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Esta planta de jardim atrai cobras: saiba por que nunca a deve cultivar perto de casa.

Pessoa com luva de jardinagem a transplantar planta verde para canteiro em varanda ensolarada.

A primeira vez que vi uma cobra num jardim foi numa dessas tardes pesadas de verão em que o ar parece colar-se à pele. O dono da casa estava a regar o canteiro, descalço sobre as lajotas frescas, quando uma forma fina e cinzenta se esgueirou debaixo de um arbusto viçoso e perfumado e desapareceu atrás de um vaso. Por um segundo, toda a gente ficou imóvel. O menino do vizinho começou a chorar, o cão ladrou e o homem largou a mangueira como se estivesse a arder. Só mais tarde reparámos no que crescia mesmo onde a cobra tinha aparecido: um tufo denso de hortelã, a transbordar e ao abandono, a zumbir de insectos e a esconder uma mancha de terra húmida.

Nesse dia, a planta “refrescante” deixou subitamente de parecer tão inocente.

Esta planta comum de jardim pode ser um íman para cobras

Passe por qualquer quintal bonito no verão e vai vê-la. Aqueles rebordos arrumadinhos, os cantos de ervas aromáticas feitas em casa, os cantos deixados “para a natureza” que toda a gente mostra com orgulho nas redes sociais. Misturada no meio de tudo isso, a hortelã ocupa muitas vezes o lugar principal. Cheira a limpo, cresce depressa e faz até um pequeno pátio parecer um oásis. Mas por trás dessa imagem fresca e verde, há um detalhe que, em silêncio, muda as regras.

A hortelã cria o pequeno mundo perfeito onde as cobras adoram infiltrar-se.

Algumas semanas depois desse primeiro incidente no jardim, um controlador de pragas local contou-me uma história que parecia quase uma lenda urbana - excepto que não era. Um casal tinha transformado o seu corredor lateral estreito numa “faixa mediterrânica” cheia de hortelã, erva-cidreira e arbustos baixos para esconder os contentores do lixo. O local mantinha-se à sombra e húmido por causa de uma torneira exterior com fuga. Numa manhã, encontraram uma cobra jovem enrolada debaixo da hortelã; na semana seguinte, apareceu uma segunda, mais perto do degrau da cozinha. Chamadas em pânico, portas bloqueadas, crianças proibidas de sair sozinhas.

Nada mais no quintal tinha mudado. O canteiro de hortelã é que tinha simplesmente explodido.

Do ponto de vista de uma cobra, uma hortelã densa é um hotel de cinco estrelas. A planta alastra depressa, formando tufos espessos que cobrem a terra nua. Debaixo das folhas, o chão mantém-se fresco e húmido, sobretudo em regiões quentes ou junto de relvados e aspersores. A terra húmida atrai minhocas, lesmas e insectos. Estes atraem rãs e pequenos roedores. As cobras limitam-se a seguir o alimento - e ficam pela sombra e pelo abrigo. Não é que a hortelã “chame” cobras pelo cheiro. Ela cria exactamente as condições em que se sentem seguras e invisíveis: uma cortina verde entre elas e a sua porta das traseiras.

Como cultivar hortelã sem transformar o quintal num paraíso de cobras

A solução mais simples, se adora chá de hortelã ou mojitos, é esta: tire a planta do chão. Cultive a hortelã em vasos, canteiros elevados ou floreiras de janela, em vez de a deixar rastejar na terra perto de casa. Use recipientes sólidos, não rachados, e coloque-os em suportes, prateleiras ou degraus onde a parte de baixo não fique escura e permanentemente húmida. Se o seu clima for quente, tente agrupar a hortelã com outras aromáticas numa varanda luminosa e arejada, em vez daquele canto sombrio e esquecido.

A hortelã continua a prosperar, mas os túneis frescos de esconderijo por baixo? Desaparecem.

Muitas pessoas fazem exactamente o contrário sem se aperceber. Plantam hortelã encostada à parede da casa, perto do terraço, junto a torneiras exteriores ou a unidades de ar condicionado que pingam água todo o verão. Deixam-na crescer à solta, orgulhosas do aspecto “viçoso” e “natural”. Depois queixam-se de cobras “misteriosas” a aparecer junto à porta do pátio ou debaixo do mobiliário de jardim. Todos já passámos por isso: aquele momento em que se arrepende de uma decisão de jardinagem que, ao início, parecia inteligente e amiga do ambiente.

Sejamos honestos: ninguém verifica debaixo da hortelã todos os dias.

O jardineiro com quem falei resumiu tudo numa frase directa:

“A hortelã em si não é má, mas se plantar uma selva espessa e encharcada junto a casa, basicamente está a dizer: ‘Entrem, cobras, há quartos grátis.’”

Para jogar pelo seguro, muitos profissionais sugerem três regras simples:

  • Manter a hortelã e outras aromáticas densas em recipientes, a pelo menos alguns passos de portas e janelas ao nível do chão.
  • Podar regularmente os tufos demasiado crescidos, para que não criem tapetes de folhas escuros e impenetráveis.
  • Reparar pingos e fugas: nada de água parada debaixo ou à volta dos suportes dos vasos, nada de terra constantemente encharcada.

Não são tarefas complicadas. São apenas pequenos hábitos que, sem dar por isso, mudam o quão acolhedor o seu jardim é para visitantes escondidos.

Viver com a natureza… sem partilhar a soleira da porta com cobras

A verdade mais profunda é que as cobras não são vilãs de um filme de terror. Fazem parte da engrenagem silenciosa que mantém um jardim equilibrado, sobretudo ao controlar roedores. Ainda assim, a linha entre “andam algures por aí” e “estão debaixo da minha hortelã junto ao degrau de trás” muda a forma como se sente em segurança quando manda uma criança para a rua descalça. Por isso, onde planta as coisas importa tanto como o que planta. Uma simples aromática pode virar o seu jardim de calmo para tenso se estiver no canto errado, com a densidade errada e a humidade errada.

Talvez a pergunta não seja “Devo proibir a hortelã?”, mas antes “Onde é que ela deve estar para eu respirar tranquilo quando abro a porta?”. Depois de ver uma cobra desaparecer num tufo verde espesso a dois metros da sua cozinha, não se esquece. Alguns leitores vão mudar hoje os vasos de hortelã. Outros vão apenas olhar para aquele rebordo sombrio com outros olhos - a andar um pouco mais devagar, a ouvir com mais atenção o farfalhar das folhas.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A hortelã cria abrigo Crescimento denso, sombra fresca e terra húmida sob as folhas Ajuda-o a identificar zonas “amigas de cobras” no seu próprio quintal
Efeito de cadeia alimentar Canteiros húmidos de hortelã atraem insectos, lesmas, rãs e roedores Explica porque é que as cobras aparecem de repente onde a hortelã se espalha
Estratégia dos recipientes Cultivar hortelã em vasos, longe de portas e de fugas de água Permite-lhe desfrutar da planta reduzindo o risco de esconderijos para cobras

Perguntas frequentes (FAQ)

  • Pergunta 1 A hortelã atrai mesmo cobras pelo cheiro?
  • Pergunta 2 Que outras plantas podem, sem querer, dar abrigo a cobras perto de casa?
  • Pergunta 3 É seguro ter hortelã numa varanda ou num terraço pequeno?
  • Pergunta 4 O que devo fazer se encontrar uma cobra no meu canteiro de hortelã?
  • Pergunta 5 Como posso reduzir a presença de cobras sem prejudicar a vida selvagem?

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