado com o coração, ambas as pernas tendem a ser afetadas e o desconforto é constante, em vez de estar ligado a movimentos específicos.

Sintomas associados frequentes incluem falta de ar com esforço, acordar de noite com falta de ar e necessidade de mais almofadas para dormir. Em adultos mais velhos, este padrão de inchaço e falta de ar costuma justificar avaliação cardíaca mais aprofundada.

Como os médicos distinguem uma causa de outra

Os clínicos começam muitas vezes com algumas perguntas simples:

Pergunta O que sugere
A dor piora com um movimento específico? Lesão ou causa ortopédica
A dor “dispara” ou arde a partir das costas? Compressão nervosa, como ciática
As pernas incham ao longo do dia? Problemas venosos ou insuficiência cardíaca
As cãibras aparecem apenas a caminhar e param em repouso? Problemas de circulação arterial
A dor e o inchaço surgiram de repente numa perna? Possível trombose venosa profunda

O exame físico, ecografias, análises ao sangue e, por vezes, estudos neurológicos ajudam depois a confirmar a causa e a excluir situações perigosas.

Sinais de alarme: quando a dor nas pernas não deve ser ignorada

A maioria das dores comuns após desporto ou um longo dia de trabalho melhora com repouso. No entanto, alguns padrões exigem aconselhamento médico rápido:

  • Inchaço súbito, vermelhidão e dor numa perna
  • Dor na perna com dor no peito ou falta de ar
  • Agravamento progressivo da dor ao longo de dias ou semanas
  • Feridas nos pés ou pernas que não cicatrizam
  • Fraqueza ou perda de sensibilidade numa perna

Dor recorrente que limita a distância de marcha ou as tarefas diárias também deve ser avaliada, mesmo que apareça e desapareça.

Situações do dia a dia que podem mascarar problemas reais

É fácil culpar a idade, o peso ou a falta de exercício pelo desconforto nas pernas. Um trabalhador de escritório de meia-idade pode achar que as pernas doridas são “só de estar sentado demasiado tempo”, quando, na realidade, está a iniciar-se uma doença venosa. Um fumador mais velho que pára a cada poucos quarteirões por dor na perna pode chamar-lhe “estar fora de forma”, ignorando sinais precoces de doença arterial.

Adolescentes que passam horas a jogar podem queixar-se de pernas dormentes e com formigueiro. Por vezes é apenas má postura, mas em casos raros existe um problema na coluna. Em todas as idades, sintomas persistentes ou que mudam merecem ser acompanhados, em vez de ignorados.

Termos-chave que ajudam a compreender a dor nas pernas

A linguagem médica pode confundir, por isso vale a pena conhecer algumas expressões:

  • Claudicação: dor tipo cãibra nas pernas durante a marcha que melhora com repouso, típica de estreitamento arterial.
  • Edema: inchaço visível por acumulação de líquido nos tecidos, comum na doença venosa e na insuficiência cardíaca.
  • Dor radicular: dor nervosa que irradia da coluna ao longo do trajeto de um nervo, como na ciática.

Compreender estes termos pode tornar as conversas com o médico mais claras e ajudar a descrever os sintomas com maior precisão.

Pequenos hábitos que podem aliviar ou agravar a dor nas pernas

Escolhas simples do dia a dia influenciam fortemente como as nossas pernas se sentem. Períodos longos sentado - no escritório, no carro ou no avião - diminuem o retorno venoso e aumentam o risco de coágulos em indivíduos vulneráveis. Roupa apertada na cintura ou na virilha pode restringir ainda mais o fluxo sanguíneo.

Por outro lado, pequenas caminhadas nas pausas, elevações suaves dos gémeos, manter-se hidratado e elevar periodicamente as pernas acima do nível da anca podem aliviar a sensação de peso e apoiar a circulação. Combinar estes hábitos com tratamento médico adequado traz frequentemente alívio significativo a quem vive com dor crónica nas pernas.

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