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Adeus às tintas tradicionais: uma nova tendência cobre os cabelos brancos de forma natural e ajuda a parecer mais jovem.

Mulher de cabelo grisalho a ser pintado num salão de cabeleireiro, com espelho e plantas ao fundo.

A mulher em frente ao espelho tem 52 anos, mas parece mais nova quando prende o cabelo. Ou pelo menos é o que as amigas dizem. As raízes grisalhas voltaram outra vez, como voltam sempre três semanas depois de uma ida ao salão que custou mais do que ela gostaria de admitir. Segura o tubo de tinta na mão, sente o cheiro químico e cortante e, de repente, pensa: “Porque é que eu ainda estou a fazer isto?”

A cena acontece em todo o lado: casas de banho, cadeiras de salão, casas de banho do escritório à hora de almoço.

Algo novo está, discretamente, a substituir aquela taça de plástico com tinta.

De esconder os brancos a esbatê-los suavemente: uma revolução silenciosa

Se olharmos com atenção no metro, nas chamadas de Zoom, à porta das escolas, algo mudou. O cabelo já não parece pintado em bloco e sem profundidade. Vêem-se madeixas suaves e luminosas, brancos entrançados no castanho, prata a fundir-se num louro escuro. As pessoas não estão a apagar os brancos; estão a esbatê-los.

Isto não é a grande tendência de “ficar totalmente branco de um dia para o outro” de há uns anos. É mais subtil. Uma nova geração de coloristas fala de “grey blending” (esbatimento de brancos), “glazing tonal”, tonalizações de origem vegetal e brilhos suaves em vez de tintas permanentes, opacas. O objetivo não é fingir que tem 25 anos. É parecer descansada, fresca e, de forma estranha, mais… você.

Veja-se o caso da Sophie, 46 anos, gestora, dois filhos, zero tempo. Aos 40 começou com os retoques clássicos de raiz a cada quatro semanas. Aos 44 já pintava de três em três semanas, porque o contraste na raiz era demasiado evidente. Sentia-se presa: faltava a uma marcação e os colegas perguntavam se estava “cansada”.

No ano passado, a colorista sugeriu uma mudança. Clarearam ligeiramente a base, acrescentaram madeixas ultrafinas e aplicaram um toner suave, sem amoníaco, que deixava parte dos brancos brilhar em vez de os cobrir a 100%. Agora, o crescimento é quase invisível e ela só vai ao salão a cada 10–12 semanas. As amigas dizem-lhe que parece mais nova, mas não conseguem explicar exatamente porquê.

O que está a acontecer no cabelo dela é simples: menos contraste significa menos “linhas de idade” desenhadas pela cor. Um castanho muito escuro e uniforme com raízes brancas cria um corte duro no rosto e acentua todas as sombras. Uma mistura mais translúcida e natural suaviza os traços e dá a ilusão de pele mais lisa.

Nas redes sociais, os vídeos de esbatimento de brancos somam milhões de visualizações. Ao mesmo tempo, as vendas de tintas permanentes de caixa estão a cair, enquanto brilhos, pós botânicos e condicionadores depositantes de cor sobem. Há um estado de espírito cultural por trás disto: as pessoas estão cansadas de lutar contra a biologia, mas continuam a querer aquele brilho quando se veem ao espelho.

Como funcionam, na prática, os novos métodos amigos dos brancos

A ideia base é simples: em vez de pintar por cima dos brancos como se fosse primário de parede, trabalha-se com eles. Os coloristas começam por observar o padrão dos fios brancos. Estão concentrados nas têmporas? Espalhados pelo topo? Numa madeixa marcada à frente? Depois desenham a cor com base nesse mapa.

Para alguém com 20–40% de brancos, isso pode significar madeixas ultrafinas ligeiramente mais claras do que a cor natural, mais um toner translúcido que suaviza o contraste entre fios pigmentados e fios brancos. O branco passa a ser um ponto de luz em vez de um “erro”. A raiz cresce de forma suave, sem aquela barra branca agressiva junto ao couro cabeludo.

Em casa, muitas pessoas estão a trocar tintas permanentes por opções mais suaves e construíveis. Misturas de hena e índigo para cabelos escuros, cássia para reflexos dourados, pós de ervas misturados com chás. Tintas vegetais semipermanentes que tingem a camada exterior do fio em vez de penetrar profundamente. Máscaras depositantes de cor usadas uma vez por semana no duche para manter o tom mais quente ou mais frio.

Isto não dá um resultado totalmente uniforme - e esse é precisamente o objetivo. Os brancos aparecem ligeiramente, o cabelo capta a luz de formas diferentes, e o efeito é de foco suave em vez de “liso como Photoshop”. A rotina também fica mais leve: uma noite por mês, não um calendário rígido de retoques.

A armadilha em que muita gente cai é tentar recriar exatamente o tom que tinha aos 25 anos. Aquele castanho espresso perfeito ou o louro queimado pelo sol torna-se o santo graal. O problema é que o tom de pele, o brilho do olhar e a textura do cabelo também mudam com o tempo. Ir demasiado escuro ou demasiado acinzentado pode endurecer o rosto instantaneamente e realçar linhas finas à volta dos olhos e da boca.

Sejamos honestos: quase ninguém lê o folheto de instruções até ao fim e faz o teste de madeixa todas as vezes. É aí que surgem os arrependimentos: cabelo que fica preto chapado, pontas que partem, ou uma cor tão densa que parece uma peruca. Os coloristas dizem que a escolha mais favorecedora costuma ser um ou dois tons mais clara e ligeiramente mais quente do que acha que quer. Menos “foto de há dez anos”, mais “você hoje, mas bem dormida”.

“As pessoas não querem, na verdade, parecer mais novas”, diz Laura, uma colorista baseada em Paris que agora se especializa em esbatimento de brancos. “Querem parecer que não andam há anos a lutar com o cabelo. Quando suavizamos a linha entre o branco e a cor, a postura delas na cadeira muda por completo.”

  • Opte pela transparência
    Escolha glazes semipermanentes, tonalizações vegetais ou misturas que deixem ver alguns brancos, em vez de tintas pesadas e opacas.
  • Clareie ligeiramente a base
    Peça um ou dois tons acima da sua cor original para reduzir o contraste da raiz e suavizar os traços do rosto.
  • Trabalhe com o seu padrão de brancos
    Têmporas, risca, madeixa frontal: adapte a técnica para que os brancos pareçam intencionais, não um defeito.
  • Aumente o intervalo entre marcações
    Aponte para 8–12 semanas entre idas ao salão, com manutenção de tom em casa pelo meio, em vez de batalhas constantes com a raiz.
  • Proteja o couro cabeludo e os comprimentos
    Óleos no couro cabeludo antes de colorir, máscaras nutritivas depois, e pausas entre processos mantêm o cabelo verdadeiramente saudável - não apenas pintado.

Uma nova relação com a idade, o cabelo… e o espelho

O que esta tendência realmente põe em causa é o reflexo antigo de “branco é velho, tapa depressa”. Cada vez mais pessoas nos 40, 50 e 60 anos estão a renegociar essa ideia. Aceitam fios prateados; não aceitam parecer apagadas, cansadas ou presas a uma agenda rígida de salão. Por isso escolhem caminhos do meio: esbatimento suave, transição gradual, madeixas brancas “divertidas” em vez de rendição total ou negação total.

Nas redes sociais, vê-se esta mudança na forma como se fala do cabelo. Menos “desastre, as minhas raízes” e mais “vou deixar esta madeixa crescer, é mesmo bonita”. Alguns parceiros precisam de tempo para se habituar. Alguns colegas ainda perguntam se está “a mudar o visual”. Mas há também um alívio inesperado: menos cheiros tóxicos, menos medo do espelho três semanas depois do salão, menos dinheiro gasto a tentar acelerar o tempo para trás.

Este movimento não é perfeitamente “limpo” nem perfeitamente natural. Muitas fórmulas de esbatimento de brancos ainda contêm pigmentos produzidos em laboratório, e os salões são negócios, não templos de autoaceitação. Ainda assim, algo mais profundo está a acontecer. Quando as pessoas aceitam um pouco de branco, muitas vezes começam a cuidar melhor do cabelo: menos calor, mais máscaras nutritivas, fronhas de seda, massagens no couro cabeludo. A saúde substitui a camuflagem como prioridade.

E isso muda a ideia do que é parecer “jovem”. Não como uma idade fixa numa capa de revista, mas como brilho, leveza, suavidade à volta dos olhos. Um cabelo com brancos bem esbatidos, que se mexe com a luz, tende a fazer a pessoa toda parecer mais viva. A ironia é clara: ao taparem um pouco menos, acabam por parecer mais vibrantes.

Ponto-chave Detalhe Valor para quem lê
Esbatimento de brancos em vez de cobertura total Use madeixas finas e toners translúcidos que trabalham com o seu padrão natural de brancos Crescimento mais suave e duradouro, evitando o efeito duro da “linha de raiz”
Tons mais claros e mais quentes Escolha cores um a dois níveis mais claras e ligeiramente mais quentes do que a sua cor original Ilumina a tez e reduz subtilmente a aparência de linhas finas
Produtos suaves e construíveis Tonalizações vegetais, glazes semipermanentes, máscaras depositantes de cor Menos dano, menos stress no couro cabeludo, manutenção em casa mais realista

FAQ:

  • Pergunta 1 Posso começar a esbater os brancos se tenho usado tinta permanente escura durante anos?
    Sim, mas normalmente exige uma transição. Uma/um colorista pode precisar de clarear suavemente os comprimentos, adicionar madeixas finas e mudar para toners semipermanentes. Raramente é um milagre de uma só sessão; é mais uma jornada de 6–12 meses.
  • Pergunta 2 As tintas naturais ou vegetais cobrem totalmente os brancos?
    A maioria das tintas vegetais suaviza e tinge os brancos em vez de os apagar. Espere um resultado translúcido, em que os fios brancos se tornam reflexos dourados, acobreados ou chocolate - não uma “parede” de cor totalmente uniforme.
  • Pergunta 3 Com que frequência tenho de refazer uma cor com brancos esbatidos?
    Muitas pessoas conseguem espaçar as idas ao salão para cada 8–12 semanas. Pelo meio, pode refrescar com um gloss, uma máscara depositante de cor ou um toner rápido em casa, sem obsessões com cada milímetro de crescimento.
  • Pergunta 4 O esbatimento de brancos funciona em cabelo muito encaracolado ou texturizado?
    Sim, e pode ficar especialmente bonito em caracóis, porque a mistura de fios brancos e coloridos acrescenta profundidade. O segredo está em técnicas suaves e no respeito pelo padrão do caracol, com o mínimo de descoloração e muita hidratação.
  • Pergunta 5 E se eu experimentar isto e acabar por sentir falta da minha cor sólida antiga?
    Pode sempre voltar a uma cobertura maior, mas muitas pessoas adaptam-se ao fim de algumas semanas. Um bom passo intermédio é pedir à/ao colorista para manter mais profundidade junto ao rosto ou na risca, deixando alguns brancos visíveis noutras zonas.

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